segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quem aqui chegou, quem aqui chegar...

Um fim de semana revelador, transformador e único. Com toda a certeza, cada instante ficará gravado em minha alma como tatuagem na pele.Tudo tão intenso, tão uno, estou verdadeiramente orgulhosa em saber que faço parte de uma família de 'estranhos' tão linda, tão verdadeira.
Todos que participaram dos Mistérios Maiores 2012 da Tradição Imortais da Terra, fizeram isso com um objetivo e sei que a estrada de ninguém foi fácil e estou muito feliz em saber que todos nós conseguimos: JUNTOS.
E como poderíamos termos conseguido separados? Impossível. Um guerreiro quando vai a uma batalha, sabe que não é possível vencer sozinho. Precisamos ser muitos, mas precisamos estar unificados e fortes como rocha. Cada um deu o seu melhor e isso é o verdadeiro presente, saber o que de fato somos capazes. E como somos capazes, superamos tantas provações da vida e dos testes. 
Diversas vezes, desde que iniciou os Mistérios 2012, eu pensei em desistir, mas hoje eu posso dizer com toda a certeza que TUDO valeu a pena. Estou emocionada, com os olhos inchados de tanto chorar de felicidade, talvez a ficha não tenha caído ainda, pois andei tanto, mais tanto, perdi-me no caminho diversas vezes, mas hoje posso dizer que me encontrei e estou feliz em estar de volta pra casa.
Gratidão IMENSA aos Deuses que sempre foram muito pacientes comigo e que me mostraram o caminho de volta, gratidão aos Mestres Imortais, Magnus e Lúcios, sempre tão gentis e com palavras tão acolhedoras. Como é bom sentir que despertei um carinho especial em vocês, do mesmo modo que você despertaram isso em mim. Mas com toda a certeza, minha grande gratidão é para as duas grandes mulheres dessa casa: Honda e Wakanda. Eu realmente não tenho palavras para expressar o quanto eu aprendi com vocês duas e o quanto eu as amo e admiro, duas pessoas que hoje são o meu Norte, meu exemplo, pessoas no qual sei que posso contar. As amo.
Às minhas irmãs do Coven Animus, a minha gratidão eterna, pois sem vocês eu com certeza não teria conseguido.
Lúthien: Mulher forte, és um exemplo de dedicação e lealdade.
Dani: Uma mulher grande, em todos os sentidos. És grandiosa, seu brilho no olhar é encantador. Fico feliz em estar ao seu lado nesse momento especial em sua vida.
Neusa: Sua persistência é um grande ensinamento a todas nós.
Eledi: A tranquilidade que passas é inspiradora.
Bel: TU sabe o quanto se tornou especial em minha vida. És forte, és guerreira! Lutaremos muitas batalhas juntas ainda.
Aos meus irmãos do Coven Filhos do Fogo e Guardiões da Terra, cada um, sem exceção, ensinou-me algo. Por fim, gratidão à todos, vocês são especiais. Agradeço aos Deuses por fazer parte dessa história. Não poderia terminar esse post sem a letra da música que marcou esses mistérios: http://letras.mus.br/daniel/327896/

"Quem aqui chegou 
Quem aqui chegar
Traz sempre um sonho
De algum lugar
Vem de peito aberto
Sem saber o que será
Com coragem de se aventurar"



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gratidão

Uma palavra tão bela, mas que tão pouco é utilizada. 


Devemos ser gratos ao reconhecer algo realmente especial em nossas vidas, mas repare que algo especial não necessariamente é logo identificado como uma situação 'positiva', muito pelo contrário, as vezes as coisas que nos fazem sofrer é o que mais nos ensina e que por consequência, mais devemos ter agradecimento.Também, esse sentimento não deve ser vivenciado por nós apenas quando for algo grandioso, pois existem o Sagrado até nas pequenas coisas.O fato é que nem sempre recebemos o que esperamos e talvez esse seja um dos motivos que faça com que perdemos esse hábito mais do que necessário: agradecer.
É uma questão de educação, desde pequenos aprendemos com nossos pais que existem três palavrinhas mágicas, sendo que uma é o ato de agradecer. Porque deixamos de realizar essa ação? Porque nos desconectamos? Porque deixamos de perceber os presentes que recebemos diariamente? Esses são alguns dos questionamentos que por vezes veem à minha mente.
Quando é uma data especial, possivelmente você recebe algum presente material e como forma de mostrar que gostou muito, agradece. Esse é o natural, esse é o mínimo que se pode fazer para retribuir uma energia positiva para quem se importou com você. Mas o triste, é que normalmente para a maioria das pessoas, coisas dignas de agradecimento são aquelas que possui um valor ($). Grande parte da população que frequenta algum tipo de local religioso, busca algo extremamente mundano: uma casa nova, um emprego bacana, um carro melhor, um bom partido. Fazem promessas, trabalhos, ritualísticas para alcançarem esses objetivos e sinceramente, creio que agradecem verdadeiramente quando alcançam tais graças. Mas será que é só nesses momentos que devemos ser humildes e nos voltarmos para o sagrado e dizer 'gratidão'?
Não importa para quem ou para que irás agradecer, o que é relevante é se mostrar feliz pelos presentes que recebestes (grandiosos ou pequenos). Eu agradeço aos Deuses, você pode agradecer à vida. Tanto faz o nome que se dá, o que vale é vestir-se dessa sensação de gratidão. Seja o que for, deuses, vida, energia cósmica ou tanto outros nomes, saberá que você está emanando isso ao universo.
Creio que devemos agradecer a tudo, e por esse motivo, talvez por faltar palavras para tentar ser o mais clara aos Deuses o quanto sou grata por tudo, até nos momentos mais complicados, eu escolhi uma música 'Gracias a la vida'. Essa canção divinamente interpretada pela eterna Mercedes Sosa, depois de muito pensar, foi a que escolhi para de uma forma simples, porém totalmente sincera, agradecer à Deusa, por me permitir trilhar o seu caminho. Não sei usar palavras bonitas, e como uma pessoa muito especial diz: 'As palavras não consegue expressar a totalidade dos sentimentos', resolvi que de todas as opções, essa expressa não a totalidade, mas boa parte dela. 
Eu estava entregue enquanto dançava e assim a Deusa me abençoou com sua presença Sagrada. 
Enfim, só tenho a agradecer, a Deusa que me acompanha a cada dia se mostra mais presente e quando me sinto só, sei que ela está perto. Foram várias formas Dela se mostrar a mim, mas ao contrário de muitas vezes que tenho tendência a achar que são todas coisas da minha mente, no dia  23.05, ela se mostrou dançando comigo fisicamente. Uma noite especial, uma noite que fez com que eu me sentisse um pouco mais certa  no caminho que escolhi (porque sim, as dúvidas são infindáveis) e menos louca. Para honrar essa noite, não existem palavras. Por mais que eu escreva, nunca será o suficiente. Por isso uso apenas um vídeo e uma palavra: GRATIDÃO!

