segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ciclos

Tudo começou através de um post em um blog em que eu escrevia há quase 7 anos atrás e, acredito, essa é a maneira que encontrei para encerrar esse ciclo: escrevendo novamente. É 2h da madrugada e meus olhos estão tão inchados que nem sei como estou conseguindo digitar, mas o fato é que o sono não vem, o fato é que eu não consigo aceitar a ausência que essa cama imensa me recorda todas as noites, o fato é que ou eu expresso de alguma maneira, ou eu enlouqueço. 
Todas as noites é a mesma coisa, pois por mais que para as amigas eu costuma dizer 'estou superando', 'estou na fase x do luto', 'estou esquecendo', no final do dia quem eu queria abraçar, dormir de conchinha, ficar horas conversando era com ela. Mas Fran, tudo é fase, tudo é cíclico, tudo tem um propósito. Eu sei, eu sei de tudo isso, mas de verdade eu não entendo, não consigo aceitar em meu coração e, por isso, hoje a dor que estou encarando é ainda maior.
Eu preciso dizer que eu entendo, plenamente, minha responsabilidade de as coisas terem chegado a este nível: sempre fui muito insegura, ciumenta e possessiva, além disso recordo de coisas que não eram necessárias recordar, o que me fez envolver emocionalmente e karmicamente com algumas pessoas nessa existência. Eu sei que errei muito, eu sei.
Mas acima de tudo, preciso dizer que desde antes de virmos morar aqui em SC algo me dizia que seria o fim e isso me enlouquecia, pois como seria o fim se estávamos tão perto de realizar um grande início de uma vida juntas? Mas eu não escutei a  minha intuição e dessa forma precisei ser avisada de outra maneira, pela tia dela 'melhor ela não ir, pois se for é capaz de não se adaptarem e ser um rompimento de vez'. Eu escutei? Claro que não, eu neguei qualquer sinal de que pudesse ser um momento de transformação de ciclo, pois como aceitar isso? 
Mas viemos e tivemos um início tão bonito que costumávamos dizer 'é tudo tão perfeito que a Fran precisou machucar o braço pra fazermos uma média', e era isso mesmo que ela e eu pensávamos - estava perfeito, tudo escolhido da forma como imaginávamos há anos, tudo com nosso toque, nosso amor. O que eu mais poderia desejar? Minha companheira, nosso lar e eu preste a voltar a iniciar um sonho particular. Não estava faltando nada.
Mas eu comecei a estudar e a meu tempo em casa começou a diminuir e claro que - entendo plenamente - isso a desestabilizou, afinal eu era a única referência dela nesse lugar. Mas essa instabilidade fez com que, de uma certa forma, existisse uma competição de quem fez mais na universidade, além de ter um total desinteresse pelo que eu trazia diariamente para compartilhar.
Eu me senti tão mal, tão pequena, tão desinteressante! Foi horrível, pois aos poucos sentia que não tinha ninguém em casa, me sentia sozinha no próprio lar que construímos juntas e, as brigas se tornaram frequentes. Brigamos tanto, tanto e a isso fazia  minha companheira adoecer ainda mais.
Teve um dia que eu senti que era eu o grande problema da vida dela, só podia ser eu. Afinal foi eu que fiz com que ela viesse, foi eu quem não foi forte pra dar suporte para as crises dela, foi eu que era desinteressante. Nesse dia, eu pensei em me machucar e peguei uma faca para isso. Depois disso teve outros tantos dias seguidos que pensei em fazer besteira, até que um dia eu fiz, depois que ela já havia ido embora e por sorte não ocorreu nada.
Ela foi embora por nós, assim sem aspas, pois entendo a verdade disso. Mas assim como ser sincera não evita a dor, ir por nós não me deixa parar de pensar que fui abandonada, porque foi essa a sensação que me corroeu diariamente, todos os dias. Tudo aqui era ela -e ainda é, mesmo o AP estando 'diferente' - e a única companhia era a grande fumaça de energia densa e negra que a cada dia crescia e tomava todos os cômodos. Eu pedi tanto pra que ela voltasse, tanto. Não pra cá, mas pra mim, pra minha vida, mas isso não ocorreu. Tomei remédios e, por sorte, o único efeito foi dores de cabeça, uma moleza no corpo e uma total não presença. Não morri.
Depois disso, tudo ficou mais confuso. Porque era a solidão e descaso x atenção de outra pessoa, era silêncio x palavras de acolhimento, era o não x o sim. Comecei a sentir algo, mas ao passo que sentia algo diferente, também sentia raiva: porque ela tá me deixando perder? Porque ela não faz nada?
Fui pra Porto Alegre decidida, eu precisava terminar! Porque era insustentável ficar com a companhia da falta constantemente, ou me queria e mostrava, ou não era mais possível. Mas eu, por mais machucada que esteja, ainda sou aquela boba que a ama e depois de tantas e tantas coisas ditas, dores, choros e perdões, voltei com a mente de que sim, a gente poderia ficar juntas, em algum momento.
Mas acontece que isso tem sido uma ilusão, pois enquanto não me permito viver, muitas outras histórias já estão sendo tecidas. Está sendo tecido um futuro diferente e eu soube disso hoje, depois de tanto tempo, e de uma forma bem cruel. Dai penso, a distância tem sido a solução? Obviamente não, mas pelos Deuses, que eu tenha o mínimo de autoamor e agora eu mantenha a distância, porque essa situação é cruel demais para aceitar.

