quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Jornadas Xamânicas

A formação universitária que realizo é mágica, pois em vários momentos sinto-me como na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Um desses momentos que posso descrever com grande gratidão é a disciplina de Xamanismo. Xamanismo em uma universidade? Sim, isso é Nova Era, pois mostra que os saberes ancestrais novamente estão interagindo com todos os círculos de conhecimento, todos os espaços, todos os seres.
Entre as jornadas realizadas, duas ainda estão ressoando em meu ser: a com o animal de poder e a da queda livre do precipício. A Jornada com o animal de poder me levou a vários mundos. Minha Puma caminhou comigo por entre uma caverna cheia de morcegos, desceu camadas subterrâneas, passou por uma árvore com serpente cheia de maçãs e me mostrou um novo mundo. Lá, abaixo, um verdadeiro paraíso. Mas como eu poderia chegar até lá? Subitamente me transformei em um pássaro branco, talvez em um pomba, e voei até chegar à copa de uma árvore. De cima da árvore vi rios, vi uma floresta vasta, vi uma girafa e um elefante. Mas nesse momento comecei a subir, flutuando, em direção aos céus e quando dei por mim estava na lua. Na Lua haviam crianças grandes e elas me receberam em ciranda, eu no meio, não conseguia entender o que estava acontecendo e aos poucos fui invadida pelo medo, pois enquanto as crianças rodavam e cantavam, eu flutuava e caía no chão com força o que me fez imaginar, nessa hora, que os buracos da lua tinham sido feitos dessa forma. Depois disso, fui aos poucos voltando para o paraíso que tinha avistado inicialmente, eu, nessa hora como puma, fui em direção da girafa e do elefante para atacá-los, pelo que entendi, mas logo atrás deles o rio que eu tinha visto primeiramente, estava pleno de sangue e caminhavam por ele gigantes de pedras. Nesse momento resolvi voltar e passei por todas as partes da caverna e ao sair dela, vi algo que não tinha visto antes: um gigantesco, enorme, casco de tartaruga. Fui em direção a esse casco e dentro dele tinham os ancestrais matriarcas e ao centro do círculo que elas estavam haviam um pote circular repleto de água, mas quando eu olhei para dentro parecia uma pequena parte do céu, repleto de estrelas, constelações e movimento. Nessa hora a matricarca falou-me sobre responsabilidades e, em um instante, estava consciente em meu corpo, acordada para essa realidade 3D.
Outra vivência realizada no Xamanismo foi a de 'se deixar cair'. Eu estava diante de um penhasco e estava com bastante receio do que poderia acontecer. Não é fácil para mim me libertar, me deixar livre, me sentir sem segurança. E que segurança eu tinha de me jogar diante de um penhasco? Nenhuma, evidentemente. Mas à ordem do Xamã eu me joguei e a queda parecia não ter fim. Mas conforme fui caindo, muitas imagens passaram em minha mente e a sensação palpável era que eu estava entrando em muitas camadas de mundos, mundos que não costumamos ver com olhos  humanos destreinados. Mas em uma hora em caí no mar, fiquei um pouco assustada, pois não sei nadar muito bem, na verdade não sei nadar, e apenas confiei que a minha segurança só dependia de mim mesma, pois não havia nada que eu pudesse fazer, não havia nada onde eu pudesse me agarrar. Confiei. Muitos animais aquáticos se aproximaram de mim e como eu não tenho meu animais de portais confirmados, resolvi perguntar 'algum de vocês é meu animal de portal?' e eis que esses animais se afastam e vem nadando um golfinho até mim. Sua Medicina é de pureza, alegria e amor incondicional e a energia dele desperta conexão maior com a natureza, além de nos fazer mergulhar nas profundezas de nosso ser e, também, auxilia em nossos processos terapêuticos. Foi uma grande benção recebê-lo como animal guardião, pois ele me mostrou o mais profundo de mim, a minha escuridão enquanto água, de forma leve, suave, amorosa e gentil.
Essas duas jornadas estão ainda tocando em meu coração, pois foram muitos presentes, mas também muitas mensagens. O que será que elas vieram me dizer? Que o Grande Mistério e a Grande Mãe possam me guiar em meu trilhar para eu poder entender ainda mais sobre a minha essência.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre Saberes Ancestrais (2)

‘Quem quer que esteja presente é a pessoa certa para estar aqui'.