sábado, 14 de abril de 2012

Um período de mistérios

Já faz algum tempo que quero escrever algo sobre os últimos acontecimentos que estão ocorrendo em minha vida, porém faltam-me palavras e um pouco de energia para conseguir achar um modo de passar minhas interpretações para cá. Isso porquê são tantas coisas ocorrendo ao mesmo tempo que não consigo organizá-las em minha mente.
Creio que desde que assumi para mim mesma, para os outros e para os Deuses que realmente queria prestar provas para os Mistérios e que desejava fazer parte de um novo Coven, meus dias mudaram de uma forma considerável. E por incrível que pareça, apesar das adversidades que ocorreram e algumas que ainda estão ocorrendo, são mudanças extremamente positivas, algo que eu não esperava, sendo que na minha mente de uma criança dando os primeiros passos, era para ser um momento mais complicado, mais escuro e com dor. Porém, pelo menos até então, apesar de tudo estou muito bem.
No ritual de quarta-feira antes do dia de iniciarmos formalmente os Mistérios 2012, a Deusa no qual tenho uma grande afinidade - Lilith, mostrou-se para mim de pé em forma de serpente e lambeu-me a face com a sua língua fria, como forma de beijo, demonstrando carinho e que estaria comigo durante esse período. Foi um momento extremamente especial, apesar do medo enrustido que senti. Depois desse dia, na sexta, demos início a jornada e um grande frio na barrida e uma sensação estranha, porém boa, me fizeram companhia. Eu sabia que depois desse passo, só tenho dois caminhos: ou eu chego onde almejo, ou eu desisto da batalha. E somos guerreiras, somos bruxas, lutamos pelo que queremos. Depois desse dia, soube que um momento único em minha vida tinha começado.
Porém nunca sabemos como vamos reagir e no ritual do sábado (31/03), algo muito íntimo ocorreu: libertei-me, sentia meu corpo livre, minha mente estava vazia e o meu ser estava inteiramente entregue - a Deusa começou a dançar comigo. Seria perfeito demais se eu não tivesse bebido mais do que eu devia naquele dia, e por esse motivo, entrei em uma pequena crise. Pensei que não adiantava ter uma boa conduta se no final, em um dia que eu não estava bem, que bebi tudo o que o meu corpo aguentou, em um dia que eu não estava preocupada em meditar e elevar o meu espírito, em um dia que nem estava prestando muito atenção na ritualística e a única coisa que queria era dançar e beber umas batidas... nesse dia ela dançou por alguns momentos comigo. Obviamente, senti como se tivesse perdido tempo de vida, porque sempre tentei ser uma 'boa pessoa' e me manter na linha, mesmo que as vezes eu quisesse muito algo, mas o meu principal objetivo era sempre ser uma pessoa correta e com bons princípios e, evidentemente, isso acabava fazendo parte de outros setores de minha vida, inclusive a religião. Sim, fiquei puta da cara por um momento que eu estava em descontrole (ou será que a palavra correta seria liberdade total?) e a Deusa se mostrou mais acessível para mim.
Depois do ritual do dia 31, cheguei em casa meio irritada com isso ainda, porém posteriormente mais calma, pudi pensar e perceber isso foi essencial para eu aprender a ter liberdade, e simplesmente me envolver sem esperar algo. E seria hipocrisia da minha parte dizer que não espero que a Deusa que tanto gosto dance comigo, seria mentira se eu não reconhecesse que toda vez que fico em volta do caldeirão eu desejo do fundo do meu coração que algo diferente ocorra. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Rumo à metade escura do ano

Não me lembro quando descobri o significado da palavra 'sazonal', mas o fato é que desde que entrou para meu vocabulário ela se tornou a minha maior definição para os perfis de redes sociais quando tinha o espaço para o famoso 'Quem sou eu'.  Na maioria das vezes eu respondia algo como 'uma pessoa de personalidade sazonal'. E de fato, assim eu sou.
Quando eu era mais jovem, por volta dos 13 aos 16 anos, eu sempre ficava angustiada com a chegada do outono que era o anúncio de que as coisas morreriam, que a terra estaria fraca, que o frio seria tão intenso que congelaria a alma. Tinha medo, pois sabia que de uma certa forma eu me sentiria assim e que se eu não me mantesse forte, me recolheria para uma profundeza e escuridão incrível. E da mesma forma que dos céus verteriam águas inundando toda uma paisagem, dos meus olhos sairiam lágrimas que enxarcariam minha face. A metade negra do ano, era a metade negra de mim, era a certeza que eu iria me deprimir, sofrer, chorar, me sentir extremamente só.
Sempre fui assim, meu aspecto se transformava conforme as estações passavam, uma intensa conexão com a Natureza de forma totalmente inconsciente, sem perceber, que me deixava repleta de vida na metade de luz  e que fazia me recolher a partir das primeiras folhas que caíam. No entanto essa ligação, justamente por não ser consciente, me prejudicava as vezes, pois existia um certo desequilíbrio que adorava me acompanhar. Só com o tempo felizmente eu fui me conhecendo, vendo as minhas fraquezas e os pontos positivos presentes em mim e assim percebi que devia utilizar esse momento a meu favor.
Foi quando eu comecei a vivenciar aos poucos a Antiga Fé e desta forma tudo foi sendo clariado e o que era doloroso se tornou um momento de reflexão, conhecimento e equilíbrio. Hoje, depois de 4 anos comemorando a Roda Pagã, vejo o quanto é sagrado esse momento: Um período iniciado no Equinócio de Outono que por sí só possui a energia do equilíbrio e que é o momento em que colhemos nossos frutos e guardamos as melhores sementes para garantir as plantações quando o sol voltar, o momento de fartura e descanso depois de tanto tempo arando o solo fértil de onde brotaram nossos projetos/desejos e a fase de fazermos um balanceamento de nossas atitudes, enfim um período energético que merece uma especial atenção e que tem por consequência a Grande Deusa entrando em repouso enquanto seu Consorte se prepara para partir para a Terra do Eterno Verão em Samhaim decretando assim, realmente o período sem Luz. 
Hoje eu reconheço o caráter extremamente Divino dessa passagem e a partir disso, me percebo sagrada também. Por mais que saiba que meu humor irá mudar, que provavelmente muitos demônios interiores virão à tona, por mais que eu saiba que ficarei muito mais introspecta que o normal e que dessa forma poderei afastar muitas pessoas, sei que é necessário e eu honro os Deuses por isso, pois Eles fazem eu perceber essas transformações não somento pela janela de meu quarto, mas sim pela janela de minh'alma, dentro de mim, pois eu me transformo e transmuto para que ao chegar da Primavera eu tenha aprendido, e esteja forte, cheia de energia, assim com a Deusa no seu apecto virginal, onde tudo é novo, tudo é vida, tudo é intusiasmo.
Fazem um bom tempo que eu tento me conectar sabiamente com a Mãe e aprender com suas faces, mas esse ano a chegada de Mabon foi especial, diferente, pois nesse momento percebi que a Deusa e minha mestre exigirão muito de mim e que se eu estiver na floresta escura e com muito frio sem poder enxergar nada com os olhos do corpo eu precisarei confiar MUITO e enxergar com os olhos do espírito, sem medo, e vencer, pois essa é a única opção para que eu consiga bilhar e plantas ótimas sementes quando a primavera chegar... No mais desejo a todos capacidade, persistência e superação para vivenciar com plenitude e sabedoria o recolhimento da Terra, o recolhimento da alma! 