Tudo é cíclico, é. E isso é a realidade da vida, preciso parar de sonhar.

sábado, 4 de novembro de 2017

Jornadas Xamânica (4)

A última Jornada Xamânica foi estranha, justamente porque não estava entregue no momento da vivência, além de estar intimamente mal devido à sensação de não ter tido voz. Na hora de apresentar os objetos de poder, que foi momentos antes da jornada, a minha Sacola de Poder foi definida como  pelo docente como 'sem minha energia'. Isso ocorreu pelo fato do tecido que eu escolhi para ela foi um algodão cru e, teoricamente, por ser um tecido feito por máquina e por eu não ter tecido minha própria sacola, ela deixaria de ter minha energia, não me representava. Na hora, eu não questionei, mas minutos após fui sendo invadida de grande tristeza, raiva e sensação de ser calada. Porque, ok, eu não teci o tecido, mas por acaso o cordão de algodão cru  das outras sacolas foi criado por cada um dos colegas? Claro que não, o que faz com que as outras sacolas tenham a energia da própria pessoa foi a intenção do tecer, assim como que faz com que a minha sacola tenha a minha energia, me represente plenamente, é o meu sangue menstrual que a tingiu em um rito de entrega e conexão com a Lua. Além disso, cada um dos objetos dentro da sacola são forças que me acompanham há anos, forças que me relaciono não devido à uma disciplina, mas sim porque é uma escolha  e posicionamento de vida que sigo desde que a Grande Mãe Gaia me tocou com sua sabedoria. A minha sacola TEM minha energia.
Mas eu, Mimulus e Funcho que sou, tive grande dificuldade de expressar esses meus pensamentos em palavras e achei que em algum momento essa sensação iria passar, pois eu deveria respeitar a nota 3,5 que recebi pela minha sacola - nota essa que faz com que minha média semestral abaixe muito, perigando pegar final e eu tenho uma autocobrança absurda e, é claro, que isso fez eu surtar internamente - e a orientação de que eu deveria fazer uma outra sacola para vida. Mas, falando em respeito, não expressar isso é me desrespeitar.
Bem, evidentemente eu não falei na hora, mas hoje em partes me expresso por aqui, porque não posso ficar com isso trancado em minha garganta. E nessa outra forma de expressar que encontrei, aproveito para dizer que não há NADA que tenha mais minha energia do que meu fluxo de sangue, meu poder escarlate que verte para à terra a cada ciclo e que me liga aos saberes ancestrais da tenda vermelha. 
Sei que isso sendo expresso dessa forma, pode parecer estranho, mas é algo que me magoou: em partes pelo o que foi dito, mas principalmente por ter me calado. Porque é tão difícil eu ter voz? Porque fiquei tantos dias com isso comigo? Porque é tão difícil me libertar? De forma alguma quero que isso seja compreendido como desrespeito, mas é a forma que encontrei, nessas linhas repletas de fluxos da consciência, de mostrar minha verdade. Bem, dito isso, voltando para a vivência: eu não estava bem e muito menos entregue, pois estava mal e a proposta era de interagir com os elementos.
Duas forças elementais entraram em contato comigo na jornada: a terra e a água. A terra me sufocou, me vi enterrada. Mas isso de forma alguma me causou medo, pois já vivi isso em carne, e sei o quanto é honroso se entregar para a terra, como uma forma de retornar ao Útero da Mãe e renascer. Porém, de forma súbita me encontrei no mar e estava afogando o que me fez desesperar. Inclusive retornei ao corpo físico afogando em minha própria saliva.
Seria uma representação de afogar naquilo que não consegui engolir?

Diário Aromático (5)

A busca do óleo essencial da minha essência:

Teoricamente o último post sobre o tema seria o último em definitivo da série 'Diário Aromático'. No entanto foi sugerido pela docente que cada aluno identificasse qual é o seu aroma de tipo, ou seja, qual óleo essencial está intimamente ligado à nossa personalidade, uma energia que se mantém, independente do período da vida que estamos e os processos que estamos enfrentando. 
Resgatando todos os saberes, percebi que é quase impossível identificar qual é o meu 'aroma de tipo', pois cada um dos óleos trabalham determinados campos da minha existência. Mas essa foi uma missão dada que deveria ser cumprida, afinal, buscar o aroma que mais nos identificamos é uma jornada para dentro de nós mesmos.
Lembro que entre todos os aromas experimentados em aula, além de Ylang Ylang, um que me chamou grande atenção foi o de Funcho (Foeniculum Vulgare) e me senti intimamente ligada a ele.  Os aspectos sutis que ele desenvolve é a comunicação e a capacidade de se expressar plenamente através da fala,  a superação da vergonha e timidez, hieginiza a mente e também permite se orgulhar de seus próprios êxitos.
O engraçado é que não é um aroma que lembre qualquer aroma que eu exale tanto naturalmente, quanto por escolha de perfumes. Mas me identifiquei com o simbolismo do óleo e percebi que não é algo que apenas eu identifique: minha ex companheira, quando estava fazendo interagências com a naturologia, escolheu a partir da sugestão da naturóloga um aroma que lembrasse a mim, assim fariam um creme que ela usaria no chakra cardíaco sempre que sentisse saudade. E esses dias, mexendo em cremes reencontrei esse preparado para ela e o aroma era justamente o de Funcho.
O fato é que agora quem usa o creme sou eu e a sensação é tanto de me conectar com essa pessoa que soube tanto de mim  e me viu crescer, como me conectar comigo mesma. Se é realmente meu óleo de tipo eu não sei, mas que tem me ensinado sobre a minha própria essência e voz, isso é uma verdade.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Diário Aromático (4)

Quantos portais do inconsciente estão sendo aberto com a aromaterapia que, no passado, eu imaginava que se tratava apenas 'cheirinhos'. Porque eu já havia interagido muito com essências e não via tantas mudanças energéticas e mágicas, mas  com Óleos Essenciais ainda não tinha tido a experiência: e definitivamente, faz toda a diferença. Bem, a começar que tenho entendido outros seres em suas posturas e valores de uma maneira muito mais ampla, mas mais do que isso, tenho realmente me conhecido, me entendido, perdoado e fortalecido. E é sobre autoentendimento e força/firmeza que quero falar hoje, a partir dos óleos Bergamota e Olíbano, além de trazer esse experiência momentânea da Sálvia - neste momento em que escrevo, é a Sálvia que está a me mostrar seus mistérios.

Bergamota - O resgate da felicidade
Aspectos sutis: Óleo da felicidade | Auxilia a desenvolver a fé e a confiança | Transforma o medo desconhecido e a sensação do choque | Desenvolve proteção áurica | Fé x Ateu | É o OE mais indicado para a depressão e conseqüente baixa imunidade | Estabiliza o emocional | Ajusta o ambiente externo ao interno e vice-versa.

Percepções pessoais: A Bergamota chegou em minha vida em um momento em que eu estava completamente afundada na depressão e falta de energia vital. Eu estava tão sem energia que foi necessário que colegas viessem até mim tentar me reanimar. Foi assim que entrei em contato com a Bergamota que, após o teste olfativo o OE recebendo a nota 9,5,  comecei a interagir com esse aroma. E, sinceramente, acho que esse óleo essencial foi o que fez eu acreditar no poder dos óleos essencias, pois o resultado foi imediado. Claro que todos os problemas não desaparecem de uma instante pra outro, mas a felicidade ressurgiu em meu peito como uma pequena chama na lareira, trazendo cuidado, aconchego e ressurgir do bem estar interior.

