Tudo começou através de um post em um blog em que eu escrevia há quase 7 anos atrás e, acredito, essa é a maneira que encontrei para encerrar esse ciclo: escrevendo novamente. É 2h da madrugada e meus olhos estão tão inchados que nem sei como estou conseguindo digitar, mas o fato é que o sono não vem, o fato é que eu não consigo aceitar a ausência que essa cama imensa me recorda todas as noites, o fato é que ou eu expresso de alguma maneira, ou eu enlouqueço.
Todas as noites é a mesma coisa, pois por mais que para as amigas eu costuma dizer 'estou superando', 'estou na fase x do luto', 'estou esquecendo', no final do dia quem eu queria abraçar, dormir de conchinha, ficar horas conversando era com ela. Mas Fran, tudo é fase, tudo é cíclico, tudo tem um propósito. Eu sei, eu sei de tudo isso, mas de verdade eu não entendo, não consigo aceitar em meu coração e, por isso, hoje a dor que estou encarando é ainda maior.
Eu preciso dizer que eu entendo, plenamente, minha responsabilidade de as coisas terem chegado a este nível: sempre fui muito insegura, ciumenta e possessiva, além disso recordo de coisas que não eram necessárias recordar, o que me fez envolver emocionalmente e karmicamente com algumas pessoas nessa existência. Eu sei que errei muito, eu sei.
Mas acima de tudo, preciso dizer que desde antes de virmos morar aqui em SC algo me dizia que seria o fim e isso me enlouquecia, pois como seria o fim se estávamos tão perto de realizar um grande início de uma vida juntas? Mas eu não escutei a minha intuição e dessa forma precisei ser avisada de outra maneira, pela tia dela 'melhor ela não ir, pois se for é capaz de não se adaptarem e ser um rompimento de vez'. Eu escutei? Claro que não, eu neguei qualquer sinal de que pudesse ser um momento de transformação de ciclo, pois como aceitar isso?
Mas viemos e tivemos um início tão bonito que costumávamos dizer 'é tudo tão perfeito que a Fran precisou machucar o braço pra fazermos uma média', e era isso mesmo que ela e eu pensávamos - estava perfeito, tudo escolhido da forma como imaginávamos há anos, tudo com nosso toque, nosso amor. O que eu mais poderia desejar? Minha companheira, nosso lar e eu preste a voltar a iniciar um sonho particular. Não estava faltando nada.
Mas eu comecei a estudar e a meu tempo em casa começou a diminuir e claro que - entendo plenamente - isso a desestabilizou, afinal eu era a única referência dela nesse lugar. Mas essa instabilidade fez com que, de uma certa forma, existisse uma competição de quem fez mais na universidade, além de ter um total desinteresse pelo que eu trazia diariamente para compartilhar.
Eu me senti tão mal, tão pequena, tão desinteressante! Foi horrível, pois aos poucos sentia que não tinha ninguém em casa, me sentia sozinha no próprio lar que construímos juntas e, as brigas se tornaram frequentes. Brigamos tanto, tanto e a isso fazia minha companheira adoecer ainda mais.
Teve um dia que eu senti que era eu o grande problema da vida dela, só podia ser eu. Afinal foi eu que fiz com que ela viesse, foi eu quem não foi forte pra dar suporte para as crises dela, foi eu que era desinteressante. Nesse dia, eu pensei em me machucar e peguei uma faca para isso. Depois disso teve outros tantos dias seguidos que pensei em fazer besteira, até que um dia eu fiz, depois que ela já havia ido embora e por sorte não ocorreu nada.
Ela foi embora por nós, assim sem aspas, pois entendo a verdade disso. Mas assim como ser sincera não evita a dor, ir por nós não me deixa parar de pensar que fui abandonada, porque foi essa a sensação que me corroeu diariamente, todos os dias. Tudo aqui era ela -e ainda é, mesmo o AP estando 'diferente' - e a única companhia era a grande fumaça de energia densa e negra que a cada dia crescia e tomava todos os cômodos. Eu pedi tanto pra que ela voltasse, tanto. Não pra cá, mas pra mim, pra minha vida, mas isso não ocorreu. Tomei remédios e, por sorte, o único efeito foi dores de cabeça, uma moleza no corpo e uma total não presença. Não morri.
Depois disso, tudo ficou mais confuso. Porque era a solidão e descaso x atenção de outra pessoa, era silêncio x palavras de acolhimento, era o não x o sim. Comecei a sentir algo, mas ao passo que sentia algo diferente, também sentia raiva: porque ela tá me deixando perder? Porque ela não faz nada?
Fui pra Porto Alegre decidida, eu precisava terminar! Porque era insustentável ficar com a companhia da falta constantemente, ou me queria e mostrava, ou não era mais possível. Mas eu, por mais machucada que esteja, ainda sou aquela boba que a ama e depois de tantas e tantas coisas ditas, dores, choros e perdões, voltei com a mente de que sim, a gente poderia ficar juntas, em algum momento.
Mas acontece que isso tem sido uma ilusão, pois enquanto não me permito viver, muitas outras histórias já estão sendo tecidas. Está sendo tecido um futuro diferente e eu soube disso hoje, depois de tanto tempo, e de uma forma bem cruel. Dai penso, a distância tem sido a solução? Obviamente não, mas pelos Deuses, que eu tenha o mínimo de autoamor e agora eu mantenha a distância, porque essa situação é cruel demais para aceitar.
Tudo é cíclico, é. E isso é a realidade da vida, preciso parar de sonhar.