Que assim seja, se faça e se cumpra!


segunda-feira, 5 de março de 2012

domingo, 4 de março de 2012

Uma tarde de múltiplas escolhas

Já fazia algum tempo que sabia que a prova estava marcada para o dia 03/março e eu, embora estivesse ansiosa  suficiente para que tudo o que eu sabia se perder no ar, eu não fiz nada para me preparar: Não estudei o suficiente, não ritualizei, não me conectei com o ar para que os ventos sábios dos silfos viessem até mim, ou seja, não me preocupei. Pra mim, uma seletiva que exigia como conhecimento básico apenas sabbaths, esbaths e elementos estava dada, extremamente fácil, afinal realmente é o que de início é o mínimo que precisamos saber. E eu sabia, ao menos lembrava que em algum tempo da minha vida eu sabia. Mas ao chegar ao local no horário marcado uma sensação estranha se apossou de mim: medo, dúvida, e o enjoo que me acompanhou da metade da semana até o fim  dela, se intensificou. Uma única certeza eu tive nesse momento: devia ter estudado mais, relido, relembrado, encantado a caneta, qualquer coisa que garantisse que eu me sairia melhor no que eu estava me propondo a fazer minutos seguintes, mas não foi o que ocorreu.
Iniciou a seletiva, um momento de tensão comparado a provas de vestibular/concurso público que acredito que estava no interior de todos os presentes, neste momento os mestres da tradição deram as informações necessárias de como seriam a pós-seletiva para os que serão selecionados. Entregaram as provas, abri o caderno com as questões que me deram e  partir daí, me senti de fato em um vestibular da Bruxaria! 
A prova não estava difícil, acredito que a maioria se saiu muito bem nela, mas pra mim foi tão estranho! Parecia que eu não sabia de nada que estavam falando, parecia que o meu raciocínio não estava funcionando e eu, que me julgava passada sem dúvidas, comecei a duvidar disso. Talvez tenha sido nervosismo demais, talvez tenha sido falta de preparo, talvez tenha sido o meu enjoo que me atrapalhou e que fez eu deixar em branco boa parte das questões, talvez tenha sido a prova múltipla escolha que me prejudicou (não gosto de testes assim, estou mais acostumada com as provas dissertativas da Universidade e de fato prefiro dessa forma) ou talvez tenha sido pura prepotência que tenha me atrapalhado. É, creio que tenha sido essa última opção. Sei que errei coisas banais, mas sinceramente, disso eu me relembrei de uma antiga lição: Tenha humildade e só comemore quando realmente ter conquistado o que buscavas. Surpreendo-me as vezes com o quanto eu ainda tenho que viver para aprender a de fato me sentir uma igual em relação aos outros. Pois sei que muitos devem ter ido muitas vezes melhor que eu, pessoas que talvez eu nem 'apostaria'. Mas infelizmente comigo ainda é assim: ou eu me sinto maior, ou me sinto menor. Nunca em paridade. Porquê? Realmente não sei,  talvez um problema psicológico da infância mal resolvido ou um complexo de superioridade/inferioridade maior do que o comum. 
Foi estranho quando saí do local, a maioria das pessoas estavam tão tensas quanto eu, pois de fato a tarde de ontem e o resultado dela é definidor desse ano inteiro e de muitos outros que virão. Mas confesso que até gosto quando eu caio assim, um verdadeiro tapa na cara dos Deuses que me fazem acordar: 'Paciência, calma, persistência, humildade.' Não sei qual será o resultado da seletiva, mas creio que não atingi os 80% que pedem, a resposta chegará amanhã e dependendo ficarei ou muito feliz ou muito triste, no entanto, o mais importante eu já tive como resposta ontem mesmo. Sei que estou em falta com a Deusa já faz muito tempo, ter lido sobre o paganismo e suas ritualísticas para ontem de fato era necessário, mas o primordial era ter vivenciado. Com a vivência o conhecimento sobre o assunto de intensifica e a conexão com os Deuses ficam mais fortes e eu, quanto tempo eu não comemoro uma roda inteira? Quanto tempo eu não faço um Esbath pra Lua? Quanto tempo eu não abro portais? Acho que provavelmente nem possuo mais a ligação que me permitia chamar a força da terra, da água, do fogo e do ar e muito menos os meus companheiros que guardaram por vezes os quadrantes enquanto eu, sozinha no meu pátio, cantava e e ritualizada com os Deuses. Borboletas amarelas, Serpente Negra Prateada, Peixe Multicolorido e meu Tigre, hoje percebo que faz muito mais tempo do que imaginava que não encontro vocês. Sinto saudade.
Sinto saudade da presença deles, mas mais do que isso, sinto saudade de voltar a ter coragem para vivenciar com os seres de outros planos. Quando saí do primeiro grupo do qual eu participei, lembro que fiquei um pouco receosa e fui deixando as coisas para depois, pois tinha medo de não sustentar a egrégora, afinal uma pessoa sustentando é bem mais complicado do que uma dúzia. E daí fui deixando pra depois, até simplesmente nem sentir mais vontade, pois a rotina acabava com a minha energia e não sobrava tempo pra nada. Fiquei por muito tempo tentando ainda mostrar pra mim que isso era algo necessário para o meu ser e dessa forma, como uma maneira de 'consolação' eu lia, muito. Mas depois, nem isso, deixei de pesquisar, deixei de ter vontade de comprar livros, deixei de procurar fontes, deixei de ler livros e dei TODOS que tinha (Exceto dois, muito importantes pra mim). Aos poucos fui me afastando até não sobrar quase nada, pois tudo se foi, só a vontade ficou. E foi essa vontade, a magia da vontade, que me impulsionou a tentar retomar de alguma forma e ontem participar de uma seletiva teórica que permitirá a quem passar a vivenciar os Mistérios.
Ontem eu estava de uma certa forma fora do meu eixo normal e no formulário que pedia que escrevêssemos algo sobre nós/vida mágica/o que achávamos, eu dei respostas curtas, mas teve algo que escrevi que eu reforço aqui: Estou triste é claro pelo o meu desempenho abaixo do que eu esperava, porém eu estou feliz, pois em cada questão que tinham várias opções de respostas para dar, em cada uma uma parte de minha mente pensava sobre o que era questionado e outra viajava, literalmente. E essa viagem me levou a lugares antigos e reviveram situações, mas acima de tudo me mostraram que eu estava vivendo de lembranças! Eu lembrava que sabia e que tinha vivenciado em tal época e por isso não me preocupei em estudar, mas com o rodar da Roda as coisas foram se perdendo e eu nem tinha percebido. As minhas memórias são ótimas, honro e admiro elas, mas agora é hora do novo!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sobre a importância da unidade