Olíbano - O caminho espiritual
Aspectos sutis:  Óleo do caminho espiritual  | Divino | Desperta o Eu Superior e o sagrado dentro de nós | Paz | Auxilia a ouvir a voz incessante do coração | Fortalece contra as adversidades da vida | Rompe os vínculos do passado, tendência a viver no passado em vez do presente | Eu Inferior x Eu Superior | Feridas que insistem em ficar abertas | Mágoas e ressentimentos | Neutralizar o que destrói: doenças auto imunes | Óleo do angustiado, sufocado, apertado | O que é sagrado para você?

Percepções pessoais: Para falar sobre o olíbano, é necessário falar que marcar a pele é um ritual antigo que nos permite expandir a consciência durante o processo. É o ato da entrega e da transformação através da dor, pois quando um rito termina nunca mais somos os mesmos. Mudamos a pele, sim, mas mais do que isso algo modifica em nossa essência. Pois o símbolo que agora se carrega soma poder ao nosso espírito e muitas vezes nos (re)conecta à nossa sabedoria ancestral. A cada rito, a cada marca, a cada símbolo mostramos ao mundo e a nós mesmos quem somos na realidade, mostramos nossa individualidade, nosso poder pessoal e a medicina sagrada que viemos doar à Terra. E como eu tive essa percepção? Com o olíbano, o óleo essencial que transformou o marcar da pele em um rito, que abriu portais de consciência, que fez com que minha visão expandisse, que permitiu passar o longo processo de uma tatuagem ancestral Hand Poked firme, consciente do meu poder e conexões astrais. Foi através desse óleo e desse rito que aprendi o que significa se entregar, transformar, morrer para transmutar.

Sálvia - A clareza sobre os sonhos e desejos pessoais
Aspectos sutis: Óleo da Clareza | Transforma a sensação da “vida em preto e branco”. Vivenciado muitas vezes por mulheres que desistiram de si e da vida | Óleo da adolescência |  Sonho x  Realidade | Expectativas/ projeções /idealizações x realidade fria | OE da mulher e da menina, o desabrochar do feminino | Menina melancólica | Resgate da mãe na mulher | Não quer crescer, desenvolvimento tardio | Corpo precoce, alma de criança | Conflitos femininos ou abusos | Menina que cria castelos e vê o mundo cor de rosa | Busca fugir das pressões; Fuga da realidade | Pai ausente, frágil, imaturo | Perda da sensibilidade na mama | Mulheres desprovidas de cuidados pessoais | Mente obsessiva, pensamentos descontrolados, stress | Opta por dias de ilusão até que algo a repreenda para o real significado da vida |  Acalma , dissipa ilusões libera a inspiração e a criatividade | Depressão, pânico, paranóia, histeria, culpa, tensão nervosa, stress, perdas, impulsos emocionais; falha na vida afetiva gerando sexualidade problemática | Vulnerabilidade mascarada | Convive com sentimento de desilusão , esperando que alguém lhe dê um suporte | Oscila entre felicidade momentânea e amargura | Tormentos existenciais: busca da verdade | Desenvolve força interior e renova a confiança | Restaura a paz e o bom humor | Fertilidade.

Percepções pessoais: Esse óleo essencial tem tantas características que fica difícil de definir em que parte da minha vida e qual das potencialidades dele é que estão sendo trabalhadas. No entanto, posso considerar que estou com uma certa alergia no corpo - o que me faz pensar sobre o que o meu corpo, meu eu, não está aceitando. Mas, vejo que estou um pouco mais disposta a buscar novos saberes, como é o caso da Magia do Caos. E não me estranha me interessar sobre isso logo agora, pois o arquétipo que esse óleo carrega é da nossa Grande Mãe Gaia e foi ela a primeira a surgir do Caos Universal.

Da série de posts sobre o Diário Aromático esse é o último. Nem parece que já passamos por uma jornada de aprendizagem e conexão com 28 óleos essenciais que tanto nos transformam. Evidentemente nem todos foram descritos aqui, pois a proposta é de realizar a descrição dos que interagimos mais intimamente. Mas confesso que a experiência foi tão interessante que talvez eu continue escrevendo aqui sobre essa jornada tão intensa - cada semana é um processo diferente -, transformadora, eficaz e extremamente curadora!

Jornadas Xamânicas (3)

Entrar na montanha para descobrir seu Animal de Poder exige coragem, pois nunca sabemos o que iremos avistar. Eu já conheço meu animal, uma puma linda, e estou em busca dos meus animais guardiões. Na vivência do cair do precipício veio o Golfinho como animal guardião da água e sou grata por essa medicina. Mas e os outros? Entrei na montanha, me entreguei à ela e quando percebi eu era a própria montanha. Senti todo o peso e força da terra, senti as árvores brotarem em mim, senti e visionei animais caminhando e pairando em meu corpo templo: uma coruja que sobrevoava em meu céu, uma serpente negra que rastejava, um urso que a cada passo a terra estremecia, um peixe alaranjado que nadava pelos rios. E de fato eu senti a energia do rastejas, a força dos passos firmes, a vontade de voar ou de me deixar fluir. O fato é que, eu sinto que esses animais de dizem algo. São eles meus guardiões de portais? Estou mais próxima de descobrir meu totem? Caminhar sozinha, torna a jornada mais lenta, mas ensina muito sobre autoconfiança. Afinal, quem saberá agora, além de mim, a força que me acompanha? De qualquer forma não fui esperta o suficiente para realizar a mesma pergunta que fiz quando estava no mar 'algum de vocês é meu animal de portal?', pois fiquei tão grata pela imagem, tão encantada pela sensação, que não racionalizei. De qualquer forma sinto que estou mais perto, sinto que novamente as portas de outrora abertas, estão novamente se abrindo para mim. Gratidão Grande Espírito, Gratidão Mãe Gaia.

domingo, 8 de outubro de 2017

Diário Aromático (3)

