sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Beltane (2)

Na noite da União Sagrada dos Deuses, nós seus filhos, sentimos a grande energia que circunda a Terra: Fertilidade, êxtase, poder gerador, danças, muitas danças. Celebramos o poder do casal sagrado, nos cobrimos de cores, somos um pouco eles também, pois nos preenchemos de excitação, de vida. Ao redor do Maypole traçamos destinos, realizamos pedidos e transformamos o futuro ... o falo ereto do Deus que penetra na fonte divina da Deusa que unidos geram a maior das magias.
Mas, nem só de Maypole, fitas e cores se faz um Beltane. Poucas são as bruxas que se aventuram na floresta nesta noite, poucas são as bruxas que recebem a honra de se encontrar com o Gamo Rei, poucas sabem que isso ainda no nosso tempo é possível. Ouvimos lendas antigas de sacerdotisas que se deitavam e aprendiam muito sobre a vida e magia com o Grande Sábio, histórias tão antigas que muitas vezes pareciam apenas poesia. Por muito tempo eu pensei ser apenas isso.
Mas quando estamos verdadeiramente aberto à algo, quando acreditamos na possibilidade real do 'impossível' acontecer, portais sagrados inimagináveis se abrem e descobrimos que as histórias não são apenas lendas, são relatos.
Um corpo extremamente grande, pesado, a respiração ofegante, o toque firme, as palavras sábias e certas para o momento, a aprendizagem para a vida. Uma noite que pareceu durar décadas, uma realidade fora do tempo que ao voltar para nossa plano material, tudo parece um sonho. Um sonho que me fez aprender mais sobre Beltane do que qualquer experiência terrena vivida, um sonho que me aproximou da essência real do que significa ser uma filha e serva da Deusa. um sonho que me ensinou o poder de se deixar entregar para se integrar com o Divino, com o Rei.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Beltane

Já conheço este vento. Sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez. Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.
Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual. Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto mas sei que está compenetrado pois é um iniciado e sabe a importância do que fará. A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, passo pesado de homem, espada cruzada sobre as costas.
Nesse momento o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele para diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, Filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…
As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua sábia vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova. Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o Mistério se renova: sou a própria Deusa sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.
As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…
Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão, não compreenderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…
Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do Mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.
Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.
Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim encima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu… Lentamente o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos. O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Voltar

As palavras do post 'viagem' são de uma das pessoas que mais amo: minha amiga, minha companheira, minha mulher. Este mês fiquei ausente por aqui, mas isso porque fui ao encontro de quem só me faz bem. Gratidão por me proporcionar um mês tão perfeito (como sempre que estamos juntas) e me fazer crescer ainda mais, me instigando e acreditando em mim e em meu trabalho. Foi lindo te ver tão entusiasmada pelo resultado positivo que tive na seleção, teu apoio me impulsiona e energiza. Te amo, Rê!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Viajar

'Eu to aqui fazendo nada esperando tu chegar. Eu deveria estar lendo as coisas pra aula de terça, como uma estudante aplicada, ou arrumando a mala, já que vamos mudar de quarto, mas eu to aqui, nesse primeiro dia de primavera fria, esperando o meu sol.
Amanhã quando eu te der boa noite antes de dormir tu vai responder, e penso que eu não vou me sentir uma louca que fala sozinha. Na verdade eu sei... que tu faz o mesmo, e esse gesto simples ameniza a saudade, faz eu te sentir mais perto.
Nesse momento o 'mais perto' pra mim tem relação com as horas que estão passando e fazendo com que o próximo dia aponte. Tenho certeza de que revisitar os lugares contigo vai ter outra cor. Aliás, tu é a cor da minha vida. E, ainda que amanhã o dia esteja nublado e feio, vai ser pra mim um dia radiante: meu sol tá chegando'. (Citadin)

Ostara


'Primavera não é uma simples estação de flores, é muito mais, é um colorido da ALMA'.

sábado, 14 de setembro de 2013

Reiki

Não tinha sentido essa sensação ainda, mas o ato de passar o dom da cura é algo fantástico. É como se o seu próprio corpo se estendesse tornando-se parte da outra pessoa também. Não imaginava que iniciar alguém no Reiki seria uma energia tão bela e que me proporcionaria visões tão complexas. Hoje eu entendo o porque de sempre sentir a necessidade de tocar se alguém está com dor ou os meus sonhos que sempre me pareciam improváveis. É porque eu já curei e já ensinei outros a curarem e, hoje, resgatei esse caminho novamente. Posso dizer agora com confiança, sim sou mestre Reiki.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta Feira 13