Algumas pessoas que me conhecem sabem o quanto eu já tentei me manter em algum grupo. Sempre foi um desejo grande poder encontrar quem compartilhasse dos mesmos sonhos, pensamentos e crenças que eu, pois desta maneira não estaria mais sozinha e não me sentiria mais a 'louca' da família que simplesmente quis ser a 'diferente' e resolveu acreditar em Deuses antigos.
Em vários Espaços que fui ritualizar ou nos Círculos que tentei entrar, não teve um que eu não tivesse sido bem aceita. Todos sempre me trataram com todo o respeito e atenção que uma recém chegada merece, me mostrando as diferenças de suas tradições em relação às demais. Mas logo depois, eu sentia falta de algo, nunca soube exatamente o que era, mas era algo que me incomodava e me fazia deixar para trás essas pessoas maravilhosas que me estenderam a mão no passado. Cheguei a pensar que o problema era grave, ou que na realidade eu só achava bonito e gostava muito, mas que não deveria ser pra mim, já que eu não me enquadrava em nenhum. Daí lá ia eu, tentar encontrar uma forma diferente de manifestar minha fé: em outra religião, filosofia ou ideologia. Mas logo vinha me visitar o vazio e a sensação de já não ter vida era gigante, pois parecia que estava oca por dentro. Mas daí me questionava: mas se eu sinto necessidade de compartilhar a minha energia com aqueles que amam o mesmo que eu e dançar juntos ao redor do caldeirão, porquê eu não consigo me manter unida a eles?
Uma possível resposta é que talvez eu não me sentisse totalmente a vontade com eles ou que não gostava tanto assim daquelas pessoas. É, isso é um possível resposta. Porém é uma resposta rala e irreal, pois muitos eu falo e sou amiga até hoje e na verdade, não tem nada ver com o fato de gostar ou não das pessoas do grupo, é algo muito além...
Enfim, estou revendo muitas coisas, tentando me reconectar com a Grande Essência que possui milhares de nomes, pois quero me voltar aos Deuses, recuperar o que já perdi, mas não somente isso, pretendo prestar provas dos mistérios Eleusis. E sim, mais uma vez O medo de passar por tudo e desistir depois e mais uma vez me sentir sozinha, ou pior, duvidar novamente que esse é o caminho que devo seguir era grande, porque por mais que me sentisse bem em ritualizar com as pessoas que frequentam o mesmo espaço que eu estou indo, eu já senti isso antes... porém ontem, algo foi diferente e fez com que eu entendesse o porquê de eu não ter permanecido nos grupos anteriores.
O que eu senti ontem, na última música que tocou, 'Cante para a Mãe Terra', antes de apagar o fogo do caldeirão, foi simplesmente mágico. A maioria dos que participaram do ritual já havia voltado para suas casas e ficamos só nós 5 lá, cantando e honrando os Deuses. O que me fez enxergar o que ainda não tinha visto é a coisas mais óbvia (em teoria, já que a frase 'em perfeito amor e em perfeita confiança' já é bem conhecida dos que seguem os Deuses), mas que em prática, só ontem que percebi, eu não tinha experimentado antes. Eu até pensei que já tinha sentido isso em plenitude com outras pessoas, mas ontem, como se um véu saísse dos meus olhos, percebi que foi a primeira vez. Primeira, mágica, única, especial, vez.
Inspiramos, expiramos, suamos, cantamos,  dançamos, rimos, tudo em sintonia e em contato com a Grande Deusa, que dançava junto conosco. Quase como uma coisa só. E um misto de gratidão por estar sentindo o que senti, felicidade e ao mesmo tempo, sem saber reconhecer o que de fato de passava, invadiu o meu corpo. Unidade. Um corpo, uma fé, um objetivo, um amor. O perfeito. E agora eu me sinto mais feliz, mais em paz, mais em família, mais confiante de que agora encontrei o que há tanto tempo estava procurando e acreditando que como ontem, muitas outras vezes iremos compartilhar a magia que se fez. Não preciso citar nomes, as pessoas que eu falo saberão que são para elas. Gratidão por me mostrarem o quanto é importante confiar, entregar-se, sentir-se não uma pessoa com outras pessoas ritualizando e sim uma pessoa  ritualizando, pois do mesmo modo que se algo em meu corpo não estiver bem nada estará, o oposto também é real: Sendo uno, sentimos o Todo e assim, nossos voos são bem mais altos, nossas magias bem mais fortes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alguns Demônios dos quais já me libertei

Resolvi compartilhar aqui, um poema que escrevi no dia 09/agosto/2008, quando tinha 17 anos. Ele me ajudou atenuar muito do que me causava desconforto naquela época. Hoje, são Demônios novos, mas sempre me mantenho na luta para vencer essa batalha interior. Persistência, sempre.

Morte aos demônios!

Angustia que não sei controlar
algo está prestes a acontecer,
e eu não tenho idéia de como fugir disto

Existe alguém sussurrando ao meu ouvido:
'Desista, você não vai conseguir.
Disperdiçou o seu tempo,
agora é tarde demais.''

Não sei o que é,
mas sinto, é algo que vai mudar o percurso de tudo
e eu, não terei mais como me encontrar

Sufocamento, que me faz sentir morta
é tão ruim não ter liberdade,
nem para respirar

Tristeza, que está deixando os meus dias mais sombrios
Sáia da minha vida,
não estou mais conseguindo aguentar

Solidão, me deixa tão vazia
tão impotente,
preciso ter com quem compartilhar

Quero exorcizar isso de mim
São sentimentos que não quero que me façam mais companhia
Eu não preciso mais vocês
Foram úteis, mas agora VÃO EMBORA!

