quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre Saberes Ancestrais (2)

‘Quem quer que esteja presente é a pessoa certa para estar aqui'.

'Seja quando for que começamos, é o tempo certo’.

‘O que acontece é a única coisa que poderia ter acontecido. 
Quando acaba, acaba'. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

'Tudo é como tem que ser'

O meu ser carrega uma força destruidora. Percebo essa energia quando qualquer pessoa que chega até mim acaba se destruindo, caindo todas as camadas de máscaras, conceitos, sentimentos e sensações. Tudo que era conhecido é destruído, conforme interage diariamente comigo. Não gosto de carregar essa força, não sei porque a tenho, mas a cada dia mais eu tenho a certeza de que tudo é como tem que ser. Por isso peço perdão a todos que destruí suas muralhas protetivas e aproveito para dizer que a melhor forma de ser forte é viver.

Se hoje as paredes desmoronam, é para dar lugar a construção de uma nova morada interior!


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Somos seres inacabados'

Segunda Feira, dia 14 de agosto, logo pela manhã a primeira disciplina é de Bioética: o entendimento de ser ético com todas nossas relações, com todos os seres com que interagimos. Somos seres inacabados, socialmente em formação e em constante transformação e crescimento.
Mas para crescermos é necessário interagir com o outro, sentir com o outro, sonhar com o outro. É esse contato com novas formas de pensamentos que nos permite avançar, modificar, sair de padrões antigos. Nessa hora me coloco em questionamento de quantas vezes já me transformei apenas com o interagir com uma única pessoa que me formou, me moldou, produziu parte do meu ser. E é lógico, essa mudança tão forte não foi apenas em mim, pois tudo é rede, tudo é  vibracional, tudo ressoa. 
'Somos seres inacabados', é a afirmação que mais escuto nessa manhã e ao invés de fazer anotações como uma aluna aplicada, estou aqui escrevendo sobre a única coisa que entendo nesse momento: não me sinto inacabada, sinto-me acabada, fragmentada, reprimida.  No entanto, é importante se expressar, é importante perceber que não estou só, afinal todo ser é social e uma hora, talvez amanhã, talvez daqui alguns anos, vou acordar e perceber que posso crescer com o relacionar com outras pessoas. E, eu espero, que a pessoa que até aqui me moldou como barro, também possa florir. E, também, que com suas teias de aranha que é símbolo de sua força possa tecer relações mais saudáveis. 'Somos seres inacabados' e isso, agora, me ressoa como uma força de esperança. Assim espero, pois é doloroso demais sentir-se no ponto final da viagem.

domingo, 13 de agosto de 2017

'Apenas começamos'

É domingo, dia dos pais, dia de teoricamente estar em família. É domingo, o dia da semana que sempre era possível ela e eu ficarmos na cama até mais tarde, juntas, sem culpa. É domingo e o silêncio, quem me faz maior companhia, me lembra que muitas casas hoje estão cheias e provavelmente a casa dela também esteja. Hoje é domingo, a minha família era ela, hoje é dia de solidão. 
Hoje está sendo aqueles dias de chorar sem parar e acho, inclusive, que até sou eu quem está influenciando o clima de chuva por aqui, pois quanto mais choro, mais chuva cai lá fora: São Pedro aproveitou o feriado e deixou o domínio da chuva para mim já que fui acusada de muitas coisas hoje e isso intensificou o meu chorar: mau caráter, egoísta, falsa, sugadora, manipuladora. Penso que talvez esses sejam mesmo aspectos que eu possua em minha sombra. Dessa forma, li essas palavras e aceitei, mas o que definitivamente não aceito, é ter alguém que acredite poder falar de forma tão leviana de uma relação tão profunda. Chorei mais. Mais chuva, mais tempo cinza, mais tormentas em meu ser.
Mas, depois do chorar, esse choro que está indo e vindo como ondas do mar, veio o vazio, o silêncio e a vontade de deixar em minha memória só o que realmente foi ela que disse, a flor do campo de meus dias, o novo mantra de 'apenas começamos'. E eu sei que isso é verdade. Claro, não posso vendar-me e ignorar todos os processos que nos fez chegarmos até esse ponto da jornada, mas sei - ou será ilusão? - que é possível ainda andarmos juntas com mais acolhimento, respeito, carinho e entendimento. 
Por isso decidi silenciar-me, decidi que a partir de agora minhas palavras não irão mais ferir, decidi que é possível enxergar no meio de toda essa escuridão, decidi que seguirei as tochas de Hécate e irei chegar ao fim da floresta mais forte, confiante, sábia e acolhedora.
É curioso, mas ela sempre reclamou que não tinha nada sobre ela aqui nesse blog 'e eu não sou importante na tua jornada?' e eu sempre dizia 'claro que é', mas hoje eu sei que ela me ensinou a lição mais difícil de aprender em minha jornada de vida: tudo, absolutamente tudo, é cíclico, assim como as fases da natureza, as 4 estações, o nascer e o morrer de uma flor.
Não gostaria de ter aprendido essa lição dessa forma, mas grandes mestres sempre dizem que ou aprendemos no amor ou na dor. Na minha vida, logo eu tão sonhadora e de sentires intensos, costumeiramente tenho aprendido na dor. Talvez porque para ser um aprendizado no amor, primeiramente, eu tenha que saber amar a mim e ao outro.