'Seja quando for que começamos, é o tempo certo’.

‘O que acontece é a única coisa que poderia ter acontecido. 
Quando acaba, acaba'. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

'Tudo é como tem que ser'

O meu ser carrega uma força destruidora. Percebo essa energia quando qualquer pessoa que chega até mim acaba se destruindo, caindo todas as camadas de máscaras, conceitos, sentimentos e sensações. Tudo que era conhecido é destruído, conforme interage diariamente comigo. Não gosto de carregar essa força, não sei porque a tenho, mas a cada dia mais eu tenho a certeza de que tudo é como tem que ser. Por isso peço perdão a todos que destruí suas muralhas protetivas e aproveito para dizer que a melhor forma de ser forte é viver.

Se hoje as paredes desmoronam, é para dar lugar a construção de uma nova morada interior!


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Somos seres inacabados'

Segunda Feira, dia 14 de agosto, logo pela manhã a primeira disciplina é de Bioética: o entendimento de ser ético com todas nossas relações, com todos os seres com que interagimos. Somos seres inacabados, socialmente em formação e em constante transformação e crescimento.
Mas para crescermos é necessário interagir com o outro, sentir com o outro, sonhar com o outro. É esse contato com novas formas de pensamentos que nos permite avançar, modificar, sair de padrões antigos. Nessa hora me coloco em questionamento de quantas vezes já me transformei apenas com o interagir com uma única pessoa que me formou, me moldou, produziu parte do meu ser. E é lógico, essa mudança tão forte não foi apenas em mim, pois tudo é rede, tudo é  vibracional, tudo ressoa. 
'Somos seres inacabados', é a afirmação que mais escuto nessa manhã e ao invés de fazer anotações como uma aluna aplicada, estou aqui escrevendo sobre a única coisa que entendo nesse momento: não me sinto inacabada, sinto-me acabada, fragmentada, reprimida.  No entanto, é importante se expressar, é importante perceber que não estou só, afinal todo ser é social e uma hora, talvez amanhã, talvez daqui alguns anos, vou acordar e perceber que posso crescer com o relacionar com outras pessoas. E, eu espero, que a pessoa que até aqui me moldou como barro, também possa florir. E, também, que com suas teias de aranha que é símbolo de sua força possa tecer relações mais saudáveis. 'Somos seres inacabados' e isso, agora, me ressoa como uma força de esperança. Assim espero, pois é doloroso demais sentir-se no ponto final da viagem.

domingo, 13 de agosto de 2017

'Apenas começamos'

É domingo, dia dos pais, dia de teoricamente estar em família. É domingo, o dia da semana que sempre era possível ela e eu ficarmos na cama até mais tarde, juntas, sem culpa. É domingo e o silêncio, quem me faz maior companhia, me lembra que muitas casas hoje estão cheias e provavelmente a casa dela também esteja. Hoje é domingo, a minha família era ela, hoje é dia de solidão. 
Hoje está sendo aqueles dias de chorar sem parar e acho, inclusive, que até sou eu quem está influenciando o clima de chuva por aqui, pois quanto mais choro, mais chuva cai lá fora: São Pedro aproveitou o feriado e deixou o domínio da chuva para mim já que fui acusada de muitas coisas hoje e isso intensificou o meu chorar: mau caráter, egoísta, falsa, sugadora, manipuladora. Penso que talvez esses sejam mesmo aspectos que eu possua em minha sombra. Dessa forma, li essas palavras e aceitei, mas o que definitivamente não aceito, é ter alguém que acredite poder falar de forma tão leviana de uma relação tão profunda. Chorei mais. Mais chuva, mais tempo cinza, mais tormentas em meu ser.
Mas, depois do chorar, esse choro que está indo e vindo como ondas do mar, veio o vazio, o silêncio e a vontade de deixar em minha memória só o que realmente foi ela que disse, a flor do campo de meus dias, o novo mantra de 'apenas começamos'. E eu sei que isso é verdade. Claro, não posso vendar-me e ignorar todos os processos que nos fez chegarmos até esse ponto da jornada, mas sei - ou será ilusão? - que é possível ainda andarmos juntas com mais acolhimento, respeito, carinho e entendimento. 
Por isso decidi silenciar-me, decidi que a partir de agora minhas palavras não irão mais ferir, decidi que é possível enxergar no meio de toda essa escuridão, decidi que seguirei as tochas de Hécate e irei chegar ao fim da floresta mais forte, confiante, sábia e acolhedora.
É curioso, mas ela sempre reclamou que não tinha nada sobre ela aqui nesse blog 'e eu não sou importante na tua jornada?' e eu sempre dizia 'claro que é', mas hoje eu sei que ela me ensinou a lição mais difícil de aprender em minha jornada de vida: tudo, absolutamente tudo, é cíclico, assim como as fases da natureza, as 4 estações, o nascer e o morrer de uma flor.
Não gostaria de ter aprendido essa lição dessa forma, mas grandes mestres sempre dizem que ou aprendemos no amor ou na dor. Na minha vida, logo eu tão sonhadora e de sentires intensos, costumeiramente tenho aprendido na dor. Talvez porque para ser um aprendizado no amor, primeiramente, eu tenha que saber amar a mim e ao outro.