Odeio vocês,
não podem possuir o meu corpo
Ele não é de vocês
Ele ME pertence
Pertence aos meus comandos

O que vocês querem, eu não vou realizar
O que vocês falarem, não vou escutar
O que vocês me mostrarem, não irei enxergar

Estou cega, surda e muda pra vocês
Não terão mais espaço na minha vida
Saião daqui!

Vão se jogar em um precipício
Vão procurar as suas distruições
Morram de uma vez, não suporto mais isso.

Estão me perseguindo
Estão por todo lugar,
mas eu sei como superá-los, infelizes!

Aos olhos nús,
Quase ninguém os percebe, acham puros e inocentes
Mas eu não me engano com suas aparências doces

E eu sei, estão ao me lado ainda
Os meus demônios, ainda querem me ter,
só que eu não vou deixar
Laiofhartiahain.

'O bem de hoje pode ser o mal de amanhã'

Esse é um pensando que permeia a minha caminhada há muito tempo, pois a vida com seus altos e baixos nos comprova que essa é uma afirmação verossímel. Porém, reconhecer e aceitar que, por exemplo, um lindo, intenso e o mais apaixonado amor pode se tornar algo ruim, a ponto de fazer-nos romper um relacionamento, ou que um pensamento, ideologia, ou fé que nos move hoje  pode, no futuro, não fazer mais parte de nós por termos mudado, ou algo que 'nunca faríamos' se tornar algo comum em nosso dia-a-dia, ou qualquer outro sentimento/fato/situação que hoje consideramos essencial e bom para nós e que no futuro pode se transformar em algo que não esperávamos, não é fácil.
Embora já acreditasse nisso, no curso intensivo que fiz nas duas últimas semanas, isso foi repetido várias vezes. E bem, eu pensava que já havia assimilado e reconhecido que não devemos ser dependentes de nada, pois tudo é volúvel/mutável, mas algumas mudanças, quando vem do nada é difícil de aceitar. E o meu bem, de um dia pro outro, virou o meu mal...
No final do referido curso, tivemos uma vivência para encontrarmos o mal presente no obuscuro de nossa mente para depois ascendermos em direção ao Divino presente em cada um de nós e durante o procedimento tudo ocorreu bem, mas logo após ter terminado, uma série de sensações e pensamentos ocuparam meu corpo mundano. E eu percebi que criei um Demônio gigante dentro de mim, chamado Insegurança.
Sempre soube que existiam Demônios que me acompanhavam, uns criados por mim mesma e outros externos, mas no fim das contas, acho que já estava me acostumando com certas situações. Mas o que mais me deixou triste ontem/hoje é que algo que eu considerava o mais Divino, o mais Sublime, o mais encantador, o MAIOR contato com a Deusa que EU já tive até hoje pode no final estar me fazendo mal e não somente isso, provém da Insegurança, pois precisei por muito tempo desse tipo contato para me manter na Fé.
Quantas vezes eu chorei quando já não sentia a Sua presença mais em nada, quantas vezes eu me entreguei ao amor desejosa que fosse TANTO amor, tão verdadeiro e intenso que a Deusa quisesse fazer parte disso e me habitasse, quantas vezes foi só assim que pude a sentir. E agora, um sentimento de despedida está fazendo eu ao escrever isso, sentir necessidade de chorar muito e mais tarde, em casa, chorar mais um pouco, e daí depois, quando eu estiver recuperada, levantar a cabeça sabendo que agora iniciará de fato um novo momento em minha vida, um momento que aprenderei sentí-la de outro modo, mais consciente e talvez menos desgastante.
Mas primeiro, eu tenho que exorcizar o que acredito ser no momento o meu maior problema: a falta de confiança em mim mesma. A Renata, minha namorada, disse que eu sou 'espertinha' e me questionou: 'E as pessoas que não tiveram essa experiência, não tem outro modo de sentir tão intensamente a Deusa? Tu tá querendo ir pelo modo mais fácil!' Isso me deixou um tanto chatiada. Não, não é querer um modo mais fácil, até porquê eu quero estudar, me dedicar, para sentí-la em plenitude, em todos os momentos e não apenas em uma determina situação de prazer. Mas é quase uma despedida, são três anos que isso ocorre, é quase um relacionamento. E me dói saber que até eu estiver mais reconectada, possa me sentir vazia, de novo.
Tenho medo de não ter fé, tenho medo de não conseguir mais sentí-la, tenho medo de ficar sozinha, tenho medo...! Mas não vai ser ele que vai me imolizar, pois se uma coisa eu aprendi nessa jornada de duas semanas é que as Dualidades devem ser aceitas, e que para eu conseguir seguir e me desenvolver eu preciso dar os meus passos, sozinha, para encontrar o meu caminho, o meu equilíbrio, eu preciso saber até onde eu posso ir. E se o meu bem acabou se tornando um mal que preciso me libertar, o meu mal, tenho certeza, voltará ser o meu bem, pois sei que aprenderei algo com tudo isso. E agora, por mais que seja difícil, ao ser dona do meu próprio corpo e vontade, vou ir à batalha lutar contra o que me limita: eu mesma.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre a questão do Equilíbrio