A Aromaterapia nunca tinha despertado realmente meu interesse, pois por mais que eu já tenha lido vários artigos e livros sobre o poder dos aromas, ainda assim minha pré-concepção me dizia ‘são só cheiros’. E de fato são cheiros milagrosos, terapêuticos e 100% eficazes – comprovado cientificamente! Mas eu só descobri isso a partir das aulas de Aromaterapia que são ministradas na Unisul e, como sabem, a cada semana interagimos intimamente com um Óleo Essencial (O.E) específico, pois assim além de estudarmos sobre as características do O.E, também experimentamos seus efeitos em nós. O fato é que os aromas inalados nas últimas semanas mexeram muito comigo e por esse motivo, vou tentar recuperar o tempo perdido e falar de três óleos de uma vez: Patchouli, Cipestre e Manjerona.
Bem, eu estava em tratamento com Gerânio e com a chegada da Primavera eu soube, dentro de mim, o quanto eu precisava me sentir amada, o quanto eu precisava sentir amor. Pois eu, como boa pisciana, sem amor é como peixe sem mar, morro em desespero e asfixia. E acho que é exatamente assim que estava me sentindo e ainda me sinto: desesperada e asfixiada, pedindo desesperadamente que alguém me águe, que o meu amor retorne. Mas esse amor não me aguando, me deixando assim seca, se eu não me permitir receber o oceano de emoções de outro alguém é possível que ao voltar, se voltar – porque já desacredito nisso – me encontre morta. Isso foi o que o Gerânio me fez acessar, mas logo depois, veio o Pachouli ...

Patchouli – O descobrir dos próprios limites
Aspectos sutis: Óleo do Amadurecimento | Transição do jovem para o adulto | Auxilia na conscientização dos próprios limites | Traz consciência corporal | Atua nas emoções profundas ligadas as intenções sexuais| Tolerância X Irritabilidade | Ancora e estabiliza a mente nervosa e preocupada.

Percepções pessoais: Eu tive uma companheira por quase 7 anos e ainda é muito difícil pra mim dizer ‘tive’, porque dentro de mim ela vive, ela habita. Mas companheira, como ela mesma me explicou, significa compartilhar o pão, a vida, as histórias e, infelizmente, isso já faz um bom tempo que não fazemos. E, bem, foi com essa percepção, somada ao desejo de se sentir amada novamente, que eu disse ‘chega’. A cada mês que passa eu me sinto gestando uma mentira, uma ilusão que só cresce, além dos sentimentos de solidão e sofrimento que são meus piores demônios. A cada mês que passa e que eu não tenho nenhuma, NENHUMA orientação de sim ou de não, me sinto mais louca. Porque ela foi, mas as roupas ainda estão no lar que criamos juntas, toda a decoração lembra ela e tudo o que pensamos/planejamos, o nosso quarto ainda tem o cartaz de que me ama em todas as línguas. Isso é uma tortura diária, mas mesmo assim, no meu desejo, no meu sonho, quando ela voltasse estaria exatamente como ela deixou, ela retornaria ao lar que criamos juntas. Mas não, a cada dia que passa me sinto suspensa, me sinto perdida, me sinto absurdamente mal. Daí eu mandei, no ápice da ação do Patchouli, uma mensagem dizendo que eu não aguentava mais, que estava me sentindo mal, tava me sentindo injusta comigo mesma não me deixando me abrir pro novo. E porquê? Porque eu projetei que em algum dia ela retornaria, mas sinceramente, olhando nosso histórico com uma frieza, quase nunca isso ocorreu, nem no ponto mais alto da paixão, porque ela faria isso agora?  Reconheci o meu limite, porque eu realmente não consigo mais ficar nessa situação – e deuses, preciso inalar Patchouli diariamente, pra ter firmeza diante dessa constatação, porque eu sinto que se ela dissesse ‘sim’ eu diria ‘vem/vou’.

Cipreste – O permitir morrer

Aspectos sutis: Óleo Consolador – fortalece nos momentos de ruptura | Símbolo da Morte e Renascimento | Trabalha o Medo de morrer | Trabalha todos os tipos de perdas, luto e morte | Luto em vida; dificuldade de dizer adeus, corte de relacionamentos: deixar ir, enterrar | Auxilia na transição | Vida X Morte.

Percepções pessoais: NUNCA INALE CIPRESTE QUANDO ESTIVER TENDENDO À DEPRESSÃO, sério. A confusão mental e emocional que tem me feito companhia diariamente não reagiu bem com esse O.E, pois ao contrário de saber lidar com as perdas, mais eu me desesperava diante delas, por mais que ele fale de vida, eu estava flertando com a morte. E, sinceramente, não falo da morte simbólica. Eu realmente surtei e foi instantâneo, pois no mesmo dia que tive contato com esse Óleo eu pensei em mil formas de fazer uma bobagem, eu fiquei completamente fora de mim e por mais que agora eu esteja um pouco melhor, pois corri para os braços da mãe e da irmã, ainda me sinto um pouco fora do eixo, me sinto com medo da morte e ao mesmo tempo querendo encontrá-la – em todos os níveis que isso possa significar.

Manjerona – O trabalhar das carências

Aspectos Sutis: Óleo da aceitação | Trabalha a carência | Atenua a tristeza pela perda ou separação; traz alegria para o coração partido | Auxilia na transformação do luto e das perdas | A dor não é expressa nem por lagrimas, palavras, mas enclausura o sofrimento, enrijece as lagrimas, petrifica e cristaliza | Trabalha a necessidade de reconhecimento e aprovação | Encapsulado X Compulsivo | Erva do desconforto e emoções distorcidas, gerando frieza e debilidades físicas | Auxilia as pessoas que tem a tendência a tristeza e a indolência, morosidade, apatia, insensibilidade |Acalma o esquentado por dentro, ardente e inflamado – perfil causadores de conflitos, bélico, apaixonado | Estabelece a confiança nos relacionamentos afetivos e sociais | Pessoas que estão sempre suspirando | Para aquelas pessoas que enterram os sentimentos em vida (sublima) | Tristeza e dor no coração, desgosto, sentimento de privação real ou imaginaria, refugia‐se evitando o afeto e o calor – tende a ser só, desamparada | Para aquelas pessoas que dizem ser uma rocha.

