sábado, 4 de novembro de 2017

Jornadas Xamânica (4)

A última Jornada Xamânica foi estranha, justamente porque não estava entregue no momento da vivência, além de estar intimamente mal devido à sensação de não ter tido voz. Na hora de apresentar os objetos de poder, que foi momentos antes da jornada, a minha Sacola de Poder foi definida como  pelo docente como 'sem minha energia'. Isso ocorreu pelo fato do tecido que eu escolhi para ela foi um algodão cru e, teoricamente, por ser um tecido feito por máquina e por eu não ter tecido minha própria sacola, ela deixaria de ter minha energia, não me representava. Na hora, eu não questionei, mas minutos após fui sendo invadida de grande tristeza, raiva e sensação de ser calada. Porque, ok, eu não teci o tecido, mas por acaso o cordão de algodão cru  das outras sacolas foi criado por cada um dos colegas? Claro que não, o que faz com que as outras sacolas tenham a energia da própria pessoa foi a intenção do tecer, assim como que faz com que a minha sacola tenha a minha energia, me represente plenamente, é o meu sangue menstrual que a tingiu em um rito de entrega e conexão com a Lua. Além disso, cada um dos objetos dentro da sacola são forças que me acompanham há anos, forças que me relaciono não devido à uma disciplina, mas sim porque é uma escolha  e posicionamento de vida que sigo desde que a Grande Mãe Gaia me tocou com sua sabedoria. A minha sacola TEM minha energia.
Mas eu, Mimulus e Funcho que sou, tive grande dificuldade de expressar esses meus pensamentos em palavras e achei que em algum momento essa sensação iria passar, pois eu deveria respeitar a nota 3,5 que recebi pela minha sacola - nota essa que faz com que minha média semestral abaixe muito, perigando pegar final e eu tenho uma autocobrança absurda e, é claro, que isso fez eu surtar internamente - e a orientação de que eu deveria fazer uma outra sacola para vida. Mas, falando em respeito, não expressar isso é me desrespeitar.
Bem, evidentemente eu não falei na hora, mas hoje em partes me expresso por aqui, porque não posso ficar com isso trancado em minha garganta. E nessa outra forma de expressar que encontrei, aproveito para dizer que não há NADA que tenha mais minha energia do que meu fluxo de sangue, meu poder escarlate que verte para à terra a cada ciclo e que me liga aos saberes ancestrais da tenda vermelha. 
Sei que isso sendo expresso dessa forma, pode parecer estranho, mas é algo que me magoou: em partes pelo o que foi dito, mas principalmente por ter me calado. Porque é tão difícil eu ter voz? Porque fiquei tantos dias com isso comigo? Porque é tão difícil me libertar? De forma alguma quero que isso seja compreendido como desrespeito, mas é a forma que encontrei, nessas linhas repletas de fluxos da consciência, de mostrar minha verdade. Bem, dito isso, voltando para a vivência: eu não estava bem e muito menos entregue, pois estava mal e a proposta era de interagir com os elementos.
Duas forças elementais entraram em contato comigo na jornada: a terra e a água. A terra me sufocou, me vi enterrada. Mas isso de forma alguma me causou medo, pois já vivi isso em carne, e sei o quanto é honroso se entregar para a terra, como uma forma de retornar ao Útero da Mãe e renascer. Porém, de forma súbita me encontrei no mar e estava afogando o que me fez desesperar. Inclusive retornei ao corpo físico afogando em minha própria saliva.
Seria uma representação de afogar naquilo que não consegui engolir?

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