Nessas duas últimas semanas, venho experimentando um sensação diferente de auto-conhecimento. Uma auto-crítica reveladora temperada com teorias, curso e vivência. Venho observando com o auxílio de alguns fatos novos que estão ocorrendo em minha vida, a questão do equilíbrio inexistente em mim.
Sinto que a minha consciência em relação à essa questão com o passar dos anos, foi sendo extinguida. Resultado possível da manipulação causada pela energia política-social-religiosa mal utilizada que, sufoca, castra, maltrata, molda e doutrina. Pois uma das formas de manter fiéis na linha é fertilizando na mente de cada indivíduo a idéia do medo que provém de coisa externas, é claro, mas principalmente do nosso inconsciente. Temos medo de comos agimos, medo do que os outros vão pensar, medo de não ser aceitos social e espiritualmente, e o pior dos medos: o de nos conhecer realmente e não gostar do que vemos. Isso porque estamos direcionados a trabalhar só o lado de luz do nosso ser, esquecendo que nosso 'eu' trevoso, serve justamente para nos manter em equilíbrio e harmonia com a nossa essência.
Faz um pouco mais de uma semana que fui orientada a fazer uma pesquisa sobre os pilares da Maçonaria, sabia algo sobre o assunto, mas como não estava mais 'fresco' em minha mente, resolvi pesquisar mais. O resultado dessa pesquisa foram diversos questionamentos que fiz a mim mesma sobre se a minha postura como um ser humano, pagã e cidadã, estão de acordo com a minha própria essência. Questionei-me o quanto do que eu me limito podem estar fazendo falta para o meu crescimento e a resposta para esse questionamento, foi que sim, isso está mais me prejudicando do que auxiliando.
Depois teve um ritual de sexta feira 13 que foi realizado no Espaço que estou frequentando... o ponto alto da ritualística para mim, foi quando pintamos uma mão de branco e a outra de preto, simbolizando de forma visivel as duas partes existentes em nossa psique: os opostos sagrados e complementares que juntamente conduzem ao crescimento. Mais uma vez, percebi-me questionadora e mais do que isso, querendo explorar sentimentos, situações, rever conceitos e posturas, dos quais por muito tempo deixei trancados em algum lugar dentro de mim. Ou seja, me permitir mais, me libertar mais, ser mais quem eu sou. E isso é uma tarefa dificílima, pois embora minha visão sobre mim esteja mais clara, pois as vendas da alienação sobre isso foram retiradas, sei que ainda assim, é complicado me desvencilhar de algo que é geral e intrínsico na grande parte da sociedade. E por último, iniciou ontem, no mesmo espaço citado anteriormente, uma jornada de reconhecimento da Deusa Lilith, minha Deusa, e essa jornada para mim tem um significado todo especial, pois tenho muito ainda que descobrir sobre Ela, uma energia tão misteriosa... Mas a questão é que consegui REperceber, com a minha retomada de caminho e conscientização de meu poder feminino, que as minhas polaridades não estavam em equilíbrio, pois sempre tentei fugir de questões que não julgava certas. Mas agora, pergunto-me novamente: o que de fato é o certo?
Uma Lei da física - cientificamente comprovada e amplamente difundida, chama-se 'A Teoria da Relatividade', criada por Einstein, basicamente diz que tudo é de fato relativo. Tendo isso como ponto de partida, penso que se na física é dessa forma, coisas do nosso cotidiano devem, de certo, ser assim também. Isso ajuda a deixar repleto de sentido a frase 'o que está em cima é como o que se está em baixo', ou algo como 'o bem de hoje, pode ser o mal de amanhã'. Não sou uma pessoa vingativa e nem pretendo fazer desse argumento algo que justifique minhas possiveis atitudes futuras de má índole, afinal caráter é caráter.  Porque como eu já disse, não gosto de fazer coisas que possam prejudicar outra pessoa (não que eu faça de vez enquando, mas não gosto), e dessa forma, eu evito ao máximo realizar algo de maneira impensada. Mas enxergo nessa questão, um ensinamento de que não devemos ignorar sentimentos subjetivos que afloram no nosso coração de forma forte e agressiva: A raiva, a luxúria, o medo, a inveja, a severidade, entre outras tantas sensações fazem-se necessários para nos conhecermos e crescermos cada vez mais. Afinal, apenas a bondade, compaixão, amor entre outros sentimentos costumeiramente tão 'cultuados' em demasia, como tudo que há, faz mal.
Deste modo, entendo que para caminharmos em direção ao Equilíbrio, precisamos respeitar o nosso lado branco e o nosso lado negro, presente dentro de nós.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

É bom me sentir de volta

Essa energia de pré, durante e pós vestibular da UFRGS que pude compartilhar com as minhas amigas vestibulandas, fez com que eu revivesse muitas lembranças, boas e não tão boas, de tudo que eu tive que suportar para conseguir a minha vaga na tão desejada universidade. Além de lembrar da raiva que eu tinha, já fazendo o meu curso, da falta de tempo que tive pra minha vida, minhas vontades, minha Religião, meus sonhos, pois 2011 foi o ano de maiores transformações que vivi e por incrivel que pareça, o que eu menos vivi. É extressante fazer a maratona de provas, mas no último dia tem a festas das tintas o que ajuda a relaxar e quando vemos o nosso nome no listão, TUDO vale a pena. Um experiência maravilhosa, um verdadeiro Rito de Passagem do cotidiano. Agradeço aos Deuses por já fazer um ano que estou em um ambiente acadêmico que sempre desejei, porém, sinto que agora é tempo de buscar outras metas e me dedicar ao que tanto me completa verdadeiramente: Nossos pais Universais.
Nos últimos dois meses de 2011 a minha vontade de largar tudo e ir morar no meio do mato pra voltar a ter o que eu julgava ter perdido foi gigante e dolorosa, pois sabia que faltava tão pouco pra terminar o semestre e que então não valeria deixar tudo no final, mas ao mesmo tempo exigiu muito de mim continuar. Quase cometi suicídio acadêmico umas 3 vezes e se não fosse o meu amor, Rê, me apoiando eu teria feito isso mesmo. Chorei muito, foi um período que senti bastante dificuldade e sempre reclamava: 'Fiz o ritual pra Deusa e não a senti, to órfã, ela desistiu de mim. Preciso resgatar nossa união'. E chorava mais um pouco. De fato, não tê-la mais sentido no meu cotidiano foi bem dificil pra mim, mas ao realizar um Ritual com todo o amor e carinho e não sentir NADA foi apavorante. Achei que nem a Deusa me queria mais. Entrei em crise, pois comecei a julgar que tinha feito a escolha errada, imagina escolher a vida (sem vida) acadêmica ao invés de dançar, cantar e celebrar a vida junto aos Deuses. Hoje eu espero que essas minhas amigas aproveitem muito cada momento dentro da faculdade, mas sem esquecer que há vida e coisas muito mais importantes fora dela. Eu precisei passar para compreender isso, pois depois de três vestibulares tentando, já fazia da UFRGS uma meta de vida. Mas eu só tenho vinte anos e a minha vida será muito mais longa do que os dez anos necessários para fazer graduação, mestrado e doutorado. Sendo assim, plantei uma meta no solo fértil de minha mente: 2012, ano que entrou de Lua Nova, eu me dedicarei profundamente aos Deuses, sem ter como prioridade dezenas de polígrafos que tenho que ler por semana ao invés de um Esbat à Deusa Lua, um ano sem me 'esquecer' das datas da Roda, por fazer das provas, seminários, apresentações e trabalhos como meu definidor de tempo. Eu plantei isso em minha mente, espero ter perseverança para cultivá-lo, para depois virar algo grandioso. Ou seja, graduação, mestrado e doutorado eu tenho muito tempo ainda, posso fazer com calma. Quero me permitir viver!
Então, voltar a restabelecer uma conexão com o Divino de maneira entregue e intensa é complicado, pois sinto que precisamos nos restabelecer com nós mesmo antes. E isso pra mim é o mais dificil, pois sou um poço de dúvidas e é dificil me manter em equilíbrio. Por isso resolvi ir com calma, ontem por exemplo, revi coisas que estavam esquecidas em meu quarto: livros, polígrafos, rituais que criei, poemas de amor aos Deuses que fiz, minhas primeiras lembranças de testes e provações...Enfim, o que eu tenho até hoje. Foi verdadeiramente muito bom, embora eu tivesse uma falsa lembrança de que eu era mais 'criativa'... Se era, não costumava registrar. Talvez isso possa ser porque eu não costumava escrever o que eu não julgava muito bom. Que ótimo que não estou mais assim, se não nem teria feito esse blog! Querida dizer que 2011 foi um ano do terreno, 2012 espero que seja um ano do Sagrado em minha vida, para que em 2013 eu ache o equilíbro e viva em perfeita harmonia e realização comigo mesma e com a Deusa. Deixo registrado, um poema que fiz em Outubro de 2010 em homenagem à minha Deusa, Lilith, que reví ontem enquanto folhava meu caderno. Sempre que o vejo, sinto que aprendo algo diferente:

Ensinamentos da Deusa da Lua Negra


Estou em todo lugar
e faço vir à tona várias sensações
Ensino meus filhos
Mostrando o que é melhor para seu ser

Tenho várias faces
Me mostro em vários aspectos
Tudo depende de com quem eu lido
e de que maneira merece me ver.