Percepções pessoais: Evidentemente, depois de tantas coisas sentidas, eu preciso de algo que me firme. E a manjerona se apresenta nesse momento e é com ela que estou fazendo meu processo de tratamento aromático. Sinceramente, ainda não senti todas essas possíveis transformações que esse óleo ocasiona, no entanto me sinto em Off, meio desligada, não sentindo tanto. Bem, só o fato de eu não estar com pensamentos suicidas já representa uma grande melhora, mas eu de verdade gostaria que tivesse sido tão imediato os efeitos como os outros, como eu gostaria de ter diminuído minha tristeza e curado o coração ferido. Mas não, ainda não, afinal não dá pra pular etapas do luto, só dá pra tornar mais suportável ultrapassá-las. Eu hoje estou em Porto Alegre, vim pelo colo da mãe e irmã, mas confesso que uma parte minha desejava ganhar outro colo também. Mas, embora eu esteja escrevendo todas essas palavras com um choro preso – sublimado – por dentro, me vejo mais tranquila com o que acabou. Afinal, companheira é dividir o pão, e já não estou dividindo nada, nem as lágrimas. É um pouco cruel imaginar que, a pessoa que eu mais amo, mesmo sabendo dos processos que estou passando, me evita, me finda em seu coração. Ta na hora, eu sei que tá na hora, de eu fazer isso também.

Sem dor, só com a gratidão de tudo o que foi vivenciado.

domingo, 24 de setembro de 2017

Diário Aromático (2)

A primavera nos convida a despertar o melhor de cada um e, dessa forma, na tentativa de sair de meu casulo pessoal, da minha toca onde me protegi para, assim, desaguar as águas que estavam me sufocando, o Gerânio surgiu em minha vida. Um aroma forte, impregnante e quase nauseante, que foi entrando em meu ser, me dominando e, acreditem, me libertando. Com o Gerânio fui capaz de despertar na primavera o amor.


Gerânio - O descobrir do feminino

Aspectos sutis: Óleo da Mulher |Menina, Adolescente, Mulher e Anciã | Suaviza o Yang, trazendo Yin | Libera sentimentos de frustração e irritabilidade| Transforma o medo de amar e da entrega | Estabiliza a mente, desperta o carinho e sensibilidade, nutre a criatividade e o feminino do intelecto (intuição) | Anti depressivo e relaxante dos nervos | Atena X Hera | Para aqueles que racionalizam os sentimentos | Para pessoas com pouca comunicação com os próprios sentimentos | Pessoas com o padrão da matriarca | Para perfeccionistas, workaholics, bloqueio da imaginação, intuição, sonhos e experiências de vida.

Percepções pessoais:  Estou em um processo pessoal muito delicado e isso fez com que eu me afastasse de muitas pessoas, inclusive de mim mesma. Isso se deu por conta de um rompimento que não soube aceitar e, dessa maneira, me fechei para o sentir. Porque o sentimento, todos eles, habitam um mesmo local e na tentativa de não sofrer pela perda, acabei me desconectando de todos os outros sentimentos que faziam de mim eu ser quem eu sou. Eu, Franciele, sem sentimentos, me torno uma pessoa tão gélida quanto um bloco gigantesco de gelo: cruel, fria, insensível. Evidentemente essa sensação não me agrada, mas entre isso e sofrer diariamente como se o mundo tivesse acabado - tão forte que, se o mundo tivesse mesmo acabado ontem dia 23 de setembro por conta do alinhamento, acreditem, eu não teria percebido- eu com certeza escolho o não sentir. Mas, por sorte, ou não, o Gerânio foi um dos primeiros óleos essenciais a estudarmos na disciplina de Aromaterapia ministrada pelo curso de Naturologia na Universidade do Sul de Santa Catarina. Em aula discutimos os aspectos teóricos, mas foi em casa sentindo o aroma desse O.E diariamente que pude realmente aprender sobre ele: ele me abriu, ele fez eu sentir amor, ele fez eu perceber que tudo é cíclico e que não tem problema em se abrir para o novo. Ele aqueceu meu coração, derreteu minhas geleiras e nesse exato momento, enquanto escrevo essas linhas, ele me diz para dizer 'sim' à única coisa que tem tornado meus dias menos cinzas, menos dolorosos. Ele está me dizendo vai e, agora, me questiono 'Porque não?'. Meu feminino se despertou e está querendo amar e ser amado novamente.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Jornadas Xamânicas (2)

Estava meditando e quando me dei por mim eu estava em uma caverna completamente escura. Não tive medo, pois já havia estado lá muitas vezes. No entanto algo inesperado  aconteceu: cinco pumas me cercaram. Tinham a expressão de ataque e isso me paralisou. O que fazer agora? Nesse momento eu percebi que assim como elas, eu tinha a essência desse animal, e foi essa percepção que me transformou. Também virei puma e ataquei todas elas, não para derrotá-las, mas para assustá-las e de fato consegui. Depois desse momento eu, enquanto animal, me sentei sobre minhas patas traseiras e fiquei a observar a escuridão fria e silenciosa.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Diário aromático (1)

Bem, como sabem, eu estudo na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Tá, não é exatamente isso, pois minha carta não chegou aos 11 anos, mas aos 25 chegou a notícia de uma bolsa integral do Prouni, depois de muito esforço, dedicação e uma força de Atena para cursar Naturologia, que é quase a mesma coisa que a escola do Harry. Aqui a gente estuda de tudo, elementos, xamanismo, alquimia, um pouco de astrologia e por ai vai e agora estamos nos aprofundando no Poder das Plantas, a partir da Aromaterapia. A princípio, para a disciplina, um dos elementos de avaliação será o 'Diário Aromático', que basicamente será uma descrição da percepção pessoal de cada óleo essencial. Dessa forma, como acredito que todo compartilhar de saberes é importante, e como também as percepções são bem pessoais e tem conexão direta com minha jornada espiritual, vou escrever aqui também algumas percepções. Já cheirei alguns óleos, mas o primeiro que quero descrever é sobre a Lavanda. 

Lavanda - a busca pelo Eu Sou

Aspectos sutis: Óleo da individualidade | Equilíbrio | Insight | Equilibrador | razão e emoção | Auxilia na transformação de sensações, emoções e pensamentos (ex: raiva, medo, insegurança, frustração, etc) | Traz aceitação | Auxilia a promoção de mudanças, visão de novas possibilidades | Desenvolve a
energia feminina, receptividade, confiança | Para aquelas pessoas que tem dificuldades em olhar para si mesmo | A lavanda tanto faz internalizar como externalizar.

