quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Diário aromático (1)

Bem, como sabem, eu estudo na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Tá, não é exatamente isso, pois minha carta não chegou aos 11 anos, mas aos 25 chegou a notícia de uma bolsa integral do Prouni, depois de muito esforço, dedicação e uma força de Atena para cursar Naturologia, que é quase a mesma coisa que a escola do Harry. Aqui a gente estuda de tudo, elementos, xamanismo, alquimia, um pouco de astrologia e por ai vai e agora estamos nos aprofundando no Poder das Plantas, a partir da Aromaterapia. A princípio, para a disciplina, um dos elementos de avaliação será o 'Diário Aromático', que basicamente será uma descrição da percepção pessoal de cada óleo essencial. Dessa forma, como acredito que todo compartilhar de saberes é importante, e como também as percepções são bem pessoais e tem conexão direta com minha jornada espiritual, vou escrever aqui também algumas percepções. Já cheirei alguns óleos, mas o primeiro que quero descrever é sobre a Lavanda. 

Lavanda - a busca pelo Eu Sou

Aspectos sutis: Óleo da individualidade | Equilíbrio | Insight | Equilibrador | razão e emoção | Auxilia na transformação de sensações, emoções e pensamentos (ex: raiva, medo, insegurança, frustração, etc) | Traz aceitação | Auxilia a promoção de mudanças, visão de novas possibilidades | Desenvolve a
energia feminina, receptividade, confiança | Para aquelas pessoas que tem dificuldades em olhar para si mesmo | A lavanda tanto faz internalizar como externalizar.

Percepções pessoais: Já havia cheirado a lavanda muitas vezes, mas nunca tinha feito um trabalho profundo com a lavanda, nunca tinha permitido que ela tocasse em camadas mais profundas do meu ser, nunca tinha percebido a terapêutica dela. Mas quando me abri para ela, ela me mostrou muitos aspectos de mim: na primeira vez, ela fez eu acessar um estado Zen total, pois não pensava e nem sentia nada, era uma sensação de estar vazia, mas esse vazio não era o vazio existencial, e sim o vazio que te tira tudo o que não é seu verdadeiramente. Fazia muito tempo que não me sentia tão leve, fazia muito tempo que eu não carregava tanta dor no peito e tanto peso nas costas. Foi tão diferente sentir isso, que no primeiro momento foi quase ruim, porque mesmo o peso, a dor, a angustia, eram coisas conhecidas, mas o que fazer com o vazio? Iria me preencher do que? Mas isso foi passando, e aos poucos só ficou a paz, uma grande paz de ser quem eu sou.
Na segunda vez, ela me fez chorar instantaneamente. Ou seja, ser quem eu sou também implica encarar o que estou passando e que por medo renego. Não queria sentir tristeza e bloqueei esse sentimento em alguma camada da minha psique, mas quando vi as lágrimas estavam escorrendo e uma porta do meu ser estava se abrindo.
A lavanda faz isso, faz com que silenciemos e nos conheçamos na integralidade. É uma força muito amorosa, mas nem sempre os ensinamentos são fáceis, pois tudo depende de como lidamos com nosso eu. Mas ela faz você ser você, faz se conhecer, faz sentir o choro se tiver que chorar, faz gargalhar se essa é sua essência. A lavanda lava nossa alma, nos deixa puros em nossa essência.