Sou temida
Sou amada
Sou ousada
Vivo como sinto ser melhor viver
E quando a Lua está Negra
Meu poder você poderá sentir

Quando rastejo no chão
sinto o pó de onde vim
Não me sinto humilhada
pois estou mais próxima do meu corpo
Quando rastejo no chão
Aprendo as dificuldades
E ensino aos meus filhos
a sempre seguirem em frente apesar das adversidades.

Quando voo alto
Meu espírito vai longe
Sou capaz de ir em lugares inabitados
Quando voo alto,
aprendo quais são meus verdadeiros potenciais
E ensino qual é a melhor maneira de aproveitar a dádiva
de estar viva e livre.

Quando sou mulher
Descubro em mim todo o meu poder pessoal
Percebo que existem chamas em meu ser
Que me transformam e me impulsionam
Como essas chamas
Sinto a paixão nascer
Quando sou mulher
Ensino a cada filho meu a se amar e honrar
Pois o nosso corpo é o nosso templo
E devemos respeitá-lo acima de tudo.

Quando sou demônio
Vejo tudo de negativo em mim
E quão vingativa e perversa posso ser
Quando sou demônio
Ensino a cada pessoa que deseja aprender
Que cada parte nossa deve ser acolhida
Para que assim aprendam que o mal
Só é mal, ser assim o quisermos.

E assim eu sigo:
Vivendo
Aprendendo
Ensinando
Brilhando
Me amando
E amando todos que não me temem.

Dou aquilo que a pessoa merece receber.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cinco mulheres poderosas - Mestres de vida

Muitas são as pessoas que passam em nossa jornada para nos ensinar algo que é necessário aprender. Eu conheci personalidades incríveis, com grande carga de vida, cheias de histórias e que transmitem sua sabedoria adquirida de forma simples e genuína.
No entanto, nessa estrada da vida que percorro há apenas vinte anos, tive a oportunidade de conhecer cinco mulheres sábias. Mulheres essas, que talvez não tenham sequer a noção da minha  real consideração por elas e por esse motivo resolvi escrever esse post, que será como forma de agradecimento.
No início, eu era uma energia que estava pronta para reencarnar nesta vida. Talvez eu estivesse com receio, ou ansiosa para cumprir mais uma etapa da minha evolução espiritual. Mas os Deuses me permitiram fazer parte de uma família terrena muito especial e acolhedora e ao sair do útero da Mãe e de minha mãe, vim à vida. Fui crescendo e aos poucos aprendi quais são as coisas que realmente valem a pena, mas se me perguntarem qual das lições eu considero a mais importante que recebi dela, Suzana Martins - minha primeira mulher sábia, responderei que são duas: amor e entrega. Não conheço até hoje mulher mais dedicada e entregue que ela, claro que sei que existem muitas pelo mundo que cumprem o mesmo papel, mas de todas as mulheres que tive a honra de conhecer, ela foi com toda a certeza a que mais me mostrou isso. Mãe, uma palavra tão pequena e que tem um significado e poder enorme, ela é uma mãe de fato e que mesmo com todas as suas qualidades e defeitos, em sua limitação humana, tenta a cada dia me mostrar coisas que ainda não aprendi, sempre com a típica frase 'aprende comigo enquanto estou viva!'. Sim, viva! E só de lembrar que muitos dos meus passos futuros caminharei sem ela, deixa meu coração repleto de tristeza, porém ao mesmo tempo, feliz por tê-la REencontrado. Amor e entrega, é dessa forma que tento realizar tudo que gosto, para fazer da melhor maneira possível.
Meus pais separaram-se quando eu tinha sete anos e minha mãe, irmã e eu, fomos morar na casa da minha avó, uma anciã. Foi então que pude ter maior contato com a dona Dalila Terezinha, uma senhora baixinha e gordinha que também me ensinou muitas coisas. Eu poderia falar que ela me ensinou da importância das ervas, pois sempre há um cházinho pra tudo, ou o quanto eu a admiro e aprendi com o seu gesto de tirar de sí para auxiliar os outros, mas não, o mais importante que aprendi com ela é da necessidade da paciência e compreensão. Nunca foi fácil conviver com essa senhora, muitos dos traumas ou complexos que carrego até hoje tem origem em seu modo carrascona de ser, pois ela era e por vezes ainda é, muito amarga, cruel, má. Na infância para ela eu não prestava pra nada, na adolescência era uma rebelde deprimida, e agora iniciando a minha fase adulta sou literalmente a ovelha negra da família: pagã e lésbica. Já fui até ameaçada de ser expulsa de casa por ser 'um mal exemplo' para a minha irmã de 16 anos. Não lembro bem, salvo algumas raras exceções em épocas de festividades cristãs, dela ter falado algo bonito pra mim, algum elogio ou algo para me apoiar. Seu jeito é (e comigo, isso se multiplica umas cem vezes) fria, indiferente e com frases cortantes. Mas acredite, ela é uma pessoa maravilhosa. Então, com ela eu tive que aprender a contar até mil se for preciso, para não agir sempre de cabeça quente e e explorar o meu senso de compreensão, pois as vezes entender atitudes  e pensamentos diferentes dos nossos, é mais complido do que se imagina. Isso é respeitar o outro independente de suas faces.
Agora vou dar um pulo. A conheci com 17 anos e estava dando os meus primeiros passos em um grupo que se dedicava a Religião da Deusa. Seu nome é Lidiane Leandro, minha primeira Mestre de Tradição. Ela me ensinou tantas coisas: Deuses, mitos, lendas, vivências, energias, elementos, encantamentos, desligamentos, chakras, ervas, pedras, cores, espelhos...enfim, muito do todo que inicialmente se aprende quando entramos nessa Religião e Filosofia de vida. Mas teve um ensinamento que ao longo que fomos nos conhecendo melhor ela tentou de várias formas me passar, mas eu infelizmente não aprendi naquela época e apenas mais tarde, quando já nem mais fazia parte do grupo, que aprendi: a questão do Ego. O Ego não é negativo, na verdade creio que nenhuma energia seja realmente negativa, tudo depende como a direcionamos. Mas com meus 17 anos, me sentia GRANDE. Hoje, eu rio da Franciele do passado. Claro, sou resultado de tudo que passei, mas demorei pra aprender que devemos estar fazendo uma vigília, para não nos surpreender negativamente com nós mesmo. Porque, da mesma forma que honramos a Deusa em suas infinitas faces (da mais generosa a mais 'terrível') e que ela habita em tudo e inclusive em nós, devemos nos respeitar, honrar e perdoar-nos por atitudes não pensadas. No entanto, uma das 'leis' da Arte que mais tento seguir, é 'Faça o que quiseres, sem a ninguém a prejudicar'. E enfim, meu Ego mal utilizado na época talvez pudesse prejudicar alguém, pois julgava-me melhor e maior do que eles. Foi dificil aprender isso Lidiane, ou melhor Yohana, a mulher que me ensinou sobre isso.
Depois de quase um ano que estava sozinha e errante por aí, tive a felicidade de conhecer a Raquel Diacos: mulher doce, amável, humilde e amiga. Mestre da Tradição do Renascimento. Não fui sua iniciada, pois reconheço que a minha essência pedia algo diferente do que ela trabalhava, mas a considero uma mestre  pra mim com a qual aprendi algo essencial: não adianta ter um discurso bonito se não houver ação! Aprendi isso e espero ainda aprender muito mais, pois a quero presente (mesmo que distante) em minha vida. Ela ensina a Tradição que fundou com muito amor, sem cobrar nada em troca, apenas pela vontade de querer que o Paganismo volte a ter cada vez mais força. Ou seja, ela FAZ o que diz, o que se comprometeu enquanto pessoa e auxilia muitas pessoas assim. Com ela percebi que muito do meu discurso igualitário, era só discurso mesmo. Agradeço por tê-la conhecido, pois tento ser cada vez melhor.
E por último, Luciana Machado, alguém que voltei a falar faz pouco. Não escondo de ninguém que está próximo de mim que a admiro enquanto mulher e mestre. Algumas pessoas com qual falo, nem sabem quem de fato ela é, pois não tem nenhum contato nesse meio, mas sabem que tê-la conhecido de perto, mesmo que tão pouco, foi importante para meu crescimento. O que eu aprendi com ela, aprendi na dor e essas são as mais profundas lições...É dificil explicar o lado negro da minha alma que visitei ao conhecê-la de verdade (de carne e osso e não somente em sonhos, como ocorreu antes de ter contato com ela), pois caí, tive infinitas dúvidas, desacreditei, me senti menor do que um átamo, fui subjulgada, desacreditada, enfim...uma noite escura, totalmente escura: sem luar nem estrelas no meio de um mato cheio de animais selvagens que estavam prestes a fazer de mim uma presa.  Foi assim que me senti. Mas foi no meio disso, nessa mistura de fascinação, medo e desistências, que eu recuperei algo que não tinha mais: fé, intuição, coragem. Acho que não sabe, talvez agora vá saber, o quanto foi dificil pra mim retomar um contato com ela. A luciana sabe isso muito bem, e com ela que aprendi: 'Se te diminuíram, levante, mostre o quão boa podes ser!' Segui o exemplo que distante observei, depois voltei a olhar pra mim e reconher verdadeiramente a Deusa que habita o meu corpo. Não é fácil, pois é muito mais simples criar ídolos que são muito do que queríamos ser, do que admirar nossas qualidades. Por fim, foi no escuro que vi a luz brilhar.

