quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

'O bem de hoje pode ser o mal de amanhã'

Esse é um pensando que permeia a minha caminhada há muito tempo, pois a vida com seus altos e baixos nos comprova que essa é uma afirmação verossímel. Porém, reconhecer e aceitar que, por exemplo, um lindo, intenso e o mais apaixonado amor pode se tornar algo ruim, a ponto de fazer-nos romper um relacionamento, ou que um pensamento, ideologia, ou fé que nos move hoje  pode, no futuro, não fazer mais parte de nós por termos mudado, ou algo que 'nunca faríamos' se tornar algo comum em nosso dia-a-dia, ou qualquer outro sentimento/fato/situação que hoje consideramos essencial e bom para nós e que no futuro pode se transformar em algo que não esperávamos, não é fácil.
Embora já acreditasse nisso, no curso intensivo que fiz nas duas últimas semanas, isso foi repetido várias vezes. E bem, eu pensava que já havia assimilado e reconhecido que não devemos ser dependentes de nada, pois tudo é volúvel/mutável, mas algumas mudanças, quando vem do nada é difícil de aceitar. E o meu bem, de um dia pro outro, virou o meu mal...
No final do referido curso, tivemos uma vivência para encontrarmos o mal presente no obuscuro de nossa mente para depois ascendermos em direção ao Divino presente em cada um de nós e durante o procedimento tudo ocorreu bem, mas logo após ter terminado, uma série de sensações e pensamentos ocuparam meu corpo mundano. E eu percebi que criei um Demônio gigante dentro de mim, chamado Insegurança.
Sempre soube que existiam Demônios que me acompanhavam, uns criados por mim mesma e outros externos, mas no fim das contas, acho que já estava me acostumando com certas situações. Mas o que mais me deixou triste ontem/hoje é que algo que eu considerava o mais Divino, o mais Sublime, o mais encantador, o MAIOR contato com a Deusa que EU já tive até hoje pode no final estar me fazendo mal e não somente isso, provém da Insegurança, pois precisei por muito tempo desse tipo contato para me manter na Fé.
Quantas vezes eu chorei quando já não sentia a Sua presença mais em nada, quantas vezes eu me entreguei ao amor desejosa que fosse TANTO amor, tão verdadeiro e intenso que a Deusa quisesse fazer parte disso e me habitasse, quantas vezes foi só assim que pude a sentir. E agora, um sentimento de despedida está fazendo eu ao escrever isso, sentir necessidade de chorar muito e mais tarde, em casa, chorar mais um pouco, e daí depois, quando eu estiver recuperada, levantar a cabeça sabendo que agora iniciará de fato um novo momento em minha vida, um momento que aprenderei sentí-la de outro modo, mais consciente e talvez menos desgastante.
Mas primeiro, eu tenho que exorcizar o que acredito ser no momento o meu maior problema: a falta de confiança em mim mesma. A Renata, minha namorada, disse que eu sou 'espertinha' e me questionou: 'E as pessoas que não tiveram essa experiência, não tem outro modo de sentir tão intensamente a Deusa? Tu tá querendo ir pelo modo mais fácil!' Isso me deixou um tanto chatiada. Não, não é querer um modo mais fácil, até porquê eu quero estudar, me dedicar, para sentí-la em plenitude, em todos os momentos e não apenas em uma determina situação de prazer. Mas é quase uma despedida, são três anos que isso ocorre, é quase um relacionamento. E me dói saber que até eu estiver mais reconectada, possa me sentir vazia, de novo.
Tenho medo de não ter fé, tenho medo de não conseguir mais sentí-la, tenho medo de ficar sozinha, tenho medo...! Mas não vai ser ele que vai me imolizar, pois se uma coisa eu aprendi nessa jornada de duas semanas é que as Dualidades devem ser aceitas, e que para eu conseguir seguir e me desenvolver eu preciso dar os meus passos, sozinha, para encontrar o meu caminho, o meu equilíbrio, eu preciso saber até onde eu posso ir. E se o meu bem acabou se tornando um mal que preciso me libertar, o meu mal, tenho certeza, voltará ser o meu bem, pois sei que aprenderei algo com tudo isso. E agora, por mais que seja difícil, ao ser dona do meu próprio corpo e vontade, vou ir à batalha lutar contra o que me limita: eu mesma.


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