domingo, 8 de outubro de 2017

Diário Aromático (3)

A Aromaterapia nunca tinha despertado realmente meu interesse, pois por mais que eu já tenha lido vários artigos e livros sobre o poder dos aromas, ainda assim minha pré-concepção me dizia ‘são só cheiros’. E de fato são cheiros milagrosos, terapêuticos e 100% eficazes – comprovado cientificamente! Mas eu só descobri isso a partir das aulas de Aromaterapia que são ministradas na Unisul e, como sabem, a cada semana interagimos intimamente com um Óleo Essencial (O.E) específico, pois assim além de estudarmos sobre as características do O.E, também experimentamos seus efeitos em nós. O fato é que os aromas inalados nas últimas semanas mexeram muito comigo e por esse motivo, vou tentar recuperar o tempo perdido e falar de três óleos de uma vez: Patchouli, Cipestre e Manjerona.
Bem, eu estava em tratamento com Gerânio e com a chegada da Primavera eu soube, dentro de mim, o quanto eu precisava me sentir amada, o quanto eu precisava sentir amor. Pois eu, como boa pisciana, sem amor é como peixe sem mar, morro em desespero e asfixia. E acho que é exatamente assim que estava me sentindo e ainda me sinto: desesperada e asfixiada, pedindo desesperadamente que alguém me águe, que o meu amor retorne. Mas esse amor não me aguando, me deixando assim seca, se eu não me permitir receber o oceano de emoções de outro alguém é possível que ao voltar, se voltar – porque já desacredito nisso – me encontre morta. Isso foi o que o Gerânio me fez acessar, mas logo depois, veio o Pachouli ...

Patchouli – O descobrir dos próprios limites
Aspectos sutis: Óleo do Amadurecimento | Transição do jovem para o adulto | Auxilia na conscientização dos próprios limites | Traz consciência corporal | Atua nas emoções profundas ligadas as intenções sexuais| Tolerância X Irritabilidade | Ancora e estabiliza a mente nervosa e preocupada.

Percepções pessoais: Eu tive uma companheira por quase 7 anos e ainda é muito difícil pra mim dizer ‘tive’, porque dentro de mim ela vive, ela habita. Mas companheira, como ela mesma me explicou, significa compartilhar o pão, a vida, as histórias e, infelizmente, isso já faz um bom tempo que não fazemos. E, bem, foi com essa percepção, somada ao desejo de se sentir amada novamente, que eu disse ‘chega’. A cada mês que passa eu me sinto gestando uma mentira, uma ilusão que só cresce, além dos sentimentos de solidão e sofrimento que são meus piores demônios. A cada mês que passa e que eu não tenho nenhuma, NENHUMA orientação de sim ou de não, me sinto mais louca. Porque ela foi, mas as roupas ainda estão no lar que criamos juntas, toda a decoração lembra ela e tudo o que pensamos/planejamos, o nosso quarto ainda tem o cartaz de que me ama em todas as línguas. Isso é uma tortura diária, mas mesmo assim, no meu desejo, no meu sonho, quando ela voltasse estaria exatamente como ela deixou, ela retornaria ao lar que criamos juntas. Mas não, a cada dia que passa me sinto suspensa, me sinto perdida, me sinto absurdamente mal. Daí eu mandei, no ápice da ação do Patchouli, uma mensagem dizendo que eu não aguentava mais, que estava me sentindo mal, tava me sentindo injusta comigo mesma não me deixando me abrir pro novo. E porquê? Porque eu projetei que em algum dia ela retornaria, mas sinceramente, olhando nosso histórico com uma frieza, quase nunca isso ocorreu, nem no ponto mais alto da paixão, porque ela faria isso agora?  Reconheci o meu limite, porque eu realmente não consigo mais ficar nessa situação – e deuses, preciso inalar Patchouli diariamente, pra ter firmeza diante dessa constatação, porque eu sinto que se ela dissesse ‘sim’ eu diria ‘vem/vou’.