E eu vou aprender amar, porque é esse sentimento que faz a vida valer a pena ser vivida.

Laylah Cauac

sábado, 17 de junho de 2017

Im Pagan


'Dont need your churches
The worlds my sacred space'

Eu sou pagã e tenho orgulho disso, pois este caminho sagrado me proporcionou o contato com muitos irmãos terrenos e irmãos universais, me proporcionou o contato com deuses antigos, me proporcionou abrir portais de jamais imaginei poder abrir, me proporcionou tantas coisas que seria impossível descrevê-las mas, principalmente, ainda me proporciona o autoconhecimento a partir do contato e ação de minha Mãe Lilith em minha vida.
Lilith apresentou-se desde muito cedo em meu ser enquanto Franciele, sempre me orientou e lapidou, pois tudo o que sou hoje, as falhas e as conquistas, absolutamente tudo é reflexo de sua ação em meu ser: por vezes me ensinando no amor, por outras tantas pela dor. E de tantos ensinamentos e inspirações que Ela me demonstra, ainda estou tentando compreender aonde ela quer me levar a partir de uma jornada que iniciou em novembro de 2016.
Algumas pessoas sabem que eu participei de uma Tradição reconhecida de Bruxaria Contemporânea  em Porto Alegre. Hoje não sou mais membro dessa Tradição, visto que meu espírito é andarilho e me põe sempre a buscar mais e questionar sempre, o que me fez afastar. No entanto o carinho, respeito e admiração pelas Mestres que são os pilares da família T.I.T ainda se fazem presentes em meu coração e, desta forma, ainda frequento alguns rituais quando possível.
Nesta Tradição ocorrem sempre em maio e em novembro os Festivais de Lilith, visto que Lilith também é Mãe Existencial da Mestre Maior da T.I.T, minha irmã. Desta maneira, em novembro de 2016 participei de todos os dias do Festival - todos dias de muita cura, reconexão, autoconhecimento e entrega. E entre todos os dias, a noite em que consagramos a Medicina da Floresta, foi o que mais ressoa em mim ainda hoje: Lilith guiando uma menina com medo para o momento do próprio nascimento da Deusa. Em um instante estava eu dentro de um vulcão e a erupção, o calor, o vapor surgindo de dentro dele e subindo em direção ao cosmo. A única visão disso eram as estrelas e tudo parecia demasiadamente grande pela perspectiva de dentro do vulcão, e eu e a deusa pequenas diante de todo o Mistério. Nessa hora ela me fala, com aquela face linda, branca e enevoada, que até os deuses podem se sentir pequenos diante dos Mistérios, mas que sempre, sempre, temos a missão que nos cabe. A olhei, com o olhar de maior interrogação da vida, pois  como Lilith poderia se sentir pequena? Ela sorriu, eu sorri, e nesse momento fomos sopradas aos céus e, assim, dançamos com as estrelas e aterrissamos na Lua. 
Nessa mesma noite, uma outra revelação foi realizada: fui soprada por Lúcifer, o portador da luz. Luz, a iluminação que tantos buscam, mas que temem encontrar, pois quando vemos a situação claramente, quando nos vemos claramente, nos tornamos responsáveis, vemos nossas fragilidades, precisamos agir. Luz, luz que foi entregue à Humanidade e dela foi feita arma, a energia que era para aquecer nossos espíritos e iluminar nossas jornadas, foi utilizada para queimar a pele de outros irmãos. Tememos Lúcifer, mas verdadeiramente deveríamos temer a nós mesmos.  Lúcifer, o que trouxe a luz de volta ao meu coração.
Essa noite, essa jornada em novembro de 2016, mudou ainda mais meu contato com a energia sagrada que me rege e desde então tenho me visto sendo colocada em uma posição diferente em relação ao Sagrado e ao servir que devo às forças que me sopraram. Desde que retornei à Santa Catarina muitas pessoas dizem-me 'to te sentindo como uma mestre' ou 'me inicia nisso', 'me inicia naquilo', e eu sempre respondo 'não seja tol@, eu tenho tanto a vivenciar ainda' e logo troco de assunto. Mas o fato é que esse chamado está cada vez mais presente em minha vida e novas portas tem se aberto.