E eu vou aprender amar, porque é esse sentimento que faz a vida valer a pena ser vivida.

Laylah Cauac

sábado, 17 de junho de 2017

Im Pagan


'Dont need your churches
The worlds my sacred space'

Eu sou pagã e tenho orgulho disso, pois este caminho sagrado me proporcionou o contato com muitos irmãos terrenos e irmãos universais, me proporcionou o contato com deuses antigos, me proporcionou abrir portais de jamais imaginei poder abrir, me proporcionou tantas coisas que seria impossível descrevê-las mas, principalmente, ainda me proporciona o autoconhecimento a partir do contato e ação de minha Mãe Lilith em minha vida.
Lilith apresentou-se desde muito cedo em meu ser enquanto Franciele, sempre me orientou e lapidou, pois tudo o que sou hoje, as falhas e as conquistas, absolutamente tudo é reflexo de sua ação em meu ser: por vezes me ensinando no amor, por outras tantas pela dor. E de tantos ensinamentos e inspirações que Ela me demonstra, ainda estou tentando compreender aonde ela quer me levar a partir de uma jornada que iniciou em novembro de 2016.
Algumas pessoas sabem que eu participei de uma Tradição reconhecida de Bruxaria Contemporânea  em Porto Alegre. Hoje não sou mais membro dessa Tradição, visto que meu espírito é andarilho e me põe sempre a buscar mais e questionar sempre, o que me fez afastar. No entanto o carinho, respeito e admiração pelas Mestres que são os pilares da família T.I.T ainda se fazem presentes em meu coração e, desta forma, ainda frequento alguns rituais quando possível.
Nesta Tradição ocorrem sempre em maio e em novembro os Festivais de Lilith, visto que Lilith também é Mãe Existencial da Mestre Maior da T.I.T, minha irmã. Desta maneira, em novembro de 2016 participei de todos os dias do Festival - todos dias de muita cura, reconexão, autoconhecimento e entrega. E entre todos os dias, a noite em que consagramos a Medicina da Floresta, foi o que mais ressoa em mim ainda hoje: Lilith guiando uma menina com medo para o momento do próprio nascimento da Deusa. Em um instante estava eu dentro de um vulcão e a erupção, o calor, o vapor surgindo de dentro dele e subindo em direção ao cosmo. A única visão disso eram as estrelas e tudo parecia demasiadamente grande pela perspectiva de dentro do vulcão, e eu e a deusa pequenas diante de todo o Mistério. Nessa hora ela me fala, com aquela face linda, branca e enevoada, que até os deuses podem se sentir pequenos diante dos Mistérios, mas que sempre, sempre, temos a missão que nos cabe. A olhei, com o olhar de maior interrogação da vida, pois  como Lilith poderia se sentir pequena? Ela sorriu, eu sorri, e nesse momento fomos sopradas aos céus e, assim, dançamos com as estrelas e aterrissamos na Lua. 
Nessa mesma noite, uma outra revelação foi realizada: fui soprada por Lúcifer, o portador da luz. Luz, a iluminação que tantos buscam, mas que temem encontrar, pois quando vemos a situação claramente, quando nos vemos claramente, nos tornamos responsáveis, vemos nossas fragilidades, precisamos agir. Luz, luz que foi entregue à Humanidade e dela foi feita arma, a energia que era para aquecer nossos espíritos e iluminar nossas jornadas, foi utilizada para queimar a pele de outros irmãos. Tememos Lúcifer, mas verdadeiramente deveríamos temer a nós mesmos.  Lúcifer, o que trouxe a luz de volta ao meu coração.
Essa noite, essa jornada em novembro de 2016, mudou ainda mais meu contato com a energia sagrada que me rege e desde então tenho me visto sendo colocada em uma posição diferente em relação ao Sagrado e ao servir que devo às forças que me sopraram. Desde que retornei à Santa Catarina muitas pessoas dizem-me 'to te sentindo como uma mestre' ou 'me inicia nisso', 'me inicia naquilo', e eu sempre respondo 'não seja tol@, eu tenho tanto a vivenciar ainda' e logo troco de assunto. Mas o fato é que esse chamado está cada vez mais presente em minha vida e novas portas tem se aberto.