Sexta Feira 13, treze bruxas, um caminho: os Deuses Antigos. Foi estranho pra mim, perdida que sou, estar junto com pessoas que já se encontraram tão bem na Arte, porém, estar junto representou que embora em eu possa ter um 'espírito cigano' e viver buscando algo mais, eu posso, eu sei que posso, contar com as pessoas que aqui estão.
 
E muito mais que isso, estar junto na roda com tantas bruxas, significa que sim sou filha de quem sou e que a Deusa me reconhece. Espero um dia poder fazer melhor o que faço hoje, para demonstrar o quanto me sinto honrada pelo caminho que escolhi e pelo sopro divino que me deu à vida e a consciência.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Felicidade

Felicidade é saber que há pessoas que se confia e que pode ter a certeza que é algo recíproco. O primeiro encontro deu um novo fruto, com mais pessoas e mais trocas e isso faz eu ter a certeza de que estou no caminho certo.
 
'Eu confio na inspiração certa em todas as situações.'

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

'Eu me curo quando curo a outra'

Energizar o útero, o meu e de minhas irmãs, foi isso que fiz hoje a noite.  Realmente percebo que estou diante de um caminho muito bonito, o mais bonito de todos, pois é o meu caminho. Sinto-me preenchida ao poder passar para outra mulher uma pequena coisa que sei e essa noite a troca foi maravilhosa. Aprendi e ensinei, auxiliei a se reconectarem com o Sagrado e me reconectei também, elas redescobriram seu útero fonte de toda magia e eu, também redescobri o meu.
 
Útero fecundo, de minhas entranhas nasce tudo o que eu desejar...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

I° Encontro do Círculo Feminino

Não sei o quanto pude auxiliar no encontro de ontem, também não sei se ele vai se desenvolver, crescer e fortificar. O que sei é que estamos ainda perto de Imbolc e realmente desejo muito que cada vez mais encontros dessa forma realizados por milhares de mulheres pelo mundo e agora por mim, despertem. Acho muito promissor iniciar um projeto desses no período dos inícios. Porém, pequena que sou, peço à Deusa que me mantenha sempre, SEMPRE, em seu caminho e que as minhas palavras sejam sempre guiadas por Ela. Não me sentia preparada pra tal trabalho, mas as coisas foram ocorrendo... Sei que a Grande Mãe está a me guiar!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Imbolc

Para nós, filhos dos Deuses antigos, estar em permanentes provações faz parte do desenvolvimento pessoal e mágico. Ao entrar em contato direto com a energia divina essencial que nos gerou (deuses), nos tornamos mais conscientes de suas ações em nossas vidas. e percebemos que muitas vezes eles nos exigem muito foco, coragem e enfrentamento das sombras que habitam em cada ser. Porém, existem um período que essas provações tornam-se muito mais constantes: durante os Mistérios Eleusianos.que é período em que colocamos nossos nomes no caldeirão reafirmando que seguimos os Deuses Antigos e que estamos dispostos a enfrentar as adversidades - que certamente ocorrerão nas nossas vidas até o novo despertar da terra em Imbolc, Sabemos que essas provações se tornarão ainda maiores e que o caminho será muito mais difícil e imprevisível e que os testes do dia-a-dia e mágicos serão fatais, pois inevitavelmente ocorrerá a morte simbólica de nosso 'eu' antigo dando espaço para o renascer do novo eu.
Coloquei o meu nome no caldeirão, porém não consegui superar os Mistérios Eleusis da Tradição a qual participo. No princípio senti que fracassei, porém, na data dos resultados finais, quando finalmente foi dito quem havia passado ou não, descobri que também passei. Consegui superar meus medos e encontrar o caminho na minha floresta interna. Talvez, não foi o mesmo caminho que meus irmãos trilharam e nem as mesmas provações eu realizei, porém, com toda a certeza me fiz vencedora, pois percebi o quanto tive provações mais íntimas com os deuses e que particularmente me fizeram ver e entender coisas que até então não percebia. No fim, o aprendizado da noite foi que embora os caminhos mundanos sejam diferentes, o que importa é caminhar. Pois se este for nosso destino, sempre nos encontraremos com o Sagrado. Inevitavelmente, pelas graças dos Deuses. Em Imbolc eu finalmente me despertei.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Caxias do Sul