Certa noite, em uma projeção astral, encontrei uma mestra que me colocou em xeque: 'você se compromete em ser uma representante do sagrado?' e eu prontamente disse que 'sim'. Bem, esse 'sim' tem mudado minha vida. De tudo o que ocorreu depois desse sim, devo expressar aqui dois ritos realizados que marcaram minha jornada: o primeiro estava realizando um ritual particular para uma querida irmã. Este rito era baseado em aspectos delicados de seu mapa natal e ao chegarmos nos pontos relacionados com o elemento água, a Deusa invadiu meu corpo. Isso nunca havia ocorrido comigo em um ritual, apenas em outros momentos mais particulares, e percebi que ela fez de meu corpo seu veículo. Realmente foi um momento especial, pois ela falou com minha irmã, orientou-a e limpou suas feridas.
E o outro rito é, novamente, em uma Jornada de Lilith. Desta vez realizada por mim, a Primeira Jornada Terapêutica com Lilith, realizada em SC na Unisul em maio deste ano. Essa jornada surgiu de um inspirar da Deusa, em um instante ela falou em meu ouvido, em outro já estava toda programação completa. Foram 3 dias para honrarmos o nosso templo e, assim, no primeiro dia, desconstruímos padrões impostos pela sociedade, no segundo honramos nossa fases sagradas - virgem, mãe, anciã e feiticeira - e no terceiro dia nos consagramos. Mas essa consagração ocorreu pela própria Deusa Lilith. Imaginem a minha surpresa, honra e gratidão, quando em meio ao ritual a Mãe chega e me pede para levar as meninas até a Lua. A primeira reação foi de 'não sou capaz disso', eis que ela insiste e eu nego novamente, ela insiste mais uma vez e diz 'confia'. Confiei. Foi uma experiência extraordinária. As meninas que conseguiram ir, todas trouxeram relatos semelhantes e eu, menina-mulher que sou, me vi em estado de êxtase: a Mãe abriu mais essa porta para mim e abriu, dessa vez escancarado, a possibilidade de eu reconhecer filhas de outros deuses. Ela já tinha feito eu falar sobre as mães de sopro de outras meninas, como a Filha de Morrigan que é um amor em minha vida, ou a irmã que conheci aqui em Palhoça em 2015. Mas ela fez, nesse ritual, reconhecer outras deusas, outras forças e, mais uma vez, uma nova irmã de sopro. Uma irmã que está muito presente em minha vida, uma irmã que ao olhá-la vejo parte de mim, uma irmã que me encanta por seu espírito.
Assim, essa semana, encontrei pela a internet um vídeo que falava sobre os graus iniciáticos de determinada tradição. Neste vídeo falava de todos os graus etc para determinar os seus membros, mas o que chamou atenção é o fato de o grau de Mestre era determinado a partir da ação do pagão em relação à comunidade, além de ser um veículo não só de sua deusa ou deus existencial, mas conseguir contatar os deuses de seus irmãos. Nessa hora um fio de consciência sem estar impregnado de falsa modéstia me veio à mente: e se, de alguma maneira, chegou o momento de eu compartilhar o pouco que sei? E se, de algum modo o pouco que sei pode auxiliar outras irmãs? E se, está na hora de o Círculo Feminino Guardiãs da Mãe Terra se tornar um Coven ou Tradição?
Mãe, se estiver na hora, me guie nesse servir, pois se eu tinha medo de não dar conta de certas energias, nas últimas 3 noites o teste que me proporcionou confirmou que sim, eu consigo. Gratidão, Mãe, Pai, pela Luz e sombra que vocês me permitem acessar.