Jornadas Xamânicas

A formação universitária que realizo é mágica, pois em vários momentos sinto-me como na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Um desses momentos que posso descrever com grande gratidão é a disciplina de Xamanismo. Xamanismo em uma universidade? Sim, isso é Nova Era, pois mostra que os saberes ancestrais novamente estão interagindo com todos os círculos de conhecimento, todos os espaços, todos os seres.
Entre as jornadas realizadas, duas ainda estão ressoando em meu ser: a com o animal de poder e a da queda livre do precipício. A Jornada com o animal de poder me levou a vários mundos. Minha Puma caminhou comigo por entre uma caverna cheia de morcegos, desceu camadas subterrâneas, passou por uma árvore com serpente cheia de maçãs e me mostrou um novo mundo. Lá, abaixo, um verdadeiro paraíso. Mas como eu poderia chegar até lá? Subitamente me transformei em um pássaro branco, talvez em um pomba, e voei até chegar à copa de uma árvore. De cima da árvore vi rios, vi uma floresta vasta, vi uma girafa e um elefante. Mas nesse momento comecei a subir, flutuando, em direção aos céus e quando dei por mim estava na lua. Na Lua haviam crianças grandes e elas me receberam em ciranda, eu no meio, não conseguia entender o que estava acontecendo e aos poucos fui invadida pelo medo, pois enquanto as crianças rodavam e cantavam, eu flutuava e caía no chão com força o que me fez imaginar, nessa hora, que os buracos da lua tinham sido feitos dessa forma. Depois disso, fui aos poucos voltando para o paraíso que tinha avistado inicialmente, eu, nessa hora como puma, fui em direção da girafa e do elefante para atacá-los, pelo que entendi, mas logo atrás deles o rio que eu tinha visto primeiramente, estava pleno de sangue e caminhavam por ele gigantes de pedras. Nesse momento resolvi voltar e passei por todas as partes da caverna e ao sair dela, vi algo que não tinha visto antes: um gigantesco, enorme, casco de tartaruga. Fui em direção a esse casco e dentro dele tinham os ancestrais matriarcas e ao centro do círculo que elas estavam haviam um pote circular repleto de água, mas quando eu olhei para dentro parecia uma pequena parte do céu, repleto de estrelas, constelações e movimento. Nessa hora a matricarca falou-me sobre responsabilidades e, em um instante, estava consciente em meu corpo, acordada para essa realidade 3D.
Outra vivência realizada no Xamanismo foi a de 'se deixar cair'. Eu estava diante de um penhasco e estava com bastante receio do que poderia acontecer. Não é fácil para mim me libertar, me deixar livre, me sentir sem segurança. E que segurança eu tinha de me jogar diante de um penhasco? Nenhuma, evidentemente. Mas à ordem do Xamã eu me joguei e a queda parecia não ter fim. Mas conforme fui caindo, muitas imagens passaram em minha mente e a sensação palpável era que eu estava entrando em muitas camadas de mundos, mundos que não costumamos ver com olhos  humanos destreinados. Mas em uma hora em caí no mar, fiquei um pouco assustada, pois não sei nadar muito bem, na verdade não sei nadar, e apenas confiei que a minha segurança só dependia de mim mesma, pois não havia nada que eu pudesse fazer, não havia nada onde eu pudesse me agarrar. Confiei. Muitos animais aquáticos se aproximaram de mim e como eu não tenho meu animais de portais confirmados, resolvi perguntar 'algum de vocês é meu animal de portal?' e eis que esses animais se afastam e vem nadando um golfinho até mim. Sua Medicina é de pureza, alegria e amor incondicional e a energia dele desperta conexão maior com a natureza, além de nos fazer mergulhar nas profundezas de nosso ser e, também, auxilia em nossos processos terapêuticos. Foi uma grande benção recebê-lo como animal guardião, pois ele me mostrou o mais profundo de mim, a minha escuridão enquanto água, de forma leve, suave, amorosa e gentil.
Essas duas jornadas estão ainda tocando em meu coração, pois foram muitos presentes, mas também muitas mensagens. O que será que elas vieram me dizer? Que o Grande Mistério e a Grande Mãe possam me guiar em meu trilhar para eu poder entender ainda mais sobre a minha essência.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre Saberes Ancestrais (2)

‘Quem quer que esteja presente é a pessoa certa para estar aqui'.

'Seja quando for que começamos, é o tempo certo’.

‘O que acontece é a única coisa que poderia ter acontecido. 
Quando acaba, acaba'. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

'Tudo é como tem que ser'

O meu ser carrega uma força destruidora. Percebo essa energia quando qualquer pessoa que chega até mim acaba se destruindo, caindo todas as camadas de máscaras, conceitos, sentimentos e sensações. Tudo que era conhecido é destruído, conforme interage diariamente comigo. Não gosto de carregar essa força, não sei porque a tenho, mas a cada dia mais eu tenho a certeza de que tudo é como tem que ser. Por isso peço perdão a todos que destruí suas muralhas protetivas e aproveito para dizer que a melhor forma de ser forte é viver.

Se hoje as paredes desmoronam, é para dar lugar a construção de uma nova morada interior!


