Já fazia algum tempo que sabia que a prova estava marcada para o dia 03/março e eu, embora estivesse ansiosa suficiente para que tudo o que eu sabia se perder no ar, eu não fiz nada para me preparar: Não estudei o suficiente, não ritualizei, não me conectei com o ar para que os ventos sábios dos silfos viessem até mim, ou seja, não me preocupei. Pra mim, uma seletiva que exigia como conhecimento básico apenas sabbaths, esbaths e elementos estava dada, extremamente fácil, afinal realmente é o que de início é o mínimo que precisamos saber. E eu sabia, ao menos lembrava que em algum tempo da minha vida eu sabia. Mas ao chegar ao local no horário marcado uma sensação estranha se apossou de mim: medo, dúvida, e o enjoo que me acompanhou da metade da semana até o fim dela, se intensificou. Uma única certeza eu tive nesse momento: devia ter estudado mais, relido, relembrado, encantado a caneta, qualquer coisa que garantisse que eu me sairia melhor no que eu estava me propondo a fazer minutos seguintes, mas não foi o que ocorreu.
Iniciou a seletiva, um momento de tensão comparado a provas de vestibular/concurso público que acredito que estava no interior de todos os presentes, neste momento os mestres da tradição deram as informações necessárias de como seriam a pós-seletiva para os que serão selecionados. Entregaram as provas, abri o caderno com as questões que me deram e partir daí, me senti de fato em um vestibular da Bruxaria!
A prova não estava difícil, acredito que a maioria se saiu muito bem nela, mas pra mim foi tão estranho! Parecia que eu não sabia de nada que estavam falando, parecia que o meu raciocínio não estava funcionando e eu, que me julgava passada sem dúvidas, comecei a duvidar disso. Talvez tenha sido nervosismo demais, talvez tenha sido falta de preparo, talvez tenha sido o meu enjoo que me atrapalhou e que fez eu deixar em branco boa parte das questões, talvez tenha sido a prova múltipla escolha que me prejudicou (não gosto de testes assim, estou mais acostumada com as provas dissertativas da Universidade e de fato prefiro dessa forma) ou talvez tenha sido pura prepotência que tenha me atrapalhado. É, creio que tenha sido essa última opção. Sei que errei coisas banais, mas sinceramente, disso eu me relembrei de uma antiga lição: Tenha humildade e só comemore quando realmente ter conquistado o que buscavas. Surpreendo-me as vezes com o quanto eu ainda tenho que viver para aprender a de fato me sentir uma igual em relação aos outros. Pois sei que muitos devem ter ido muitas vezes melhor que eu, pessoas que talvez eu nem 'apostaria'. Mas infelizmente comigo ainda é assim: ou eu me sinto maior, ou me sinto menor. Nunca em paridade. Porquê? Realmente não sei, talvez um problema psicológico da infância mal resolvido ou um complexo de superioridade/inferioridade maior do que o comum.
Foi estranho quando saí do local, a maioria das pessoas estavam tão tensas quanto eu, pois de fato a tarde de ontem e o resultado dela é definidor desse ano inteiro e de muitos outros que virão. Mas confesso que até gosto quando eu caio assim, um verdadeiro tapa na cara dos Deuses que me fazem acordar: 'Paciência, calma, persistência, humildade.' Não sei qual será o resultado da seletiva, mas creio que não atingi os 80% que pedem, a resposta chegará amanhã e dependendo ficarei ou muito feliz ou muito triste, no entanto, o mais importante eu já tive como resposta ontem mesmo. Sei que estou em falta com a Deusa já faz muito tempo, ter lido sobre o paganismo e suas ritualísticas para ontem de fato era necessário, mas o primordial era ter vivenciado. Com a vivência o conhecimento sobre o assunto de intensifica e a conexão com os Deuses ficam mais fortes e eu, quanto tempo eu não comemoro uma roda inteira? Quanto tempo eu não faço um Esbath pra Lua? Quanto tempo eu não abro portais? Acho que provavelmente nem possuo mais a ligação que me permitia chamar a força da terra, da água, do fogo e do ar e muito menos os meus companheiros que guardaram por vezes os quadrantes enquanto eu, sozinha no meu pátio, cantava e e ritualizada com os Deuses. Borboletas amarelas, Serpente Negra Prateada, Peixe Multicolorido e meu Tigre, hoje percebo que faz muito mais tempo do que imaginava que não encontro vocês. Sinto saudade.
Sinto saudade da presença deles, mas mais do que isso, sinto saudade de voltar a ter coragem para vivenciar com os seres de outros planos. Quando saí do primeiro grupo do qual eu participei, lembro que fiquei um pouco receosa e fui deixando as coisas para depois, pois tinha medo de não sustentar a egrégora, afinal uma pessoa sustentando é bem mais complicado do que uma dúzia. E daí fui deixando pra depois, até simplesmente nem sentir mais vontade, pois a rotina acabava com a minha energia e não sobrava tempo pra nada. Fiquei por muito tempo tentando ainda mostrar pra mim que isso era algo necessário para o meu ser e dessa forma, como uma maneira de 'consolação' eu lia, muito. Mas depois, nem isso, deixei de pesquisar, deixei de ter vontade de comprar livros, deixei de procurar fontes, deixei de ler livros e dei TODOS que tinha (Exceto dois, muito importantes pra mim). Aos poucos fui me afastando até não sobrar quase nada, pois tudo se foi, só a vontade ficou. E foi essa vontade, a magia da vontade, que me impulsionou a tentar retomar de alguma forma e ontem participar de uma seletiva teórica que permitirá a quem passar a vivenciar os Mistérios.
Ontem eu estava de uma certa forma fora do meu eixo normal e no formulário que pedia que escrevêssemos algo sobre nós/vida mágica/o que achávamos, eu dei respostas curtas, mas teve algo que escrevi que eu reforço aqui: Estou triste é claro pelo o meu desempenho abaixo do que eu esperava, porém eu estou feliz, pois em cada questão que tinham várias opções de respostas para dar, em cada uma uma parte de minha mente pensava sobre o que era questionado e outra viajava, literalmente. E essa viagem me levou a lugares antigos e reviveram situações, mas acima de tudo me mostraram que eu estava vivendo de lembranças! Eu lembrava que sabia e que tinha vivenciado em tal época e por isso não me preocupei em estudar, mas com o rodar da Roda as coisas foram se perdendo e eu nem tinha percebido. As minhas memórias são ótimas, honro e admiro elas, mas agora é hora do novo!

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