Laylah Cauac

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A Roda: Transição 2016-2017

Nas Redes Sociais e em conversas descompromissadas observo que muitas pessoas estão ansiosas para que ocorra logo o término do ano de 2016. Isto porque este ano 9 foi transformador, mas a transformação ocasionada por ele não foi de forma branda, suave, tranquila e estão sendo 365 dias de muitos desafios, provações e quedas tanto no âmbito pessoal, quanto no coletivo.
E é justamente no coletivo que estamos percebendo as maiores transformações: direitos sociais desrespeitados, sexismo e homofobia intensificados, milhares de desempregados, catástrofes climáticas que prejudicaram muitas famílias, epidemias de doenças pouco conhecidas, suicídios coletivos, guerras, imigrantes  que são impossibilitados de migrar, Trump, Temer, PEC, colapso, entre outras questões que me fez questionar, diversas vezes, se na Jornada do Herói pulamos alguns Arcanos e paramos logo na Torre (carta 16 no Tarô de Marselha).
Mas 2016 veio com a promessa do Arcano 9 (2+0+1+6) o que representa a sabedoria de reflexão do Eremita e, também, trazia a compreensão dos fins de ciclos, visto que na numerologia o 9 é o término para, assim, haver um novo início na eterna espiral. Desta forma, 2016 nos trouxe a capacidade de aprendizagem a partir da observação de perdas, de mudanças, da compreensão do todo. E iluminados pela força solar - este ano que está findando foi regido pelo Sol - fomos capazes de observar para além de nossas próprias vidas, pois foi colocado um holofote na vida de cada um e, portanto, tivemos novamente a vivência de clã, de se colocar na pele do outro, de ter sensibilidade e empatia. E, ao ter sensibilidade, ver a dor do outro nos dói, e, talvez por isso, por ter sido um ano nada cômodo, muitas pessoas queiram que 2016 se despeça logo.
Muitas e muitas noites desse ano adormeci chorando. Chorava pela intolerância, chorava pelo povo na Síria, chorava por todas as coisas que sentia que iriam ainda ocorrer, chorava pela sensação de incapacidade de efetivamente fazer algo. E nunca, nesses quase 26 anos, meu elemento Água foi tão intenso e presente em minha vida: transbordei diversas vezes; transmutei diversas vezes, pois parecia que meu choro limpava, não só minha dor, mas também a de muitas mais pessoas.
Não, 2016 não é um ano fácil, pois para além de todo o caos coletivo - no princípio, não era o Caos? - ainda há o caos pessoal e penso que meu ano foi multiplicado por 3, pois muitas experiências vivenciei, muitos e muitos testes, por muitas vezes me perdi no labirinto e, por sorte, achei o fio de Ariadne que me mostrou a saída, muita individuação, muito medo, muita sombra.
Muita luz. 
Sempre escutei que 'quanto maior a luz, maior a sombra que ela produz', mas ao ressaltar a sombra por vezes se esquece que o contrário é  inversamente proporcional. Por isso ouvi de meu Pai - quando só conseguia enxergar o mal da sociedade - palavras muito bonitas sobre a luz de casa Ser e é acreditando Nele e na chama Sagrada que habita e move todas as emanações de vida que espero um novo ano de reencontro de cada espírito com sua jornada Sagrada.
E sinto que o Sagrado quer que nos reencontremos com a magia do coletivo, quer que nos percebamos como Unos, quer que entendamos que não existe o outro e sim o nós. Porque esse foi o grande ensinamento de 2016 e desejo que aos olhos dos Deuses tenhamos passamos sem ter pego provão final. Afinal, o professor do próximo ano é Saturno e quando ele nas muitas vezes ensinar sem afago nós aprendizes, que sejamos capazes de nos lembrar apenas que ele é o Grande Sábio Orientador.
Por isso, não importa em que posição estaremos no Arcano da Roda da Fortuna, apenas confiemos no Grande Mistério.

Laylah Cauac