Percepções pessoais: Já havia cheirado a lavanda muitas vezes, mas nunca tinha feito um trabalho profundo com a lavanda, nunca tinha permitido que ela tocasse em camadas mais profundas do meu ser, nunca tinha percebido a terapêutica dela. Mas quando me abri para ela, ela me mostrou muitos aspectos de mim: na primeira vez, ela fez eu acessar um estado Zen total, pois não pensava e nem sentia nada, era uma sensação de estar vazia, mas esse vazio não era o vazio existencial, e sim o vazio que te tira tudo o que não é seu verdadeiramente. Fazia muito tempo que não me sentia tão leve, fazia muito tempo que eu não carregava tanta dor no peito e tanto peso nas costas. Foi tão diferente sentir isso, que no primeiro momento foi quase ruim, porque mesmo o peso, a dor, a angustia, eram coisas conhecidas, mas o que fazer com o vazio? Iria me preencher do que? Mas isso foi passando, e aos poucos só ficou a paz, uma grande paz de ser quem eu sou.
Na segunda vez, ela me fez chorar instantaneamente. Ou seja, ser quem eu sou também implica encarar o que estou passando e que por medo renego. Não queria sentir tristeza e bloqueei esse sentimento em alguma camada da minha psique, mas quando vi as lágrimas estavam escorrendo e uma porta do meu ser estava se abrindo.
A lavanda faz isso, faz com que silenciemos e nos conheçamos na integralidade. É uma força muito amorosa, mas nem sempre os ensinamentos são fáceis, pois tudo depende de como lidamos com nosso eu. Mas ela faz você ser você, faz se conhecer, faz sentir o choro se tiver que chorar, faz gargalhar se essa é sua essência. A lavanda lava nossa alma, nos deixa puros em nossa essência.

Jornadas Xamânicas

A formação universitária que realizo é mágica, pois em vários momentos sinto-me como na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Um desses momentos que posso descrever com grande gratidão é a disciplina de Xamanismo. Xamanismo em uma universidade? Sim, isso é Nova Era, pois mostra que os saberes ancestrais novamente estão interagindo com todos os círculos de conhecimento, todos os espaços, todos os seres.
Entre as jornadas realizadas, duas ainda estão ressoando em meu ser: a com o animal de poder e a da queda livre do precipício. A Jornada com o animal de poder me levou a vários mundos. Minha Puma caminhou comigo por entre uma caverna cheia de morcegos, desceu camadas subterrâneas, passou por uma árvore com serpente cheia de maçãs e me mostrou um novo mundo. Lá, abaixo, um verdadeiro paraíso. Mas como eu poderia chegar até lá? Subitamente me transformei em um pássaro branco, talvez em um pomba, e voei até chegar à copa de uma árvore. De cima da árvore vi rios, vi uma floresta vasta, vi uma girafa e um elefante. Mas nesse momento comecei a subir, flutuando, em direção aos céus e quando dei por mim estava na lua. Na Lua haviam crianças grandes e elas me receberam em ciranda, eu no meio, não conseguia entender o que estava acontecendo e aos poucos fui invadida pelo medo, pois enquanto as crianças rodavam e cantavam, eu flutuava e caía no chão com força o que me fez imaginar, nessa hora, que os buracos da lua tinham sido feitos dessa forma. Depois disso, fui aos poucos voltando para o paraíso que tinha avistado inicialmente, eu, nessa hora como puma, fui em direção da girafa e do elefante para atacá-los, pelo que entendi, mas logo atrás deles o rio que eu tinha visto primeiramente, estava pleno de sangue e caminhavam por ele gigantes de pedras. Nesse momento resolvi voltar e passei por todas as partes da caverna e ao sair dela, vi algo que não tinha visto antes: um gigantesco, enorme, casco de tartaruga. Fui em direção a esse casco e dentro dele tinham os ancestrais matriarcas e ao centro do círculo que elas estavam haviam um pote circular repleto de água, mas quando eu olhei para dentro parecia uma pequena parte do céu, repleto de estrelas, constelações e movimento. Nessa hora a matricarca falou-me sobre responsabilidades e, em um instante, estava consciente em meu corpo, acordada para essa realidade 3D.
Outra vivência realizada no Xamanismo foi a de 'se deixar cair'. Eu estava diante de um penhasco e estava com bastante receio do que poderia acontecer. Não é fácil para mim me libertar, me deixar livre, me sentir sem segurança. E que segurança eu tinha de me jogar diante de um penhasco? Nenhuma, evidentemente. Mas à ordem do Xamã eu me joguei e a queda parecia não ter fim. Mas conforme fui caindo, muitas imagens passaram em minha mente e a sensação palpável era que eu estava entrando em muitas camadas de mundos, mundos que não costumamos ver com olhos  humanos destreinados. Mas em uma hora em caí no mar, fiquei um pouco assustada, pois não sei nadar muito bem, na verdade não sei nadar, e apenas confiei que a minha segurança só dependia de mim mesma, pois não havia nada que eu pudesse fazer, não havia nada onde eu pudesse me agarrar. Confiei. Muitos animais aquáticos se aproximaram de mim e como eu não tenho meu animais de portais confirmados, resolvi perguntar 'algum de vocês é meu animal de portal?' e eis que esses animais se afastam e vem nadando um golfinho até mim. Sua Medicina é de pureza, alegria e amor incondicional e a energia dele desperta conexão maior com a natureza, além de nos fazer mergulhar nas profundezas de nosso ser e, também, auxilia em nossos processos terapêuticos. Foi uma grande benção recebê-lo como animal guardião, pois ele me mostrou o mais profundo de mim, a minha escuridão enquanto água, de forma leve, suave, amorosa e gentil.
Essas duas jornadas estão ainda tocando em meu coração, pois foram muitos presentes, mas também muitas mensagens. O que será que elas vieram me dizer? Que o Grande Mistério e a Grande Mãe possam me guiar em meu trilhar para eu poder entender ainda mais sobre a minha essência.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre Saberes Ancestrais (2)

‘Quem quer que esteja presente é a pessoa certa para estar aqui'.

'Seja quando for que começamos, é o tempo certo’.

