segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ciclos

Tudo começou através de um post em um blog em que eu escrevia há quase 7 anos atrás e, acredito, essa é a maneira que encontrei para encerrar esse ciclo: escrevendo novamente. É 2h da madrugada e meus olhos estão tão inchados que nem sei como estou conseguindo digitar, mas o fato é que o sono não vem, o fato é que eu não consigo aceitar a ausência que essa cama imensa me recorda todas as noites, o fato é que ou eu expresso de alguma maneira, ou eu enlouqueço. 
Todas as noites é a mesma coisa, pois por mais que para as amigas eu costuma dizer 'estou superando', 'estou na fase x do luto', 'estou esquecendo', no final do dia quem eu queria abraçar, dormir de conchinha, ficar horas conversando era com ela. Mas Fran, tudo é fase, tudo é cíclico, tudo tem um propósito. Eu sei, eu sei de tudo isso, mas de verdade eu não entendo, não consigo aceitar em meu coração e, por isso, hoje a dor que estou encarando é ainda maior.
Eu preciso dizer que eu entendo, plenamente, minha responsabilidade de as coisas terem chegado a este nível: sempre fui muito insegura, ciumenta e possessiva, além disso recordo de coisas que não eram necessárias recordar, o que me fez envolver emocionalmente e karmicamente com algumas pessoas nessa existência. Eu sei que errei muito, eu sei.
Mas acima de tudo, preciso dizer que desde antes de virmos morar aqui em SC algo me dizia que seria o fim e isso me enlouquecia, pois como seria o fim se estávamos tão perto de realizar um grande início de uma vida juntas? Mas eu não escutei a  minha intuição e dessa forma precisei ser avisada de outra maneira, pela tia dela 'melhor ela não ir, pois se for é capaz de não se adaptarem e ser um rompimento de vez'. Eu escutei? Claro que não, eu neguei qualquer sinal de que pudesse ser um momento de transformação de ciclo, pois como aceitar isso? 
Mas viemos e tivemos um início tão bonito que costumávamos dizer 'é tudo tão perfeito que a Fran precisou machucar o braço pra fazermos uma média', e era isso mesmo que ela e eu pensávamos - estava perfeito, tudo escolhido da forma como imaginávamos há anos, tudo com nosso toque, nosso amor. O que eu mais poderia desejar? Minha companheira, nosso lar e eu preste a voltar a iniciar um sonho particular. Não estava faltando nada.
Mas eu comecei a estudar e a meu tempo em casa começou a diminuir e claro que - entendo plenamente - isso a desestabilizou, afinal eu era a única referência dela nesse lugar. Mas essa instabilidade fez com que, de uma certa forma, existisse uma competição de quem fez mais na universidade, além de ter um total desinteresse pelo que eu trazia diariamente para compartilhar.
Eu me senti tão mal, tão pequena, tão desinteressante! Foi horrível, pois aos poucos sentia que não tinha ninguém em casa, me sentia sozinha no próprio lar que construímos juntas e, as brigas se tornaram frequentes. Brigamos tanto, tanto e a isso fazia  minha companheira adoecer ainda mais.
Teve um dia que eu senti que era eu o grande problema da vida dela, só podia ser eu. Afinal foi eu que fiz com que ela viesse, foi eu quem não foi forte pra dar suporte para as crises dela, foi eu que era desinteressante. Nesse dia, eu pensei em me machucar e peguei uma faca para isso. Depois disso teve outros tantos dias seguidos que pensei em fazer besteira, até que um dia eu fiz, depois que ela já havia ido embora e por sorte não ocorreu nada.
Ela foi embora por nós, assim sem aspas, pois entendo a verdade disso. Mas assim como ser sincera não evita a dor, ir por nós não me deixa parar de pensar que fui abandonada, porque foi essa a sensação que me corroeu diariamente, todos os dias. Tudo aqui era ela -e ainda é, mesmo o AP estando 'diferente' - e a única companhia era a grande fumaça de energia densa e negra que a cada dia crescia e tomava todos os cômodos. Eu pedi tanto pra que ela voltasse, tanto. Não pra cá, mas pra mim, pra minha vida, mas isso não ocorreu. Tomei remédios e, por sorte, o único efeito foi dores de cabeça, uma moleza no corpo e uma total não presença. Não morri.
Depois disso, tudo ficou mais confuso. Porque era a solidão e descaso x atenção de outra pessoa, era silêncio x palavras de acolhimento, era o não x o sim. Comecei a sentir algo, mas ao passo que sentia algo diferente, também sentia raiva: porque ela tá me deixando perder? Porque ela não faz nada?
Fui pra Porto Alegre decidida, eu precisava terminar! Porque era insustentável ficar com a companhia da falta constantemente, ou me queria e mostrava, ou não era mais possível. Mas eu, por mais machucada que esteja, ainda sou aquela boba que a ama e depois de tantas e tantas coisas ditas, dores, choros e perdões, voltei com a mente de que sim, a gente poderia ficar juntas, em algum momento.
Mas acontece que isso tem sido uma ilusão, pois enquanto não me permito viver, muitas outras histórias já estão sendo tecidas. Está sendo tecido um futuro diferente e eu soube disso hoje, depois de tanto tempo, e de uma forma bem cruel. Dai penso, a distância tem sido a solução? Obviamente não, mas pelos Deuses, que eu tenha o mínimo de autoamor e agora eu mantenha a distância, porque essa situação é cruel demais para aceitar.