Certa noite, em uma projeção astral, encontrei uma mestra que me colocou em xeque: 'você se compromete em ser uma representante do sagrado?' e eu prontamente disse que 'sim'. Bem, esse 'sim' tem mudado minha vida. De tudo o que ocorreu depois desse sim, devo expressar aqui dois ritos realizados que marcaram minha jornada: o primeiro estava realizando um ritual particular para uma querida irmã. Este rito era baseado em aspectos delicados de seu mapa natal e ao chegarmos nos pontos relacionados com o elemento água, a Deusa invadiu meu corpo. Isso nunca havia ocorrido comigo em um ritual, apenas em outros momentos mais particulares, e percebi que ela fez de meu corpo seu veículo. Realmente foi um momento especial, pois ela falou com minha irmã, orientou-a e limpou suas feridas.
E o outro rito é, novamente, em uma Jornada de Lilith. Desta vez realizada por mim, a Primeira Jornada Terapêutica com Lilith, realizada em SC na Unisul em maio deste ano. Essa jornada surgiu de um inspirar da Deusa, em um instante ela falou em meu ouvido, em outro já estava toda programação completa. Foram 3 dias para honrarmos o nosso templo e, assim, no primeiro dia, desconstruímos padrões impostos pela sociedade, no segundo honramos nossa fases sagradas - virgem, mãe, anciã e feiticeira - e no terceiro dia nos consagramos. Mas essa consagração ocorreu pela própria Deusa Lilith. Imaginem a minha surpresa, honra e gratidão, quando em meio ao ritual a Mãe chega e me pede para levar as meninas até a Lua. A primeira reação foi de 'não sou capaz disso', eis que ela insiste e eu nego novamente, ela insiste mais uma vez e diz 'confia'. Confiei. Foi uma experiência extraordinária. As meninas que conseguiram ir, todas trouxeram relatos semelhantes e eu, menina-mulher que sou, me vi em estado de êxtase: a Mãe abriu mais essa porta para mim e abriu, dessa vez escancarado, a possibilidade de eu reconhecer filhas de outros deuses. Ela já tinha feito eu falar sobre as mães de sopro de outras meninas, como a Filha de Morrigan que é um amor em minha vida, ou a irmã que conheci aqui em Palhoça em 2015. Mas ela fez, nesse ritual, reconhecer outras deusas, outras forças e, mais uma vez, uma nova irmã de sopro. Uma irmã que está muito presente em minha vida, uma irmã que ao olhá-la vejo parte de mim, uma irmã que me encanta por seu espírito.
Assim, essa semana, encontrei pela a internet um vídeo que falava sobre os graus iniciáticos de determinada tradição. Neste vídeo falava de todos os graus etc para determinar os seus membros, mas o que chamou atenção é o fato de o grau de Mestre era determinado a partir da ação do pagão em relação à comunidade, além de ser um veículo não só de sua deusa ou deus existencial, mas conseguir contatar os deuses de seus irmãos. Nessa hora um fio de consciência sem estar impregnado de falsa modéstia me veio à mente: e se, de alguma maneira, chegou o momento de eu compartilhar o pouco que sei? E se, de algum modo o pouco que sei pode auxiliar outras irmãs? E se, está na hora de o Círculo Feminino Guardiãs da Mãe Terra se tornar um Coven ou Tradição?
Mãe, se estiver na hora, me guie nesse servir, pois se eu tinha medo de não dar conta de certas energias, nas últimas 3 noites o teste que me proporcionou confirmou que sim, eu consigo. Gratidão, Mãe, Pai, pela Luz e sombra que vocês me permitem acessar.


Laylah Cauac