‘O que acontece é a única coisa que poderia ter acontecido. 
Quando acaba, acaba'. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

'Tudo é como tem que ser'

O meu ser carrega uma força destruidora. Percebo essa energia quando qualquer pessoa que chega até mim acaba se destruindo, caindo todas as camadas de máscaras, conceitos, sentimentos e sensações. Tudo que era conhecido é destruído, conforme interage diariamente comigo. Não gosto de carregar essa força, não sei porque a tenho, mas a cada dia mais eu tenho a certeza de que tudo é como tem que ser. Por isso peço perdão a todos que destruí suas muralhas protetivas e aproveito para dizer que a melhor forma de ser forte é viver.

Se hoje as paredes desmoronam, é para dar lugar a construção de uma nova morada interior!


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Somos seres inacabados'

Segunda Feira, dia 14 de agosto, logo pela manhã a primeira disciplina é de Bioética: o entendimento de ser ético com todas nossas relações, com todos os seres com que interagimos. Somos seres inacabados, socialmente em formação e em constante transformação e crescimento.
Mas para crescermos é necessário interagir com o outro, sentir com o outro, sonhar com o outro. É esse contato com novas formas de pensamentos que nos permite avançar, modificar, sair de padrões antigos. Nessa hora me coloco em questionamento de quantas vezes já me transformei apenas com o interagir com uma única pessoa que me formou, me moldou, produziu parte do meu ser. E é lógico, essa mudança tão forte não foi apenas em mim, pois tudo é rede, tudo é  vibracional, tudo ressoa. 
'Somos seres inacabados', é a afirmação que mais escuto nessa manhã e ao invés de fazer anotações como uma aluna aplicada, estou aqui escrevendo sobre a única coisa que entendo nesse momento: não me sinto inacabada, sinto-me acabada, fragmentada, reprimida.  No entanto, é importante se expressar, é importante perceber que não estou só, afinal todo ser é social e uma hora, talvez amanhã, talvez daqui alguns anos, vou acordar e perceber que posso crescer com o relacionar com outras pessoas. E, eu espero, que a pessoa que até aqui me moldou como barro, também possa florir. E, também, que com suas teias de aranha que é símbolo de sua força possa tecer relações mais saudáveis. 'Somos seres inacabados' e isso, agora, me ressoa como uma força de esperança. Assim espero, pois é doloroso demais sentir-se no ponto final da viagem.

domingo, 13 de agosto de 2017

'Apenas começamos'

É domingo, dia dos pais, dia de teoricamente estar em família. É domingo, o dia da semana que sempre era possível ela e eu ficarmos na cama até mais tarde, juntas, sem culpa. É domingo e o silêncio, quem me faz maior companhia, me lembra que muitas casas hoje estão cheias e provavelmente a casa dela também esteja. Hoje é domingo, a minha família era ela, hoje é dia de solidão. 
Hoje está sendo aqueles dias de chorar sem parar e acho, inclusive, que até sou eu quem está influenciando o clima de chuva por aqui, pois quanto mais choro, mais chuva cai lá fora: São Pedro aproveitou o feriado e deixou o domínio da chuva para mim já que fui acusada de muitas coisas hoje e isso intensificou o meu chorar: mau caráter, egoísta, falsa, sugadora, manipuladora. Penso que talvez esses sejam mesmo aspectos que eu possua em minha sombra. Dessa forma, li essas palavras e aceitei, mas o que definitivamente não aceito, é ter alguém que acredite poder falar de forma tão leviana de uma relação tão profunda. Chorei mais. Mais chuva, mais tempo cinza, mais tormentas em meu ser.
Mas, depois do chorar, esse choro que está indo e vindo como ondas do mar, veio o vazio, o silêncio e a vontade de deixar em minha memória só o que realmente foi ela que disse, a flor do campo de meus dias, o novo mantra de 'apenas começamos'. E eu sei que isso é verdade. Claro, não posso vendar-me e ignorar todos os processos que nos fez chegarmos até esse ponto da jornada, mas sei - ou será ilusão? - que é possível ainda andarmos juntas com mais acolhimento, respeito, carinho e entendimento. 
Por isso decidi silenciar-me, decidi que a partir de agora minhas palavras não irão mais ferir, decidi que é possível enxergar no meio de toda essa escuridão, decidi que seguirei as tochas de Hécate e irei chegar ao fim da floresta mais forte, confiante, sábia e acolhedora.
É curioso, mas ela sempre reclamou que não tinha nada sobre ela aqui nesse blog 'e eu não sou importante na tua jornada?' e eu sempre dizia 'claro que é', mas hoje eu sei que ela me ensinou a lição mais difícil de aprender em minha jornada de vida: tudo, absolutamente tudo, é cíclico, assim como as fases da natureza, as 4 estações, o nascer e o morrer de uma flor.
Não gostaria de ter aprendido essa lição dessa forma, mas grandes mestres sempre dizem que ou aprendemos no amor ou na dor. Na minha vida, logo eu tão sonhadora e de sentires intensos, costumeiramente tenho aprendido na dor. Talvez porque para ser um aprendizado no amor, primeiramente, eu tenha que saber amar a mim e ao outro.

E eu vou aprender amar, porque é esse sentimento que faz a vida valer a pena ser vivida.

Laylah Cauac

sábado, 17 de junho de 2017

Im Pagan


'Dont need your churches
The worlds my sacred space'