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Somos seres inacabados'

Segunda Feira, dia 14 de agosto, logo pela manhã a primeira disciplina é de Bioética: o entendimento de ser ético com todas nossas relações, com todos os seres com que interagimos. Somos seres inacabados, socialmente em formação e em constante transformação e crescimento.
Mas para crescermos é necessário interagir com o outro, sentir com o outro, sonhar com o outro. É esse contato com novas formas de pensamentos que nos permite avançar, modificar, sair de padrões antigos. Nessa hora me coloco em questionamento de quantas vezes já me transformei apenas com o interagir com uma única pessoa que me formou, me moldou, produziu parte do meu ser. E é lógico, essa mudança tão forte não foi apenas em mim, pois tudo é rede, tudo é  vibracional, tudo ressoa. 
'Somos seres inacabados', é a afirmação que mais escuto nessa manhã e ao invés de fazer anotações como uma aluna aplicada, estou aqui escrevendo sobre a única coisa que entendo nesse momento: não me sinto inacabada, sinto-me acabada, fragmentada, reprimida.  No entanto, é importante se expressar, é importante perceber que não estou só, afinal todo ser é social e uma hora, talvez amanhã, talvez daqui alguns anos, vou acordar e perceber que posso crescer com o relacionar com outras pessoas. E, eu espero, que a pessoa que até aqui me moldou como barro, também possa florir. E, também, que com suas teias de aranha que é símbolo de sua força possa tecer relações mais saudáveis. 'Somos seres inacabados' e isso, agora, me ressoa como uma força de esperança. Assim espero, pois é doloroso demais sentir-se no ponto final da viagem.

domingo, 13 de agosto de 2017

'Apenas começamos'

É domingo, dia dos pais, dia de teoricamente estar em família. É domingo, o dia da semana que sempre era possível ela e eu ficarmos na cama até mais tarde, juntas, sem culpa. É domingo e o silêncio, quem me faz maior companhia, me lembra que muitas casas hoje estão cheias e provavelmente a casa dela também esteja. Hoje é domingo, a minha família era ela, hoje é dia de solidão. 
Hoje está sendo aqueles dias de chorar sem parar e acho, inclusive, que até sou eu quem está influenciando o clima de chuva por aqui, pois quanto mais choro, mais chuva cai lá fora: São Pedro aproveitou o feriado e deixou o domínio da chuva para mim já que fui acusada de muitas coisas hoje e isso intensificou o meu chorar: mau caráter, egoísta, falsa, sugadora, manipuladora. Penso que talvez esses sejam mesmo aspectos que eu possua em minha sombra. Dessa forma, li essas palavras e aceitei, mas o que definitivamente não aceito, é ter alguém que acredite poder falar de forma tão leviana de uma relação tão profunda. Chorei mais. Mais chuva, mais tempo cinza, mais tormentas em meu ser.
Mas, depois do chorar, esse choro que está indo e vindo como ondas do mar, veio o vazio, o silêncio e a vontade de deixar em minha memória só o que realmente foi ela que disse, a flor do campo de meus dias, o novo mantra de 'apenas começamos'. E eu sei que isso é verdade. Claro, não posso vendar-me e ignorar todos os processos que nos fez chegarmos até esse ponto da jornada, mas sei - ou será ilusão? - que é possível ainda andarmos juntas com mais acolhimento, respeito, carinho e entendimento. 
Por isso decidi silenciar-me, decidi que a partir de agora minhas palavras não irão mais ferir, decidi que é possível enxergar no meio de toda essa escuridão, decidi que seguirei as tochas de Hécate e irei chegar ao fim da floresta mais forte, confiante, sábia e acolhedora.
É curioso, mas ela sempre reclamou que não tinha nada sobre ela aqui nesse blog 'e eu não sou importante na tua jornada?' e eu sempre dizia 'claro que é', mas hoje eu sei que ela me ensinou a lição mais difícil de aprender em minha jornada de vida: tudo, absolutamente tudo, é cíclico, assim como as fases da natureza, as 4 estações, o nascer e o morrer de uma flor.
Não gostaria de ter aprendido essa lição dessa forma, mas grandes mestres sempre dizem que ou aprendemos no amor ou na dor. Na minha vida, logo eu tão sonhadora e de sentires intensos, costumeiramente tenho aprendido na dor. Talvez porque para ser um aprendizado no amor, primeiramente, eu tenha que saber amar a mim e ao outro.

E eu vou aprender amar, porque é esse sentimento que faz a vida valer a pena ser vivida.

Laylah Cauac