terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A Roda: Transição 2016-2017

Nas Redes Sociais e em conversas descompromissadas observo que muitas pessoas estão ansiosas para que ocorra logo o término do ano de 2016. Isto porque este ano 9 foi transformador, mas a transformação ocasionada por ele não foi de forma branda, suave, tranquila e estão sendo 365 dias de muitos desafios, provações e quedas tanto no âmbito pessoal, quanto no coletivo.
E é justamente no coletivo que estamos percebendo as maiores transformações: direitos sociais desrespeitados, sexismo e homofobia intensificados, milhares de desempregados, catástrofes climáticas que prejudicaram muitas famílias, epidemias de doenças pouco conhecidas, suicídios coletivos, guerras, imigrantes  que são impossibilitados de migrar, Trump, Temer, PEC, colapso, entre outras questões que me fez questionar, diversas vezes, se na Jornada do Herói pulamos alguns Arcanos e paramos logo na Torre (carta 16 no Tarô de Marselha).
Mas 2016 veio com a promessa do Arcano 9 (2+0+1+6) o que representa a sabedoria de reflexão do Eremita e, também, trazia a compreensão dos fins de ciclos, visto que na numerologia o 9 é o término para, assim, haver um novo início na eterna espiral. Desta forma, 2016 nos trouxe a capacidade de aprendizagem a partir da observação de perdas, de mudanças, da compreensão do todo. E iluminados pela força solar - este ano que está findando foi regido pelo Sol - fomos capazes de observar para além de nossas próprias vidas, pois foi colocado um holofote na vida de cada um e, portanto, tivemos novamente a vivência de clã, de se colocar na pele do outro, de ter sensibilidade e empatia. E, ao ter sensibilidade, ver a dor do outro nos dói, e, talvez por isso, por ter sido um ano nada cômodo, muitas pessoas queiram que 2016 se despeça logo.
Muitas e muitas noites desse ano adormeci chorando. Chorava pela intolerância, chorava pelo povo na Síria, chorava por todas as coisas que sentia que iriam ainda ocorrer, chorava pela sensação de incapacidade de efetivamente fazer algo. E nunca, nesses quase 26 anos, meu elemento Água foi tão intenso e presente em minha vida: transbordei diversas vezes; transmutei diversas vezes, pois parecia que meu choro limpava, não só minha dor, mas também a de muitas mais pessoas.
Não, 2016 não é um ano fácil, pois para além de todo o caos coletivo - no princípio, não era o Caos? - ainda há o caos pessoal e penso que meu ano foi multiplicado por 3, pois muitas experiências vivenciei, muitos e muitos testes, por muitas vezes me perdi no labirinto e, por sorte, achei o fio de Ariadne que me mostrou a saída, muita individuação, muito medo, muita sombra.
Muita luz. 
Sempre escutei que 'quanto maior a luz, maior a sombra que ela produz', mas ao ressaltar a sombra por vezes se esquece que o contrário é  inversamente proporcional. Por isso ouvi de meu Pai - quando só conseguia enxergar o mal da sociedade - palavras muito bonitas sobre a luz de casa Ser e é acreditando Nele e na chama Sagrada que habita e move todas as emanações de vida que espero um novo ano de reencontro de cada espírito com sua jornada Sagrada.
E sinto que o Sagrado quer que nos reencontremos com a magia do coletivo, quer que nos percebamos como Unos, quer que entendamos que não existe o outro e sim o nós. Porque esse foi o grande ensinamento de 2016 e desejo que aos olhos dos Deuses tenhamos passamos sem ter pego provão final. Afinal, o professor do próximo ano é Saturno e quando ele nas muitas vezes ensinar sem afago nós aprendizes, que sejamos capazes de nos lembrar apenas que ele é o Grande Sábio Orientador.
Por isso, não importa em que posição estaremos no Arcano da Roda da Fortuna, apenas confiemos no Grande Mistério.

Laylah Cauac

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