Aprendi que falar para outras pessoas envolve muita dedicação. Sinto que me tornei diferente, a partir de hoje, entendo atitudes que não entendia e, além disso, percebo que a menina Franciele está dando lugar para a mulher. Agora não é apenas eu, pois existem outras pessoas que dependem de mim.

domingo, 21 de julho de 2013

Iniciação na Floresta

Rio, mato, morros: a simples união desses elementos já me deixaria extasiada. Encontrar-me com a natureza é com toda a certeza um dos momentos mais esperados por mim, pois recarrega minha bateria e nutre a minha alma. No entanto, Caxias do Sul me proporcionou muito mais do que normalmente sinto em uma ida ao encontro da Grande Mãe em um acampamento 'comum'. Dentro da mata, observada pelos seres de outros mundos, fui agraciada com a dádiva de curar. Assim recebi minha maestria Reiki, em união plena com Deusa, pois fomos naquele momento (e seguimos sendo) uma só.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yule


A vida estava se afastando de Gaia, pois o frio se tornava intenso e a fartura já não imperava nas despensas das famílias. Tudo era cinza e fora do local onde a Grande Deusa estava os animais encontravam-se moribundos, e a Mãe era iluminada pela lua cheia. Cheia, igual a ela, pois as duas são uma só. Porém como o sopro da vida que mostra que tudo é cíclico, Ela deu à luz a uma criação iluminada. Não foi um processo fácil, pois o nascimento de sua cria tão esperada lhe causou dor mas a deixou repleta de amor e até hoje, o Solstício de Inverno, vem nos lembrar que a noite mais escura e longa do ano traz em sua essência o parto demorado da Deusa: o sagrado ofício da Mãe que se transforma diversas vezes para garantir a continuação da existência de todos os seres.
A cria da Deusa era um menino, um ser que trazia em si toda a fé da renovação. Era a criança da promessa que iria se desenvolver, fortalecer, até tornar-se o Gamo Rei, o Consorte que plantará a semente em sua Mãe e Amante, para garantir o movimento circular e eterno. 
Para recebê-lo, os homens que celebravam a dança da vida e a Deusa que a todos ama, o ofertaram o pouco que tinham de melhor. Apesar da comida ser escassa e de quase todos os alimentos serem reaproveitados, a noite era uma grande festa: a vida havia voltado.
Apesar do povo antigo saber que ainda teriam dias frios pela frente, logo a Terra voltaria demonstrar seus primeiros sinais de renovação em Imbolc após a quarentena necessária depois de um longo parto. Quem tivesse força para superar esse período de desafios que terminaria no Sabbath do leite, a vida por mais uma roda era garantida. 
Mas a vida do Deus tornara a terra. O Deus que havia voltado do interior da sua Mãe, trazia a certeza que tudo ocorreria bem. E nós, mortais, agradecíamos no passado assim como agradecemos hoje, por toda força, coragem, luz, ousadia, felicidade e tantas outras bênçãos que a Deusa nos proporciona juntamente com seu filho e amado. A vida havia voltado e por isso era um momento de comemorar e celebrar a chama de luz que mostra que a humanidade não ficará na escuridão.