Agradeço aos Deuses por tê-las colocado em minha jornada, pois são pessoas que levo pra vida.


Franciele

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Recomeço

Não sei bem como iniciar esse blog: se escrevo sobre os meus passos até aqui, ou se parto do momento atual guardando nesse ambiente, só as memórias que ainda eu vou ter. Não possuo a pretensão de fazer dele um local de pesquisa, até porque eu tenho muito a aprender e tão pouco a ensinar. Então, provavelmente apenas servirá como um 'diário virtual', literalmente. Para que eu possa escrever meus anseios, aprendizados, vivências, curiosidades e até, (porque não?) medos, enquanto sigo nessa jornada. Acho até que os medos serão bem mais presentes aqui, já que sou uma aprendiz que por muitas vezes se assusta com tamanho poder da Grande Deusa. Uma criança, assim eu sou, que busca o colo e aconchego da Mãe.
É tão bom olhar para trás e ver o quanto já se andou e melhor ainda é olhar para frente e ver o quanto ainda há para andar! Andar no caminho da Deusa e com a Deusa nos traz infinitos aprendizados e uma experiência de vida única, fazendo-nos entender o que de fato significa 'amor e confiança perfeitos', pois nos envolvemos com todas suas faces, de forma entregue, verdadeira, mágica.
Por muitas vezes me senti só, órfã da Mãe, pois não sentia mais a sua presença em minha vida. Grande engano: A Mãe, Deusa de infindáveis nomes, sempre me acompanhou, porém eu, vendada pelas dificuldades da vida, não conseguia perceber seu abraço suave enquanto chorava. Muitas dúvidas, por momentos até julguei-me louca, por acreditar, imagine... em deuses! Confesso que até hoje, as vezes me invade esse sentimento. Normal. Eu SEI que é normal, embora muitas vezes me sinto culpada por isso.
Mas sim, vejo minha evolução (em passos de tartaruga! Se bem se eu tiver o tempo de vida que elas tem, no fim da vida, se tudo ocorrer bem, serei uma anciã sábia, ao invés de uma velha caquética reclamona. Tartaruga, símbolo das matriarcas!), e fico extremamente grata aos Deuses, por me permitirem continuar no caminho, com muitos tropeços é claro, mas que com toda a certeza, se não fossem essas pequenas quedas, eu não seria quem sou.
Hoje percebo quantos tapas na cara recebi, por não prestar atenção nos seus sinais, que por vezes são singelos e em outras, tão descarados e de certa forma até 'cruéis', que só não foram vistos por mim, porque tenho uma lentidão para entender as coisas maior do que o normal.
O fato é que quero escrever aqui minha vida mágica, e não somente a minha vida na magia. Porque quando a minha memória falhar (e ela não é muito boa mesmo, deve me faltar alguma vitamina), eu quero ter uma fonte confiável e ter a oportunidade de reler a minha história. Uma história de verdade, sem heróis ou bandidos, apenas uma garota como protagonista, que busca sua evolução como pessoa e como espírito, pela forma que escolhi: Pelos Mistérios da Antiga Fé.