É domingo, dia dos pais, dia de teoricamente estar em família. É domingo, o dia da semana que sempre era possível ela e eu ficarmos na cama até mais tarde, juntas, sem culpa. É domingo e o silêncio, quem me faz maior companhia, me lembra que muitas casas hoje estão cheias e provavelmente a casa dela também esteja. Hoje é domingo, a minha família era ela, hoje é dia de solidão.
Hoje está sendo aqueles dias de chorar sem parar e acho, inclusive, que até sou eu quem está influenciando o clima de chuva por aqui, pois quanto mais choro, mais chuva cai lá fora: São Pedro aproveitou o feriado e deixou o domínio da chuva para mim já que fui acusada de muitas coisas hoje e isso intensificou o meu chorar: mau caráter, egoísta, falsa, sugadora, manipuladora. Penso que talvez esses sejam mesmo aspectos que eu possua em minha sombra. Dessa forma, li essas palavras e aceitei, mas o que definitivamente não aceito, é ter alguém que acredite poder falar de forma tão leviana de uma relação tão profunda. Chorei mais. Mais chuva, mais tempo cinza, mais tormentas em meu ser.
Mas, depois do chorar, esse choro que está indo e vindo como ondas do mar, veio o vazio, o silêncio e a vontade de deixar em minha memória só o que realmente foi ela que disse, a flor do campo de meus dias, o novo mantra de 'apenas começamos'. E eu sei que isso é verdade. Claro, não posso vendar-me e ignorar todos os processos que nos fez chegarmos até esse ponto da jornada, mas sei - ou será ilusão? - que é possível ainda andarmos juntas com mais acolhimento, respeito, carinho e entendimento.
Por isso decidi silenciar-me, decidi que a partir de agora minhas palavras não irão mais ferir, decidi que é possível enxergar no meio de toda essa escuridão, decidi que seguirei as tochas de Hécate e irei chegar ao fim da floresta mais forte, confiante, sábia e acolhedora.
É curioso, mas ela sempre reclamou que não tinha nada sobre ela aqui nesse blog 'e eu não sou importante na tua jornada?' e eu sempre dizia 'claro que é', mas hoje eu sei que ela me ensinou a lição mais difícil de aprender em minha jornada de vida: tudo, absolutamente tudo, é cíclico, assim como as fases da natureza, as 4 estações, o nascer e o morrer de uma flor.
Não gostaria de ter aprendido essa lição dessa forma, mas grandes mestres sempre dizem que ou aprendemos no amor ou na dor. Na minha vida, logo eu tão sonhadora e de sentires intensos, costumeiramente tenho aprendido na dor. Talvez porque para ser um aprendizado no amor, primeiramente, eu tenha que saber amar a mim e ao outro.
E eu vou aprender amar, porque é esse sentimento que faz a vida valer a pena ser vivida.
Laylah Cauac
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