Muitas são as maneiras da Deusa nos falar

Grande troca. Grande energia! Mulheres que com certeza,
também sentem a ação da Deusa em seu interior.
Entre os dias 14-16 de junho obtive a felicidade e a sorte de participar de um evento revelador. A Nona Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa proporcionou, através de seus workshops, interação, troca, aprendizado e novas amizades. Em cada palestra assistida a revelação de uma visão nova sobre o Sagrado e a confirmação da certeza que a Deusa fala de diversas maneiras.
É interessante como o Divino age em nossas vidas: Fui à São Paulo com o objetivo de aprender sim algo a mais sobre essa energia a qual denominamos Deusa, mas acima de tudo, para pesquisar sobre os diferentes grupos que praticam a Antiga Fé, afinal, falar do qual participo não é academicamente aceito. Fui entender mais o que passa na mente de cada praticante sobre a energia feminina a qual nos criou, no entanto, durante esses três dias entendi mais sobre mim mesma.
Esse período pequeno fisicamente  foi crucial para entender melhor a nossa Grande Mãe, porém, muito mais
Filhos da Deusa e do Deus que compartilharam
suas alegrias comigo. Lembrarei sempre.
que isso, foi essencial para identificar a Deusa em mim. Em uma cidade tão grande, onde tudo me fazia sentir pequena e frágil tive que, sem escolha, deixar fluir dentro de meu ser a donzela caçadora. A Deusa, em sua face destemida e corajosa, presenteou-me com a capacidade de desbravar uma grande selva, não de plantas, mas de concretos enormes. A Donzela, a corajosa, a que está livre de qualquer influência externa e  que é apenas ela  mesma: assim eu fui.
Mas a Deusa também é a Mãe que gera qualquer coisa e que acolhe seus filhos. No processo de me conhecer enquanto mulher e expressão da Deusa na Terra, esse sentimento se apossou de mim. Tornei-me mais receptiva, fazendo-me acolher em meu coração cada pessoa que lá encontrei. Como uma verdadeira mãe, me importei com cada um e a partir disso, gerei dentro de mim um grande vínculo. Mas a Deusa não gera apenas filhos, pois de seu útero toda e qualquer magia é criada. Assim, percebi que dentro de mim uma sabedoria estava prestes a nascer e assim o foi. 
Essa sabedoria expressou-se de tal forma, que não tinha como duvidar que estava sendo tocada pela ancianidade da Deusa. A Mãe Velha que a tudo viveu e a tudo sabe, mostrou-me coisas que até então não sabia e falou por minha voz e tocou a outros corações. É Ela quem sabe os mistérios da vida e é Ela quem sabe por quais caminhos andar. Foi Ela, somente Ela, que me possibilitou aconselhar com propriedade algo que ainda não vivi, mas que por seu intermédio senti o que devia ser feito e falado.
Redescobri que habitam em mim
todas as faces da Grande Mãe.
Mas nenhuma dessas faces da Deusa poderia ter sentido em mim mesma se não tivesse me encontrado primeiro com uma em especial: A Deusa em seu aspecto negro, aquela que és feiticeira, aquela que está inteiramente em sua essência: pura, verdadeira e real. Somente se é possível entender que a Deusa age por cada mulher se nos olharmos e identificarmos realmente quem somos. E podemos ser muitas, assim como a nossa Grande Mãe. A face feiticeira me permitiu encantar-me por mim mesma e perceber os grandes feitiços que posso realizar, pois sou fêmea, sou Deusa na Terra, sou crescente, cheia, minguante e nova.
Tal compreensão permitiu me religar com o que há de mais sagrado em mim que é o poder latente que flui de meus desejos: O poder que flui, pois a Deusa está fora, mas também está dentro. O poder que flui, pois quando vivenciamos a magia de verdade, cada momento é mágico e cada ato é tocado pela força da Mãe. O poder que flui, pois muitas são as maneiras da Deusa nos falar. Esse é sem dúvida o poder que flui da essência! 
Por isso ser uma filha da Deusa é se perceber enquanto Deusa, é permitir que sejamos receptáculos de sua energia, é permitir se curar e assim, curar aos outros. E acima de tudo, é simplesmente ser quem é. Esses três dias me permitiram descobrir quem realmente sou e por esse motivo trago em minha memória cada pessoa que lá encontrei, pois mesmo de forma pequena e sem perceber me ensinaram sobre o meu eu. Fui verdadeira com cada um e isso fez com eu fosse verdadeira comigo e somente assim consegui compreender que a Mãe age sobre mim e me presenteia através de cada uma das suas energias.


