domingo, 28 de abril de 2013

Misterios Eleusianos T.I.T 2013


Um grande período de quietude literária me afasta desta minha atual postagem da última, em setembro de 2012. Essa quietude que se fez visível em meu blog, refletiu o momento de descobrimentos internos que tornaram-se frequentes a partir do final dos Mistérios passados até hoje. 
Descobrir-se nem sempre ocorre de maneira fácil e natural, pois o processo de enxergar-se inteira e verdadeiramente traz diversos questionamentos que, a princípio, não se estava disposta a responder. No entanto, mais uma nova jornada logo iniciará, tornando impossível adiar o confronto necessário: falar a si mesmo encarando as consequências das reações que isso proporciona.
        Sobre esse tempo de grandes provações muitas coisas já foram ditas, porém uma frase em especial ocasionou em mim a consciência necessária para encarar a situação: ' Os Mistérios são, na verdade, um grande teatro onde você é a personagem principal e no decorrer do trajeto se verá em frente aos personagens secundários que habitam seu próprio interior.' Nada mais verdadeiro do que esta afirmação referente a esse momento. Independente do nome que for dado, 'personagens secundários', 'sombras', 'inconsciente', 'lado escuro', entre outros tantos nomes, o fato incontestável é que em nenhum outro período essa experiência se faz tão intensa.
       Olhei-me. Em um primeiro momento com grande estranhamento e não acreditando no que via, pois tantos desejos antigos simplesmente transformaram-se sem nenhum aviso prévio. E eu sem perceber que havia mudado tanto interiormente segui aos tropeços o mesmo antigo caminho, obviamente sem sucesso. Olhei-me e me assustei: Quem é essa nova Franciele, tão diferente da que eu conhecia? Evidentemente, achei erroneamente que era apenas uma fase, que era apenas um desconforto momentâneo e que logo voltaria como eu era.
       Mas não voltei e os novos pensamentos e sensações tornaram-se cada vez mais intensos, fortificados e atuantes em meu ser. A transformação, num primeiro momento negada, foi ganhando espaço dentro de mim e agora descobri que o meu real mistério, ao menos neste momento, é achar o meu lugar no mundo.
        Existe uma personagem principal, seguindo a analogia da citação, que talvez sem perceber deixou de escrever a própria peça. Um grave erro, pois este teatro representa a vida de cada um  e devemos escrever o próprio roteiro. No entanto, os personagens secundários não compreendendo o porque de cada vez mais perderem espaço ficando por tanto tempo nos bastidores, como um ato de rebeldia divina, fizeram-se escutar e apreciar.
        Dignos de vaias ou de palmas, a realidade é apenas uma: impossível não admirá-los, devido ao destemor, a ousadia e a beleza intrínseca que cada personagem secundário carrega. E assim, eu diretora da minha própria jornada, com muita felicidade, decidi trazer à luz personagens tão ímpares, não me importando com o julgo do grande público, pois estórias podem ser reescritas e jornadas reiniciadas. Com entusiasmo contemplo as belas atuações que tais personagens irão realizar. Mas tudo é uma grande surpresa da vida, para mim e para os espectadores. Pois embora escrevamos a própria peça, sempre devemos contar com uma pitada do imprevisível. 

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