Eu sou pagã e tenho orgulho disso, pois este caminho sagrado me proporcionou o contato com muitos irmãos terrenos e irmãos universais, me proporcionou o contato com deuses antigos, me proporcionou abrir portais de jamais imaginei poder abrir, me proporcionou tantas coisas que seria impossível descrevê-las mas, principalmente, ainda me proporciona o autoconhecimento a partir do contato e ação de minha Mãe Lilith em minha vida.
Lilith apresentou-se desde muito cedo em meu ser enquanto Franciele, sempre me orientou e lapidou, pois tudo o que sou hoje, as falhas e as conquistas, absolutamente tudo é reflexo de sua ação em meu ser: por vezes me ensinando no amor, por outras tantas pela dor. E de tantos ensinamentos e inspirações que Ela me demonstra, ainda estou tentando compreender aonde ela quer me levar a partir de uma jornada que iniciou em novembro de 2016.
Algumas pessoas sabem que eu participei de uma Tradição reconhecida de Bruxaria Contemporânea  em Porto Alegre. Hoje não sou mais membro dessa Tradição, visto que meu espírito é andarilho e me põe sempre a buscar mais e questionar sempre, o que me fez afastar. No entanto o carinho, respeito e admiração pelas Mestres que são os pilares da família T.I.T ainda se fazem presentes em meu coração e, desta forma, ainda frequento alguns rituais quando possível.
Nesta Tradição ocorrem sempre em maio e em novembro os Festivais de Lilith, visto que Lilith também é Mãe Existencial da Mestre Maior da T.I.T, minha irmã. Desta maneira, em novembro de 2016 participei de todos os dias do Festival - todos dias de muita cura, reconexão, autoconhecimento e entrega. E entre todos os dias, a noite em que consagramos a Medicina da Floresta, foi o que mais ressoa em mim ainda hoje: Lilith guiando uma menina com medo para o momento do próprio nascimento da Deusa. Em um instante estava eu dentro de um vulcão e a erupção, o calor, o vapor surgindo de dentro dele e subindo em direção ao cosmo. A única visão disso eram as estrelas e tudo parecia demasiadamente grande pela perspectiva de dentro do vulcão, e eu e a deusa pequenas diante de todo o Mistério. Nessa hora ela me fala, com aquela face linda, branca e enevoada, que até os deuses podem se sentir pequenos diante dos Mistérios, mas que sempre, sempre, temos a missão que nos cabe. A olhei, com o olhar de maior interrogação da vida, pois  como Lilith poderia se sentir pequena? Ela sorriu, eu sorri, e nesse momento fomos sopradas aos céus e, assim, dançamos com as estrelas e aterrissamos na Lua. 
Nessa mesma noite, uma outra revelação foi realizada: fui soprada por Lúcifer, o portador da luz. Luz, a iluminação que tantos buscam, mas que temem encontrar, pois quando vemos a situação claramente, quando nos vemos claramente, nos tornamos responsáveis, vemos nossas fragilidades, precisamos agir. Luz, luz que foi entregue à Humanidade e dela foi feita arma, a energia que era para aquecer nossos espíritos e iluminar nossas jornadas, foi utilizada para queimar a pele de outros irmãos. Tememos Lúcifer, mas verdadeiramente deveríamos temer a nós mesmos.  Lúcifer, o que trouxe a luz de volta ao meu coração.
Essa noite, essa jornada em novembro de 2016, mudou ainda mais meu contato com a energia sagrada que me rege e desde então tenho me visto sendo colocada em uma posição diferente em relação ao Sagrado e ao servir que devo às forças que me sopraram. Desde que retornei à Santa Catarina muitas pessoas dizem-me 'to te sentindo como uma mestre' ou 'me inicia nisso', 'me inicia naquilo', e eu sempre respondo 'não seja tol@, eu tenho tanto a vivenciar ainda' e logo troco de assunto. Mas o fato é que esse chamado está cada vez mais presente em minha vida e novas portas tem se aberto.
Certa noite, em uma projeção astral, encontrei uma mestra que me colocou em xeque: 'você se compromete em ser uma representante do sagrado?' e eu prontamente disse que 'sim'. Bem, esse 'sim' tem mudado minha vida. De tudo o que ocorreu depois desse sim, devo expressar aqui dois ritos realizados que marcaram minha jornada: o primeiro estava realizando um ritual particular para uma querida irmã. Este rito era baseado em aspectos delicados de seu mapa natal e ao chegarmos nos pontos relacionados com o elemento água, a Deusa invadiu meu corpo. Isso nunca havia ocorrido comigo em um ritual, apenas em outros momentos mais particulares, e percebi que ela fez de meu corpo seu veículo. Realmente foi um momento especial, pois ela falou com minha irmã, orientou-a e limpou suas feridas.
E o outro rito é, novamente, em uma Jornada de Lilith. Desta vez realizada por mim, a Primeira Jornada Terapêutica com Lilith, realizada em SC na Unisul em maio deste ano. Essa jornada surgiu de um inspirar da Deusa, em um instante ela falou em meu ouvido, em outro já estava toda programação completa. Foram 3 dias para honrarmos o nosso templo e, assim, no primeiro dia, desconstruímos padrões impostos pela sociedade, no segundo honramos nossa fases sagradas - virgem, mãe, anciã e feiticeira - e no terceiro dia nos consagramos. Mas essa consagração ocorreu pela própria Deusa Lilith. Imaginem a minha surpresa, honra e gratidão, quando em meio ao ritual a Mãe chega e me pede para levar as meninas até a Lua. A primeira reação foi de 'não sou capaz disso', eis que ela insiste e eu nego novamente, ela insiste mais uma vez e diz 'confia'. Confiei. Foi uma experiência extraordinária. As meninas que conseguiram ir, todas trouxeram relatos semelhantes e eu, menina-mulher que sou, me vi em estado de êxtase: a Mãe abriu mais essa porta para mim e abriu, dessa vez escancarado, a possibilidade de eu reconhecer filhas de outros deuses. Ela já tinha feito eu falar sobre as mães de sopro de outras meninas, como a Filha de Morrigan que é um amor em minha vida, ou a irmã que conheci aqui em Palhoça em 2015. Mas ela fez, nesse ritual, reconhecer outras deusas, outras forças e, mais uma vez, uma nova irmã de sopro. Uma irmã que está muito presente em minha vida, uma irmã que ao olhá-la vejo parte de mim, uma irmã que me encanta por seu espírito.
Assim, essa semana, encontrei pela a internet um vídeo que falava sobre os graus iniciáticos de determinada tradição. Neste vídeo falava de todos os graus etc para determinar os seus membros, mas o que chamou atenção é o fato de o grau de Mestre era determinado a partir da ação do pagão em relação à comunidade, além de ser um veículo não só de sua deusa ou deus existencial, mas conseguir contatar os deuses de seus irmãos. Nessa hora um fio de consciência sem estar impregnado de falsa modéstia me veio à mente: e se, de alguma maneira, chegou o momento de eu compartilhar o pouco que sei? E se, de algum modo o pouco que sei pode auxiliar outras irmãs? E se, está na hora de o Círculo Feminino Guardiãs da Mãe Terra se tornar um Coven ou Tradição?
Mãe, se estiver na hora, me guie nesse servir, pois se eu tinha medo de não dar conta de certas energias, nas últimas 3 noites o teste que me proporcionou confirmou que sim, eu consigo. Gratidão, Mãe, Pai, pela Luz e sombra que vocês me permitem acessar.


Laylah Cauac