Não poderia ter aprendido tanto, em tão pouco tempo. O que era pra ser um turismo cultural, transformou-se em um turismo interior e desvendei cada parte da Deusa existente em meus domínios. Gratidão Mãe, por falar e me permitir entender suas mensagens.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Poder Feminino contemporâneo: Das Tendas às Marchas

O último final de semana (25 e 26/maio) representou a busca pelo empoderamento da mulher, tanto no âmbito energético, quanto no social. O assunto em pauta foi o sexo - ágil -  feminino e sua forma de expressão, seu poder pessoal e sobre a maneira que a mulher é vista pela sociedade.
No sábado, dia 25, no encontro das MSCLC falamos sobre o feminino e seu aspecto Sagrado, a beleza e a energia do sangue menstrual, a vagina como um portal, entre outros assuntos relevantes para nos reconectarmos com o nosso 'eu' ancestral. Foi inacreditável o tamanho da troca e percebemos que essas questões ditas como 'tabus' precisam ser discutidas,  pois falar delas é um passo para a compreensão completa do nosso ser.
Vimos que a mulher é naturalmente poderosa, curadora e que possui diversas fases e faces e juntas identificamos que nós mulheres podemos gerar qualquer coisa o qual desejarmos. Ter a consciência que fomos aos poucos diminuídas, excluídas, tiradas de uma posição de poder permite que não nos conformemos com a visão machista e patriarcal que o homem possui hoje. Desmistificar o feminino atual e identificar a energia pulsante que possui em cada mulher, em cada útero, em cada vagina, em cada sangue, é primordial para buscarmos o que é nosso por direito: a igualdade.
As mulheres do passado, sábias de tribos, possuíam destaque, sabedoria, poder de cura, conexão com o sagrado, passe para outros mundos. Isso ocorria de forma natural, pois todas tinham total domínio de si, do seu corpo e de suas vontades. Eram mulheres livres, donas do seu ser e detentoras do absoluto poder de sangrar sem morrer.
Podem pensar que é tolo identificar a mulher como sagrada por sangrar sem morrer, afinal se  sabe todo o processo que rege o ciclo menstrual. Porém, engana-se quem pensa assim, pois hoje sabemos realmente e com maior profundidade sobre as propriedades do sangue menstrual e assim é possível de entender ainda hoje o quanto ele é sagrado. Entre tantos significados místicos possíveis de ser compartilhado aqui sobre o poder do sangue, prefiro dizer apenas um e de teor científico: O sangue menstrual é curador, sabemos que ele suga a energia aterrando o que há de negativo na terra. Mas foi descoberto recentemente que o sangue menstrual possui mais células tronco do que a medula óssea, podendo curar assim uma das maiores doenças da contemporaneidade. Tal descobrimento é a representação da ciência auxiliando e aumentando a compreensão da magia ancestral.
Evidente que o nosso sexo por ser tão poderoso, foi banalizado e demonizado pelas visões patriarcais. E o o que era divino, tornou-se impuro, nojento e pecaminoso. Conversar sobre isso foi o auxílio necessário para entendermos melhor nossa real importância em Gaia e como podemos realizar o nosso papel de forma mais eficaz. 
Foi com essa visão mais clara que participei mais uma vez da Marcha das
Vadias no domingo e com uma surpresa muito grande, tive a real noção do quanto as mulheres estão avançando, buscando e resgatando seu legado. Seja em círculos de mulheres, sejam em marchas feministas, o discurso é o mesmo: reencontrar o nosso lado mais selvagem, livre de paradigmas e sem ter que obedecer nada e nem ninguém além de nossos próprios corações. Vi diversos cartazes, muitos gritos de guerra, muitas mulheres nuas e seminuas, muitos homens e crianças apoiando as mulheres e tudo em prol da igualdade. Frases do tipo 'ela está nua, mas coberta de razão',  'eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero' e 'minha mãe me ensinou a ser livre' foram marcantes, pois foi a partir desse momento que percebi verdadeiramente que uma nova consciência está se formando.
Não é mais necessário de intermediários, ou de grandes movimentos para falar do empoderamento feminino. Todas e todos são capazes e aptos para falar de tais assuntos, pois são questões que estão ressurgindo de nosso inconsciente coletivo e indo diretamente para a ação. 
Isso foi uma inspiração e inspirou ação em mim: Notei-me mais forte, aguerrida, confiante em mim mesma, pois eu também sou capaz de fazer o que desejar. Da mesma forma que diversas mulheres gritaram e tiraram suas roupas pelos seus ideais e vontades, eu também tirei. Da mesma forma que essa efervescência está agindo no interior de cada um, também está agindo em mim, pois sou dona de mim mesma e faço parte dessa tribo que acredita em si, que vai em busca dos seus sonhos. 
Apenas a palavra 'único' pode realmente demonstrar o que senti nesse final de semana. Eu, enquanto Filha da Deusa, notei-me repleta de poder, de força, coragem e ousadia. Mais uma vez percebi que Ela está em todos os lugares, basta enxergá-la. E ao notá-la, assim em uma simples passeata, percebi que existem muitos meios para encontrá-la e que muitos são os seus presentes. Gratidão por reacender essa luz em meu caminho, gratidão por ter dado tão certo o encontro de sábado e gratidão por ter me impulsionado a ir na Marcha - sei que era uma forma de chamado. E principalmente, gratidão por fazer seguir essa trilha  de diversas causas e por ter sido um fim de semana tão revelador. Pois estou novamente te sentindo Mãe, em todos os momentos. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

A tenda vermelha

'Mãe, que eu saiba honrar o ventre de onde vim, o ventre onde estou e o ventre que há em mim. Com a benção da Deusa.' (Adriana, Theia de Thea)


Sempre fui uma mulher de muitos sonhos e com tantos desejos para realizar, tornava-se difícil de me focar em apenas um. Isso porque, além de eu ser uma pessoa um tanto não persistente -desisto fácil dos meus projetos-, possuo ainda alguns momentos de indecisão onde me questiono sobre se o que eu realmente quero está ao meu alcance, se faria certo ou sou merecedora de tão importante função. Resultado: travo e nunca faço nada. Isso ocorre devido a bloqueios pessoais kármicos que além de me atrapalhar na minha vida íntima, prejudica questões sociais e minha evolução  enquanto bruxa.
Porém, duas frases importantes  que escutei em minha vida mágica fizeram eu repensar minhas atitudes: 'você é a única da família que, hoje, ainda carrega o sopro do sagrado' e 'você é uma filha de Lilith, trate de agir como tal'. Claro que tais afirmações, num primeiro momento, ao invés de estimular me deixaram com mais receio ainda. Afinal, ambas mensagens possuem um peso de responsabilidade muito grande.
No entanto, foram surgindo alguns sinais de que deveria ser feito algo, que eu   - mulher, bruxa e feminista - deveria alcançar meu poder máximo e atuar como uma agente transformadora. Primeiro as vivencias de reconsagração do ventre que participei abriram meus olhos de forma considerável, depois amigas próximas que nunca imaginei se interessarem sobre tais temas me questionando sobre esse tal poder feminino através do sangue, posteriormente descobrir que existe um movimento artístico denominado menstrala sobre o período menstrual, em seguida constatar que por volta de dez anos é comemorada a SEGUNDA VERMELHA, dia mundial da conscientização do ciclo feminino.
Devo confessar que realmente não sabia até recentemente deste dia -que, aliás, neste ano foi comemorado ontem-, mas  nós pagãs possuímos uma relação de amor e respeito ao nosso poder vermelho, sentimento herdado de nossas ancestrais que reuniam-se em tendas para honrar o Sagrado período menstrual e tal conexão fez eu sentir o que devia ser feito. Todos os sinais já citados contribuíram para a compreensão de que sim deve ser realizado algo em relação ao empoderamento efetivo da mulher, mas algo que transcenda barreiras religiosas, onde mulheres e jovens comuns possam conversar e  explorar com sabedoria esse momento mágico.
Foi então que com o intuito de compartilhar uma sabedoria antiga e recuperar um hábito amoroso e eficaz para o bem estar feminino -a reunião entre sábias de distintas idades e conhecimentos de vida- surgiu a ideia de mulheres de hoje reunirem-se para juntas revelarem as bençãos do nosso sangue que corre para a Terra. Mães, tias, avós, primas, amigas, amigas de amigas, companheiras, todas que assim como eu sentiram que algo devia ser feito, mas que por algum motivo ou outro ainda não vivenciaram tal experiência, este é um momento especial onde Gaia desperta e muitas são as possibilidades de se redescobrir novamente. Esta é a mensagem do mundo, basta escutar  e enxergar de forma sagrada que será revelado o  que está sendo dito.
Assim como muitas, estou em um processo de conexão e de aprendizagem, tenho que honrar à Terra milhares de vezes mais para quem sabe assim mostrar o quanto sou grata a esse dom de sangrar sem morrer. Mas embora esteja apenas no início do caminho, sinto que devo caminhar mais e assim, de uma forma pequenina, em uma tarde apenas, levar um pouquinho do que sei e sinto a outros corações amigos para a mudança se efetivar. 
Sem superioridade e em igualdade perfeita, assim como era com as sábias de outrora das tendas vermelhas, assim espero vivenciar, pois em todo coração de mulher é guardado uma infinita sabedoria e em todo útero um grande poder.

