sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yule


A vida estava se afastando de Gaia, pois o frio se tornava intenso e a fartura já não imperava nas despensas das famílias. Tudo era cinza e fora do local onde a Grande Deusa estava os animais encontravam-se moribundos, e a Mãe era iluminada pela lua cheia. Cheia, igual a ela, pois as duas são uma só. Porém como o sopro da vida que mostra que tudo é cíclico, Ela deu à luz a uma criação iluminada. Não foi um processo fácil, pois o nascimento de sua cria tão esperada lhe causou dor mas a deixou repleta de amor e até hoje, o Solstício de Inverno, vem nos lembrar que a noite mais escura e longa do ano traz em sua essência o parto demorado da Deusa: o sagrado ofício da Mãe que se transforma diversas vezes para garantir a continuação da existência de todos os seres.
A cria da Deusa era um menino, um ser que trazia em si toda a fé da renovação. Era a criança da promessa que iria se desenvolver, fortalecer, até tornar-se o Gamo Rei, o Consorte que plantará a semente em sua Mãe e Amante, para garantir o movimento circular e eterno. 
Para recebê-lo, os homens que celebravam a dança da vida e a Deusa que a todos ama, o ofertaram o pouco que tinham de melhor. Apesar da comida ser escassa e de quase todos os alimentos serem reaproveitados, a noite era uma grande festa: a vida havia voltado.
Apesar do povo antigo saber que ainda teriam dias frios pela frente, logo a Terra voltaria demonstrar seus primeiros sinais de renovação em Imbolc após a quarentena necessária depois de um longo parto. Quem tivesse força para superar esse período de desafios que terminaria no Sabbath do leite, a vida por mais uma roda era garantida. 
Mas a vida do Deus tornara a terra. O Deus que havia voltado do interior da sua Mãe, trazia a certeza que tudo ocorreria bem. E nós, mortais, agradecíamos no passado assim como agradecemos hoje, por toda força, coragem, luz, ousadia, felicidade e tantas outras bênçãos que a Deusa nos proporciona juntamente com seu filho e amado. A vida havia voltado e por isso era um momento de comemorar e celebrar a chama de luz que mostra que a humanidade não ficará na escuridão.


Muitas são as maneiras da Deusa nos falar

Grande troca. Grande energia! Mulheres que com certeza,
também sentem a ação da Deusa em seu interior.
Entre os dias 14-16 de junho obtive a felicidade e a sorte de participar de um evento revelador. A Nona Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa proporcionou, através de seus workshops, interação, troca, aprendizado e novas amizades. Em cada palestra assistida a revelação de uma visão nova sobre o Sagrado e a confirmação da certeza que a Deusa fala de diversas maneiras.
É interessante como o Divino age em nossas vidas: Fui à São Paulo com o objetivo de aprender sim algo a mais sobre essa energia a qual denominamos Deusa, mas acima de tudo, para pesquisar sobre os diferentes grupos que praticam a Antiga Fé, afinal, falar do qual participo não é academicamente aceito. Fui entender mais o que passa na mente de cada praticante sobre a energia feminina a qual nos criou, no entanto, durante esses três dias entendi mais sobre mim mesma.
Esse período pequeno fisicamente  foi crucial para entender melhor a nossa Grande Mãe, porém, muito mais
Filhos da Deusa e do Deus que compartilharam
suas alegrias comigo. Lembrarei sempre.
que isso, foi essencial para identificar a Deusa em mim. Em uma cidade tão grande, onde tudo me fazia sentir pequena e frágil tive que, sem escolha, deixar fluir dentro de meu ser a donzela caçadora. A Deusa, em sua face destemida e corajosa, presenteou-me com a capacidade de desbravar uma grande selva, não de plantas, mas de concretos enormes. A Donzela, a corajosa, a que está livre de qualquer influência externa e  que é apenas ela  mesma: assim eu fui.
Mas a Deusa também é a Mãe que gera qualquer coisa e que acolhe seus filhos. No processo de me conhecer enquanto mulher e expressão da Deusa na Terra, esse sentimento se apossou de mim. Tornei-me mais receptiva, fazendo-me acolher em meu coração cada pessoa que lá encontrei. Como uma verdadeira mãe, me importei com cada um e a partir disso, gerei dentro de mim um grande vínculo. Mas a Deusa não gera apenas filhos, pois de seu útero toda e qualquer magia é criada. Assim, percebi que dentro de mim uma sabedoria estava prestes a nascer e assim o foi. 
Essa sabedoria expressou-se de tal forma, que não tinha como duvidar que estava sendo tocada pela ancianidade da Deusa. A Mãe Velha que a tudo viveu e a tudo sabe, mostrou-me coisas que até então não sabia e falou por minha voz e tocou a outros corações. É Ela quem sabe os mistérios da vida e é Ela quem sabe por quais caminhos andar. Foi Ela, somente Ela, que me possibilitou aconselhar com propriedade algo que ainda não vivi, mas que por seu intermédio senti o que devia ser feito e falado.
Redescobri que habitam em mim
todas as faces da Grande Mãe.
Mas nenhuma dessas faces da Deusa poderia ter sentido em mim mesma se não tivesse me encontrado primeiro com uma em especial: A Deusa em seu aspecto negro, aquela que és feiticeira, aquela que está inteiramente em sua essência: pura, verdadeira e real. Somente se é possível entender que a Deusa age por cada mulher se nos olharmos e identificarmos realmente quem somos. E podemos ser muitas, assim como a nossa Grande Mãe. A face feiticeira me permitiu encantar-me por mim mesma e perceber os grandes feitiços que posso realizar, pois sou fêmea, sou Deusa na Terra, sou crescente, cheia, minguante e nova.
Tal compreensão permitiu me religar com o que há de mais sagrado em mim que é o poder latente que flui de meus desejos: O poder que flui, pois a Deusa está fora, mas também está dentro. O poder que flui, pois quando vivenciamos a magia de verdade, cada momento é mágico e cada ato é tocado pela força da Mãe. O poder que flui, pois muitas são as maneiras da Deusa nos falar. Esse é sem dúvida o poder que flui da essência! 
Por isso ser uma filha da Deusa é se perceber enquanto Deusa, é permitir que sejamos receptáculos de sua energia, é permitir se curar e assim, curar aos outros. E acima de tudo, é simplesmente ser quem é. Esses três dias me permitiram descobrir quem realmente sou e por esse motivo trago em minha memória cada pessoa que lá encontrei, pois mesmo de forma pequena e sem perceber me ensinaram sobre o meu eu. Fui verdadeira com cada um e isso fez com eu fosse verdadeira comigo e somente assim consegui compreender que a Mãe age sobre mim e me presenteia através de cada uma das suas energias.


Não poderia ter aprendido tanto, em tão pouco tempo. O que era pra ser um turismo cultural, transformou-se em um turismo interior e desvendei cada parte da Deusa existente em meus domínios. Gratidão Mãe, por falar e me permitir entender suas mensagens.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Poder Feminino contemporâneo: Das Tendas às Marchas

O último final de semana (25 e 26/maio) representou a busca pelo empoderamento da mulher, tanto no âmbito energético, quanto no social. O assunto em pauta foi o sexo - ágil -  feminino e sua forma de expressão, seu poder pessoal e sobre a maneira que a mulher é vista pela sociedade.
No sábado, dia 25, no encontro das MSCLC falamos sobre o feminino e seu aspecto Sagrado, a beleza e a energia do sangue menstrual, a vagina como um portal, entre outros assuntos relevantes para nos reconectarmos com o nosso 'eu' ancestral. Foi inacreditável o tamanho da troca e percebemos que essas questões ditas como 'tabus' precisam ser discutidas,  pois falar delas é um passo para a compreensão completa do nosso ser.
Vimos que a mulher é naturalmente poderosa, curadora e que possui diversas fases e faces e juntas identificamos que nós mulheres podemos gerar qualquer coisa o qual desejarmos. Ter a consciência que fomos aos poucos diminuídas, excluídas, tiradas de uma posição de poder permite que não nos conformemos com a visão machista e patriarcal que o homem possui hoje. Desmistificar o feminino atual e identificar a energia pulsante que possui em cada mulher, em cada útero, em cada vagina, em cada sangue, é primordial para buscarmos o que é nosso por direito: a igualdade.
As mulheres do passado, sábias de tribos, possuíam destaque, sabedoria, poder de cura, conexão com o sagrado, passe para outros mundos. Isso ocorria de forma natural, pois todas tinham total domínio de si, do seu corpo e de suas vontades. Eram mulheres livres, donas do seu ser e detentoras do absoluto poder de sangrar sem morrer.
Podem pensar que é tolo identificar a mulher como sagrada por sangrar sem morrer, afinal se  sabe todo o processo que rege o ciclo menstrual. Porém, engana-se quem pensa assim, pois hoje sabemos realmente e com maior profundidade sobre as propriedades do sangue menstrual e assim é possível de entender ainda hoje o quanto ele é sagrado. Entre tantos significados místicos possíveis de ser compartilhado aqui sobre o poder do sangue, prefiro dizer apenas um e de teor científico: O sangue menstrual é curador, sabemos que ele suga a energia aterrando o que há de negativo na terra. Mas foi descoberto recentemente que o sangue menstrual possui mais células tronco do que a medula óssea, podendo curar assim uma das maiores doenças da contemporaneidade. Tal descobrimento é a representação da ciência auxiliando e aumentando a compreensão da magia ancestral.
Evidente que o nosso sexo por ser tão poderoso, foi banalizado e demonizado pelas visões patriarcais. E o o que era divino, tornou-se impuro, nojento e pecaminoso. Conversar sobre isso foi o auxílio necessário para entendermos melhor nossa real importância em Gaia e como podemos realizar o nosso papel de forma mais eficaz. 
Foi com essa visão mais clara que participei mais uma vez da Marcha das
Vadias no domingo e com uma surpresa muito grande, tive a real noção do quanto as mulheres estão avançando, buscando e resgatando seu legado. Seja em círculos de mulheres, sejam em marchas feministas, o discurso é o mesmo: reencontrar o nosso lado mais selvagem, livre de paradigmas e sem ter que obedecer nada e nem ninguém além de nossos próprios corações. Vi diversos cartazes, muitos gritos de guerra, muitas mulheres nuas e seminuas, muitos homens e crianças apoiando as mulheres e tudo em prol da igualdade. Frases do tipo 'ela está nua, mas coberta de razão',  'eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero' e 'minha mãe me ensinou a ser livre' foram marcantes, pois foi a partir desse momento que percebi verdadeiramente que uma nova consciência está se formando.
Não é mais necessário de intermediários, ou de grandes movimentos para falar do empoderamento feminino. Todas e todos são capazes e aptos para falar de tais assuntos, pois são questões que estão ressurgindo de nosso inconsciente coletivo e indo diretamente para a ação. 
Isso foi uma inspiração e inspirou ação em mim: Notei-me mais forte, aguerrida, confiante em mim mesma, pois eu também sou capaz de fazer o que desejar. Da mesma forma que diversas mulheres gritaram e tiraram suas roupas pelos seus ideais e vontades, eu também tirei. Da mesma forma que essa efervescência está agindo no interior de cada um, também está agindo em mim, pois sou dona de mim mesma e faço parte dessa tribo que acredita em si, que vai em busca dos seus sonhos. 
Apenas a palavra 'único' pode realmente demonstrar o que senti nesse final de semana. Eu, enquanto Filha da Deusa, notei-me repleta de poder, de força, coragem e ousadia. Mais uma vez percebi que Ela está em todos os lugares, basta enxergá-la. E ao notá-la, assim em uma simples passeata, percebi que existem muitos meios para encontrá-la e que muitos são os seus presentes. Gratidão por reacender essa luz em meu caminho, gratidão por ter dado tão certo o encontro de sábado e gratidão por ter me impulsionado a ir na Marcha - sei que era uma forma de chamado. E principalmente, gratidão por fazer seguir essa trilha  de diversas causas e por ter sido um fim de semana tão revelador. Pois estou novamente te sentindo Mãe, em todos os momentos. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

A tenda vermelha

'Mãe, que eu saiba honrar o ventre de onde vim, o ventre onde estou e o ventre que há em mim. Com a benção da Deusa.' (Adriana, Theia de Thea)


Sempre fui uma mulher de muitos sonhos e com tantos desejos para realizar, tornava-se difícil de me focar em apenas um. Isso porque, além de eu ser uma pessoa um tanto não persistente -desisto fácil dos meus projetos-, possuo ainda alguns momentos de indecisão onde me questiono sobre se o que eu realmente quero está ao meu alcance, se faria certo ou sou merecedora de tão importante função. Resultado: travo e nunca faço nada. Isso ocorre devido a bloqueios pessoais kármicos que além de me atrapalhar na minha vida íntima, prejudica questões sociais e minha evolução  enquanto bruxa.
Porém, duas frases importantes  que escutei em minha vida mágica fizeram eu repensar minhas atitudes: 'você é a única da família que, hoje, ainda carrega o sopro do sagrado' e 'você é uma filha de Lilith, trate de agir como tal'. Claro que tais afirmações, num primeiro momento, ao invés de estimular me deixaram com mais receio ainda. Afinal, ambas mensagens possuem um peso de responsabilidade muito grande.
No entanto, foram surgindo alguns sinais de que deveria ser feito algo, que eu   - mulher, bruxa e feminista - deveria alcançar meu poder máximo e atuar como uma agente transformadora. Primeiro as vivencias de reconsagração do ventre que participei abriram meus olhos de forma considerável, depois amigas próximas que nunca imaginei se interessarem sobre tais temas me questionando sobre esse tal poder feminino através do sangue, posteriormente descobrir que existe um movimento artístico denominado menstrala sobre o período menstrual, em seguida constatar que por volta de dez anos é comemorada a SEGUNDA VERMELHA, dia mundial da conscientização do ciclo feminino.
Devo confessar que realmente não sabia até recentemente deste dia -que, aliás, neste ano foi comemorado ontem-, mas  nós pagãs possuímos uma relação de amor e respeito ao nosso poder vermelho, sentimento herdado de nossas ancestrais que reuniam-se em tendas para honrar o Sagrado período menstrual e tal conexão fez eu sentir o que devia ser feito. Todos os sinais já citados contribuíram para a compreensão de que sim deve ser realizado algo em relação ao empoderamento efetivo da mulher, mas algo que transcenda barreiras religiosas, onde mulheres e jovens comuns possam conversar e  explorar com sabedoria esse momento mágico.
Foi então que com o intuito de compartilhar uma sabedoria antiga e recuperar um hábito amoroso e eficaz para o bem estar feminino -a reunião entre sábias de distintas idades e conhecimentos de vida- surgiu a ideia de mulheres de hoje reunirem-se para juntas revelarem as bençãos do nosso sangue que corre para a Terra. Mães, tias, avós, primas, amigas, amigas de amigas, companheiras, todas que assim como eu sentiram que algo devia ser feito, mas que por algum motivo ou outro ainda não vivenciaram tal experiência, este é um momento especial onde Gaia desperta e muitas são as possibilidades de se redescobrir novamente. Esta é a mensagem do mundo, basta escutar  e enxergar de forma sagrada que será revelado o  que está sendo dito.
Assim como muitas, estou em um processo de conexão e de aprendizagem, tenho que honrar à Terra milhares de vezes mais para quem sabe assim mostrar o quanto sou grata a esse dom de sangrar sem morrer. Mas embora esteja apenas no início do caminho, sinto que devo caminhar mais e assim, de uma forma pequenina, em uma tarde apenas, levar um pouquinho do que sei e sinto a outros corações amigos para a mudança se efetivar. 
Sem superioridade e em igualdade perfeita, assim como era com as sábias de outrora das tendas vermelhas, assim espero vivenciar, pois em todo coração de mulher é guardado uma infinita sabedoria e em todo útero um grande poder.

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Esse é um desejo antigo, que jamais pensei em realizar, visto que tão jovem é difícil sentir-se preparada. Porém a vida te leva a fazer escolhas e o que parecia tão distante, aos poucos começa a ganhar forma em sua frente. Contar com o apoio de tantas amigas e ver o quanto isso traria crescimento pra elas e pra mim, fez com que eu tirasse todos os medos e dúvidas da mente. Não me sinto mais capacitada - muito pelo contrário, sei o quanto devo aprender e conheço mulheres demasiado sábias que me mostram isso -, porém talvez eu lembre de algumas coisas antes de algumas mulheres e por isso possa auxiliá-las. No mais só devo agradecer aos deuses por ao entrar a nova Era tanto outros corações que nunca ouviram falar de deusas, sagrado, bruxaria, entre outras coisas,  estarem ouvindo o chamado e sentindo a necessidade de se descobrir. Conto com a energia do Sagrado e peço que esse seja apenas o começo de outros encontros especiais, afinal existe muita sabedoria a ser compartilhada entre amigas e irmãs.
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domingo, 5 de maio de 2013

Os véus caem e os ensinamentos vêm.

Sou pagã há muitas vidas e reverencio as fases da nossa linda Mãe Terra por muito tempo, pois entendo de que dela vim e para ela voltarei, logo após minha jornada nesta existência chegar ao seu final. Sou pagã, pois sinto os elementos vivos em meu corpo e sou capaz de com a força da energia que deles emanam, criar portais para outros mundos. Sou pagã, pois sempre escutei o chamado e a cada existência sigo com a missão de me encontrar através do caminho da Deusa.
Porém, nesta vida, apesar de mesmo muito jovem já me interessar e tentar interagir com o mundo pagão, há apenas quatro anos que posso dizer que, sim, sou bruxa. No entanto, meu caminho está apenas no começo, muitos são os aprendizados que ainda terei que assimilar, pois para se tornar uma pagã completa é necessário aprender com humildade o que os que vieram antes de nós têm a nos passar e, além disso, experienciar com intensidade cada vivência mágica. Sendo assim, a cada ritualista nova em que faço parte reacendo o amor e a extrema curiosidade que tenho sobre esse 'mundo paralelo'.
Quatro anos vivenciando a bruxaria, quatro Rodas completas comemoradas e sempre sendo surpreendida com a grandiosidade deste mundo. Posso dizer, sem vergonha nenhuma, que apenas na última noite dos Antepassados -Samhain- eu cheguei perto de compreender o que esta data realmente significa. Muito mais do que uma noite de queimar o que passou, honrar o sacrifício do Deus que se vai ou meditar sobre a escuridão total que se instala até o Deus menino retornar  trazendo a luz em Yule, pois é a possibilidade de aprender, sem intermediários, e sim com nossos próprios antepassados - pessoas sábias que pisaram seus pés em Gaia antes de estarmos aqui - sobre a vida, sobre caminhos, sobre nós mesmos.
Descobrir que possuem diversos caminhos que te levam à um momento especial, fora do tempo e espaço em que estamos, é intrigante. Minha mente racional, científica, fala sobre a probabilidade de ser algo ilusório, porém é inegável os fatos ocorridos na noite do dia primeiro de maio deste ano e é extremamente real tudo o que foi aprendido.
Tomar consciência  a partir de um encontro tão diferente que sou a única  da família que, hoje, ainda carrega o sopro do Sagrado, ao mesmo tempo que é emocionante, é desafiador. Afinal isso implica na responsabilidade de levar esse sopro comigo para outras gerações para que o caminho Antigo sempre se faça presente em nossas vidas. Porém, essa tarefa não é simples, pois em um momento de revelações a orientação foi clara 'existem muitas lutas na vida, mas temos que lutar uma de cada vez. Bandeiras demais as vezes pesam e nessas horas é preciso largar algumas'.
Minha vida é de muitas bandeiras, acredito e luto por muitas causas e gosto de ser assim, pois é disso que sou composta, é essa quem sou. Mas entendo o que esta mensagem representa e me passa, entendo quantas questões estão em minhas mãos. Antes, o que eram apenas alguns lampejos de lembranças, se confirmaram e o sentimento de pertencer à um povo antigo, aguerrido, donos desta terra a qual chamamos América Latina se tornou efetivo. Hoje eu sei um pouco mais sobre minhas origens e isso, inevitavelmente, me orienta e clareia sobre para onde devo ir.

Gratidão, Velha antiga e guerreira, pelo carinho, cuidado e olhar acolhedor.


De-cisões

Cada escolha traz circunstâncias. Estou disposta a pagar o que for preciso e, sinceramente, apesar das consequências de meus atos serem maiores do que imaginei, a noite 29/abril representou o momento de iniciar as mudanças tão necessárias. Ou seja, um verdadeiro presente.

Eu só queria registrar isso aqui.

domingo, 28 de abril de 2013

Misterios Eleusianos T.I.T 2013


Um grande período de quietude literária me afasta desta minha atual postagem da última, em setembro de 2012. Essa quietude que se fez visível em meu blog, refletiu o momento de descobrimentos internos que tornaram-se frequentes a partir do final dos Mistérios passados até hoje. 
Descobrir-se nem sempre ocorre de maneira fácil e natural, pois o processo de enxergar-se inteira e verdadeiramente traz diversos questionamentos que, a princípio, não se estava disposta a responder. No entanto, mais uma nova jornada logo iniciará, tornando impossível adiar o confronto necessário: falar a si mesmo encarando as consequências das reações que isso proporciona.
        Sobre esse tempo de grandes provações muitas coisas já foram ditas, porém uma frase em especial ocasionou em mim a consciência necessária para encarar a situação: ' Os Mistérios são, na verdade, um grande teatro onde você é a personagem principal e no decorrer do trajeto se verá em frente aos personagens secundários que habitam seu próprio interior.' Nada mais verdadeiro do que esta afirmação referente a esse momento. Independente do nome que for dado, 'personagens secundários', 'sombras', 'inconsciente', 'lado escuro', entre outros tantos nomes, o fato incontestável é que em nenhum outro período essa experiência se faz tão intensa.
       Olhei-me. Em um primeiro momento com grande estranhamento e não acreditando no que via, pois tantos desejos antigos simplesmente transformaram-se sem nenhum aviso prévio. E eu sem perceber que havia mudado tanto interiormente segui aos tropeços o mesmo antigo caminho, obviamente sem sucesso. Olhei-me e me assustei: Quem é essa nova Franciele, tão diferente da que eu conhecia? Evidentemente, achei erroneamente que era apenas uma fase, que era apenas um desconforto momentâneo e que logo voltaria como eu era.
       Mas não voltei e os novos pensamentos e sensações tornaram-se cada vez mais intensos, fortificados e atuantes em meu ser. A transformação, num primeiro momento negada, foi ganhando espaço dentro de mim e agora descobri que o meu real mistério, ao menos neste momento, é achar o meu lugar no mundo.
        Existe uma personagem principal, seguindo a analogia da citação, que talvez sem perceber deixou de escrever a própria peça. Um grave erro, pois este teatro representa a vida de cada um  e devemos escrever o próprio roteiro. No entanto, os personagens secundários não compreendendo o porque de cada vez mais perderem espaço ficando por tanto tempo nos bastidores, como um ato de rebeldia divina, fizeram-se escutar e apreciar.
        Dignos de vaias ou de palmas, a realidade é apenas uma: impossível não admirá-los, devido ao destemor, a ousadia e a beleza intrínseca que cada personagem secundário carrega. E assim, eu diretora da minha própria jornada, com muita felicidade, decidi trazer à luz personagens tão ímpares, não me importando com o julgo do grande público, pois estórias podem ser reescritas e jornadas reiniciadas. Com entusiasmo contemplo as belas atuações que tais personagens irão realizar. Mas tudo é uma grande surpresa da vida, para mim e para os espectadores. Pois embora escrevamos a própria peça, sempre devemos contar com uma pitada do imprevisível.