Tudo é cíclico, é. E isso é a realidade da vida, preciso parar de sonhar.

sábado, 4 de novembro de 2017

Jornadas Xamânica (4)

A última Jornada Xamânica foi estranha, justamente porque não estava entregue no momento da vivência, além de estar intimamente mal devido à sensação de não ter tido voz. Na hora de apresentar os objetos de poder, que foi momentos antes da jornada, a minha Sacola de Poder foi definida como  pelo docente como 'sem minha energia'. Isso ocorreu pelo fato do tecido que eu escolhi para ela foi um algodão cru e, teoricamente, por ser um tecido feito por máquina e por eu não ter tecido minha própria sacola, ela deixaria de ter minha energia, não me representava. Na hora, eu não questionei, mas minutos após fui sendo invadida de grande tristeza, raiva e sensação de ser calada. Porque, ok, eu não teci o tecido, mas por acaso o cordão de algodão cru  das outras sacolas foi criado por cada um dos colegas? Claro que não, o que faz com que as outras sacolas tenham a energia da própria pessoa foi a intenção do tecer, assim como que faz com que a minha sacola tenha a minha energia, me represente plenamente, é o meu sangue menstrual que a tingiu em um rito de entrega e conexão com a Lua. Além disso, cada um dos objetos dentro da sacola são forças que me acompanham há anos, forças que me relaciono não devido à uma disciplina, mas sim porque é uma escolha  e posicionamento de vida que sigo desde que a Grande Mãe Gaia me tocou com sua sabedoria. A minha sacola TEM minha energia.
Mas eu, Mimulus e Funcho que sou, tive grande dificuldade de expressar esses meus pensamentos em palavras e achei que em algum momento essa sensação iria passar, pois eu deveria respeitar a nota 3,5 que recebi pela minha sacola - nota essa que faz com que minha média semestral abaixe muito, perigando pegar final e eu tenho uma autocobrança absurda e, é claro, que isso fez eu surtar internamente - e a orientação de que eu deveria fazer uma outra sacola para vida. Mas, falando em respeito, não expressar isso é me desrespeitar.
Bem, evidentemente eu não falei na hora, mas hoje em partes me expresso por aqui, porque não posso ficar com isso trancado em minha garganta. E nessa outra forma de expressar que encontrei, aproveito para dizer que não há NADA que tenha mais minha energia do que meu fluxo de sangue, meu poder escarlate que verte para à terra a cada ciclo e que me liga aos saberes ancestrais da tenda vermelha. 
Sei que isso sendo expresso dessa forma, pode parecer estranho, mas é algo que me magoou: em partes pelo o que foi dito, mas principalmente por ter me calado. Porque é tão difícil eu ter voz? Porque fiquei tantos dias com isso comigo? Porque é tão difícil me libertar? De forma alguma quero que isso seja compreendido como desrespeito, mas é a forma que encontrei, nessas linhas repletas de fluxos da consciência, de mostrar minha verdade. Bem, dito isso, voltando para a vivência: eu não estava bem e muito menos entregue, pois estava mal e a proposta era de interagir com os elementos.
Duas forças elementais entraram em contato comigo na jornada: a terra e a água. A terra me sufocou, me vi enterrada. Mas isso de forma alguma me causou medo, pois já vivi isso em carne, e sei o quanto é honroso se entregar para a terra, como uma forma de retornar ao Útero da Mãe e renascer. Porém, de forma súbita me encontrei no mar e estava afogando o que me fez desesperar. Inclusive retornei ao corpo físico afogando em minha própria saliva.
Seria uma representação de afogar naquilo que não consegui engolir?

Diário Aromático (5)

A busca do óleo essencial da minha essência:

Teoricamente o último post sobre o tema seria o último em definitivo da série 'Diário Aromático'. No entanto foi sugerido pela docente que cada aluno identificasse qual é o seu aroma de tipo, ou seja, qual óleo essencial está intimamente ligado à nossa personalidade, uma energia que se mantém, independente do período da vida que estamos e os processos que estamos enfrentando. 
Resgatando todos os saberes, percebi que é quase impossível identificar qual é o meu 'aroma de tipo', pois cada um dos óleos trabalham determinados campos da minha existência. Mas essa foi uma missão dada que deveria ser cumprida, afinal, buscar o aroma que mais nos identificamos é uma jornada para dentro de nós mesmos.
Lembro que entre todos os aromas experimentados em aula, além de Ylang Ylang, um que me chamou grande atenção foi o de Funcho (Foeniculum Vulgare) e me senti intimamente ligada a ele.  Os aspectos sutis que ele desenvolve é a comunicação e a capacidade de se expressar plenamente através da fala,  a superação da vergonha e timidez, hieginiza a mente e também permite se orgulhar de seus próprios êxitos.
O engraçado é que não é um aroma que lembre qualquer aroma que eu exale tanto naturalmente, quanto por escolha de perfumes. Mas me identifiquei com o simbolismo do óleo e percebi que não é algo que apenas eu identifique: minha ex companheira, quando estava fazendo interagências com a naturologia, escolheu a partir da sugestão da naturóloga um aroma que lembrasse a mim, assim fariam um creme que ela usaria no chakra cardíaco sempre que sentisse saudade. E esses dias, mexendo em cremes reencontrei esse preparado para ela e o aroma era justamente o de Funcho.
O fato é que agora quem usa o creme sou eu e a sensação é tanto de me conectar com essa pessoa que soube tanto de mim  e me viu crescer, como me conectar comigo mesma. Se é realmente meu óleo de tipo eu não sei, mas que tem me ensinado sobre a minha própria essência e voz, isso é uma verdade.