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Esse é um desejo antigo, que jamais pensei em realizar, visto que tão jovem é difícil sentir-se preparada. Porém a vida te leva a fazer escolhas e o que parecia tão distante, aos poucos começa a ganhar forma em sua frente. Contar com o apoio de tantas amigas e ver o quanto isso traria crescimento pra elas e pra mim, fez com que eu tirasse todos os medos e dúvidas da mente. Não me sinto mais capacitada - muito pelo contrário, sei o quanto devo aprender e conheço mulheres demasiado sábias que me mostram isso -, porém talvez eu lembre de algumas coisas antes de algumas mulheres e por isso possa auxiliá-las. No mais só devo agradecer aos deuses por ao entrar a nova Era tanto outros corações que nunca ouviram falar de deusas, sagrado, bruxaria, entre outras coisas,  estarem ouvindo o chamado e sentindo a necessidade de se descobrir. Conto com a energia do Sagrado e peço que esse seja apenas o começo de outros encontros especiais, afinal existe muita sabedoria a ser compartilhada entre amigas e irmãs.
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domingo, 5 de maio de 2013

Os véus caem e os ensinamentos vêm.

Sou pagã há muitas vidas e reverencio as fases da nossa linda Mãe Terra por muito tempo, pois entendo de que dela vim e para ela voltarei, logo após minha jornada nesta existência chegar ao seu final. Sou pagã, pois sinto os elementos vivos em meu corpo e sou capaz de com a força da energia que deles emanam, criar portais para outros mundos. Sou pagã, pois sempre escutei o chamado e a cada existência sigo com a missão de me encontrar através do caminho da Deusa.
Porém, nesta vida, apesar de mesmo muito jovem já me interessar e tentar interagir com o mundo pagão, há apenas quatro anos que posso dizer que, sim, sou bruxa. No entanto, meu caminho está apenas no começo, muitos são os aprendizados que ainda terei que assimilar, pois para se tornar uma pagã completa é necessário aprender com humildade o que os que vieram antes de nós têm a nos passar e, além disso, experienciar com intensidade cada vivência mágica. Sendo assim, a cada ritualista nova em que faço parte reacendo o amor e a extrema curiosidade que tenho sobre esse 'mundo paralelo'.
Quatro anos vivenciando a bruxaria, quatro Rodas completas comemoradas e sempre sendo surpreendida com a grandiosidade deste mundo. Posso dizer, sem vergonha nenhuma, que apenas na última noite dos Antepassados -Samhain- eu cheguei perto de compreender o que esta data realmente significa. Muito mais do que uma noite de queimar o que passou, honrar o sacrifício do Deus que se vai ou meditar sobre a escuridão total que se instala até o Deus menino retornar  trazendo a luz em Yule, pois é a possibilidade de aprender, sem intermediários, e sim com nossos próprios antepassados - pessoas sábias que pisaram seus pés em Gaia antes de estarmos aqui - sobre a vida, sobre caminhos, sobre nós mesmos.
Descobrir que possuem diversos caminhos que te levam à um momento especial, fora do tempo e espaço em que estamos, é intrigante. Minha mente racional, científica, fala sobre a probabilidade de ser algo ilusório, porém é inegável os fatos ocorridos na noite do dia primeiro de maio deste ano e é extremamente real tudo o que foi aprendido.
Tomar consciência  a partir de um encontro tão diferente que sou a única  da família que, hoje, ainda carrega o sopro do Sagrado, ao mesmo tempo que é emocionante, é desafiador. Afinal isso implica na responsabilidade de levar esse sopro comigo para outras gerações para que o caminho Antigo sempre se faça presente em nossas vidas. Porém, essa tarefa não é simples, pois em um momento de revelações a orientação foi clara 'existem muitas lutas na vida, mas temos que lutar uma de cada vez. Bandeiras demais as vezes pesam e nessas horas é preciso largar algumas'.
Minha vida é de muitas bandeiras, acredito e luto por muitas causas e gosto de ser assim, pois é disso que sou composta, é essa quem sou. Mas entendo o que esta mensagem representa e me passa, entendo quantas questões estão em minhas mãos. Antes, o que eram apenas alguns lampejos de lembranças, se confirmaram e o sentimento de pertencer à um povo antigo, aguerrido, donos desta terra a qual chamamos América Latina se tornou efetivo. Hoje eu sei um pouco mais sobre minhas origens e isso, inevitavelmente, me orienta e clareia sobre para onde devo ir.

Gratidão, Velha antiga e guerreira, pelo carinho, cuidado e olhar acolhedor.


De-cisões

Cada escolha traz circunstâncias. Estou disposta a pagar o que for preciso e, sinceramente, apesar das consequências de meus atos serem maiores do que imaginei, a noite 29/abril representou o momento de iniciar as mudanças tão necessárias. Ou seja, um verdadeiro presente.

Eu só queria registrar isso aqui.

domingo, 28 de abril de 2013

Misterios Eleusianos T.I.T 2013


Um grande período de quietude literária me afasta desta minha atual postagem da última, em setembro de 2012. Essa quietude que se fez visível em meu blog, refletiu o momento de descobrimentos internos que tornaram-se frequentes a partir do final dos Mistérios passados até hoje. 
Descobrir-se nem sempre ocorre de maneira fácil e natural, pois o processo de enxergar-se inteira e verdadeiramente traz diversos questionamentos que, a princípio, não se estava disposta a responder. No entanto, mais uma nova jornada logo iniciará, tornando impossível adiar o confronto necessário: falar a si mesmo encarando as consequências das reações que isso proporciona.
        Sobre esse tempo de grandes provações muitas coisas já foram ditas, porém uma frase em especial ocasionou em mim a consciência necessária para encarar a situação: ' Os Mistérios são, na verdade, um grande teatro onde você é a personagem principal e no decorrer do trajeto se verá em frente aos personagens secundários que habitam seu próprio interior.' Nada mais verdadeiro do que esta afirmação referente a esse momento. Independente do nome que for dado, 'personagens secundários', 'sombras', 'inconsciente', 'lado escuro', entre outros tantos nomes, o fato incontestável é que em nenhum outro período essa experiência se faz tão intensa.
       Olhei-me. Em um primeiro momento com grande estranhamento e não acreditando no que via, pois tantos desejos antigos simplesmente transformaram-se sem nenhum aviso prévio. E eu sem perceber que havia mudado tanto interiormente segui aos tropeços o mesmo antigo caminho, obviamente sem sucesso. Olhei-me e me assustei: Quem é essa nova Franciele, tão diferente da que eu conhecia? Evidentemente, achei erroneamente que era apenas uma fase, que era apenas um desconforto momentâneo e que logo voltaria como eu era.
       Mas não voltei e os novos pensamentos e sensações tornaram-se cada vez mais intensos, fortificados e atuantes em meu ser. A transformação, num primeiro momento negada, foi ganhando espaço dentro de mim e agora descobri que o meu real mistério, ao menos neste momento, é achar o meu lugar no mundo.
        Existe uma personagem principal, seguindo a analogia da citação, que talvez sem perceber deixou de escrever a própria peça. Um grave erro, pois este teatro representa a vida de cada um  e devemos escrever o próprio roteiro. No entanto, os personagens secundários não compreendendo o porque de cada vez mais perderem espaço ficando por tanto tempo nos bastidores, como um ato de rebeldia divina, fizeram-se escutar e apreciar.
        Dignos de vaias ou de palmas, a realidade é apenas uma: impossível não admirá-los, devido ao destemor, a ousadia e a beleza intrínseca que cada personagem secundário carrega. E assim, eu diretora da minha própria jornada, com muita felicidade, decidi trazer à luz personagens tão ímpares, não me importando com o julgo do grande público, pois estórias podem ser reescritas e jornadas reiniciadas. Com entusiasmo contemplo as belas atuações que tais personagens irão realizar. Mas tudo é uma grande surpresa da vida, para mim e para os espectadores. Pois embora escrevamos a própria peça, sempre devemos contar com uma pitada do imprevisível.