Cipreste – O permitir morrer

Aspectos sutis: Óleo Consolador – fortalece nos momentos de ruptura | Símbolo da Morte e Renascimento | Trabalha o Medo de morrer | Trabalha todos os tipos de perdas, luto e morte | Luto em vida; dificuldade de dizer adeus, corte de relacionamentos: deixar ir, enterrar | Auxilia na transição | Vida X Morte.

Percepções pessoais: NUNCA INALE CIPRESTE QUANDO ESTIVER TENDENDO À DEPRESSÃO, sério. A confusão mental e emocional que tem me feito companhia diariamente não reagiu bem com esse O.E, pois ao contrário de saber lidar com as perdas, mais eu me desesperava diante delas, por mais que ele fale de vida, eu estava flertando com a morte. E, sinceramente, não falo da morte simbólica. Eu realmente surtei e foi instantâneo, pois no mesmo dia que tive contato com esse Óleo eu pensei em mil formas de fazer uma bobagem, eu fiquei completamente fora de mim e por mais que agora eu esteja um pouco melhor, pois corri para os braços da mãe e da irmã, ainda me sinto um pouco fora do eixo, me sinto com medo da morte e ao mesmo tempo querendo encontrá-la – em todos os níveis que isso possa significar.

Manjerona – O trabalhar das carências

Aspectos Sutis: Óleo da aceitação | Trabalha a carência | Atenua a tristeza pela perda ou separação; traz alegria para o coração partido | Auxilia na transformação do luto e das perdas | A dor não é expressa nem por lagrimas, palavras, mas enclausura o sofrimento, enrijece as lagrimas, petrifica e cristaliza | Trabalha a necessidade de reconhecimento e aprovação | Encapsulado X Compulsivo | Erva do desconforto e emoções distorcidas, gerando frieza e debilidades físicas | Auxilia as pessoas que tem a tendência a tristeza e a indolência, morosidade, apatia, insensibilidade |Acalma o esquentado por dentro, ardente e inflamado – perfil causadores de conflitos, bélico, apaixonado | Estabelece a confiança nos relacionamentos afetivos e sociais | Pessoas que estão sempre suspirando | Para aquelas pessoas que enterram os sentimentos em vida (sublima) | Tristeza e dor no coração, desgosto, sentimento de privação real ou imaginaria, refugia‐se evitando o afeto e o calor – tende a ser só, desamparada | Para aquelas pessoas que dizem ser uma rocha.

Percepções pessoais: Evidentemente, depois de tantas coisas sentidas, eu preciso de algo que me firme. E a manjerona se apresenta nesse momento e é com ela que estou fazendo meu processo de tratamento aromático. Sinceramente, ainda não senti todas essas possíveis transformações que esse óleo ocasiona, no entanto me sinto em Off, meio desligada, não sentindo tanto. Bem, só o fato de eu não estar com pensamentos suicidas já representa uma grande melhora, mas eu de verdade gostaria que tivesse sido tão imediato os efeitos como os outros, como eu gostaria de ter diminuído minha tristeza e curado o coração ferido. Mas não, ainda não, afinal não dá pra pular etapas do luto, só dá pra tornar mais suportável ultrapassá-las. Eu hoje estou em Porto Alegre, vim pelo colo da mãe e irmã, mas confesso que uma parte minha desejava ganhar outro colo também. Mas, embora eu esteja escrevendo todas essas palavras com um choro preso – sublimado – por dentro, me vejo mais tranquila com o que acabou. Afinal, companheira é dividir o pão, e já não estou dividindo nada, nem as lágrimas. É um pouco cruel imaginar que, a pessoa que eu mais amo, mesmo sabendo dos processos que estou passando, me evita, me finda em seu coração. Ta na hora, eu sei que tá na hora, de eu fazer isso também.

Sem dor, só com a gratidão de tudo o que foi vivenciado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário