quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alguns Demônios dos quais já me libertei

Resolvi compartilhar aqui, um poema que escrevi no dia 09/agosto/2008, quando tinha 17 anos. Ele me ajudou atenuar muito do que me causava desconforto naquela época. Hoje, são Demônios novos, mas sempre me mantenho na luta para vencer essa batalha interior. Persistência, sempre.

Morte aos demônios!

Angustia que não sei controlar
algo está prestes a acontecer,
e eu não tenho idéia de como fugir disto

Existe alguém sussurrando ao meu ouvido:
'Desista, você não vai conseguir.
Disperdiçou o seu tempo,
agora é tarde demais.''

Não sei o que é,
mas sinto, é algo que vai mudar o percurso de tudo
e eu, não terei mais como me encontrar

Sufocamento, que me faz sentir morta
é tão ruim não ter liberdade,
nem para respirar

Tristeza, que está deixando os meus dias mais sombrios
Sáia da minha vida,
não estou mais conseguindo aguentar

Solidão, me deixa tão vazia
tão impotente,
preciso ter com quem compartilhar

Quero exorcizar isso de mim
São sentimentos que não quero que me façam mais companhia
Eu não preciso mais vocês
Foram úteis, mas agora VÃO EMBORA!

Odeio vocês,
não podem possuir o meu corpo
Ele não é de vocês
Ele ME pertence
Pertence aos meus comandos

O que vocês querem, eu não vou realizar
O que vocês falarem, não vou escutar
O que vocês me mostrarem, não irei enxergar

Estou cega, surda e muda pra vocês
Não terão mais espaço na minha vida
Saião daqui!

Vão se jogar em um precipício
Vão procurar as suas distruições
Morram de uma vez, não suporto mais isso.

Estão me perseguindo
Estão por todo lugar,
mas eu sei como superá-los, infelizes!

Aos olhos nús,
Quase ninguém os percebe, acham puros e inocentes
Mas eu não me engano com suas aparências doces

E eu sei, estão ao me lado ainda
Os meus demônios, ainda querem me ter,
só que eu não vou deixar
Laiofhartiahain.

'O bem de hoje pode ser o mal de amanhã'

Esse é um pensando que permeia a minha caminhada há muito tempo, pois a vida com seus altos e baixos nos comprova que essa é uma afirmação verossímel. Porém, reconhecer e aceitar que, por exemplo, um lindo, intenso e o mais apaixonado amor pode se tornar algo ruim, a ponto de fazer-nos romper um relacionamento, ou que um pensamento, ideologia, ou fé que nos move hoje  pode, no futuro, não fazer mais parte de nós por termos mudado, ou algo que 'nunca faríamos' se tornar algo comum em nosso dia-a-dia, ou qualquer outro sentimento/fato/situação que hoje consideramos essencial e bom para nós e que no futuro pode se transformar em algo que não esperávamos, não é fácil.
Embora já acreditasse nisso, no curso intensivo que fiz nas duas últimas semanas, isso foi repetido várias vezes. E bem, eu pensava que já havia assimilado e reconhecido que não devemos ser dependentes de nada, pois tudo é volúvel/mutável, mas algumas mudanças, quando vem do nada é difícil de aceitar. E o meu bem, de um dia pro outro, virou o meu mal...
No final do referido curso, tivemos uma vivência para encontrarmos o mal presente no obuscuro de nossa mente para depois ascendermos em direção ao Divino presente em cada um de nós e durante o procedimento tudo ocorreu bem, mas logo após ter terminado, uma série de sensações e pensamentos ocuparam meu corpo mundano. E eu percebi que criei um Demônio gigante dentro de mim, chamado Insegurança.
Sempre soube que existiam Demônios que me acompanhavam, uns criados por mim mesma e outros externos, mas no fim das contas, acho que já estava me acostumando com certas situações. Mas o que mais me deixou triste ontem/hoje é que algo que eu considerava o mais Divino, o mais Sublime, o mais encantador, o MAIOR contato com a Deusa que EU já tive até hoje pode no final estar me fazendo mal e não somente isso, provém da Insegurança, pois precisei por muito tempo desse tipo contato para me manter na Fé.
Quantas vezes eu chorei quando já não sentia a Sua presença mais em nada, quantas vezes eu me entreguei ao amor desejosa que fosse TANTO amor, tão verdadeiro e intenso que a Deusa quisesse fazer parte disso e me habitasse, quantas vezes foi só assim que pude a sentir. E agora, um sentimento de despedida está fazendo eu ao escrever isso, sentir necessidade de chorar muito e mais tarde, em casa, chorar mais um pouco, e daí depois, quando eu estiver recuperada, levantar a cabeça sabendo que agora iniciará de fato um novo momento em minha vida, um momento que aprenderei sentí-la de outro modo, mais consciente e talvez menos desgastante.
Mas primeiro, eu tenho que exorcizar o que acredito ser no momento o meu maior problema: a falta de confiança em mim mesma. A Renata, minha namorada, disse que eu sou 'espertinha' e me questionou: 'E as pessoas que não tiveram essa experiência, não tem outro modo de sentir tão intensamente a Deusa? Tu tá querendo ir pelo modo mais fácil!' Isso me deixou um tanto chatiada. Não, não é querer um modo mais fácil, até porquê eu quero estudar, me dedicar, para sentí-la em plenitude, em todos os momentos e não apenas em uma determina situação de prazer. Mas é quase uma despedida, são três anos que isso ocorre, é quase um relacionamento. E me dói saber que até eu estiver mais reconectada, possa me sentir vazia, de novo.
Tenho medo de não ter fé, tenho medo de não conseguir mais sentí-la, tenho medo de ficar sozinha, tenho medo...! Mas não vai ser ele que vai me imolizar, pois se uma coisa eu aprendi nessa jornada de duas semanas é que as Dualidades devem ser aceitas, e que para eu conseguir seguir e me desenvolver eu preciso dar os meus passos, sozinha, para encontrar o meu caminho, o meu equilíbrio, eu preciso saber até onde eu posso ir. E se o meu bem acabou se tornando um mal que preciso me libertar, o meu mal, tenho certeza, voltará ser o meu bem, pois sei que aprenderei algo com tudo isso. E agora, por mais que seja difícil, ao ser dona do meu próprio corpo e vontade, vou ir à batalha lutar contra o que me limita: eu mesma.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre a questão do Equilíbrio

Nessas duas últimas semanas, venho experimentando um sensação diferente de auto-conhecimento. Uma auto-crítica reveladora temperada com teorias, curso e vivência. Venho observando com o auxílio de alguns fatos novos que estão ocorrendo em minha vida, a questão do equilíbrio inexistente em mim.
Sinto que a minha consciência em relação à essa questão com o passar dos anos, foi sendo extinguida. Resultado possível da manipulação causada pela energia política-social-religiosa mal utilizada que, sufoca, castra, maltrata, molda e doutrina. Pois uma das formas de manter fiéis na linha é fertilizando na mente de cada indivíduo a idéia do medo que provém de coisa externas, é claro, mas principalmente do nosso inconsciente. Temos medo de comos agimos, medo do que os outros vão pensar, medo de não ser aceitos social e espiritualmente, e o pior dos medos: o de nos conhecer realmente e não gostar do que vemos. Isso porque estamos direcionados a trabalhar só o lado de luz do nosso ser, esquecendo que nosso 'eu' trevoso, serve justamente para nos manter em equilíbrio e harmonia com a nossa essência.
Faz um pouco mais de uma semana que fui orientada a fazer uma pesquisa sobre os pilares da Maçonaria, sabia algo sobre o assunto, mas como não estava mais 'fresco' em minha mente, resolvi pesquisar mais. O resultado dessa pesquisa foram diversos questionamentos que fiz a mim mesma sobre se a minha postura como um ser humano, pagã e cidadã, estão de acordo com a minha própria essência. Questionei-me o quanto do que eu me limito podem estar fazendo falta para o meu crescimento e a resposta para esse questionamento, foi que sim, isso está mais me prejudicando do que auxiliando.
Depois teve um ritual de sexta feira 13 que foi realizado no Espaço que estou frequentando... o ponto alto da ritualística para mim, foi quando pintamos uma mão de branco e a outra de preto, simbolizando de forma visivel as duas partes existentes em nossa psique: os opostos sagrados e complementares que juntamente conduzem ao crescimento. Mais uma vez, percebi-me questionadora e mais do que isso, querendo explorar sentimentos, situações, rever conceitos e posturas, dos quais por muito tempo deixei trancados em algum lugar dentro de mim. Ou seja, me permitir mais, me libertar mais, ser mais quem eu sou. E isso é uma tarefa dificílima, pois embora minha visão sobre mim esteja mais clara, pois as vendas da alienação sobre isso foram retiradas, sei que ainda assim, é complicado me desvencilhar de algo que é geral e intrínsico na grande parte da sociedade. E por último, iniciou ontem, no mesmo espaço citado anteriormente, uma jornada de reconhecimento da Deusa Lilith, minha Deusa, e essa jornada para mim tem um significado todo especial, pois tenho muito ainda que descobrir sobre Ela, uma energia tão misteriosa... Mas a questão é que consegui REperceber, com a minha retomada de caminho e conscientização de meu poder feminino, que as minhas polaridades não estavam em equilíbrio, pois sempre tentei fugir de questões que não julgava certas. Mas agora, pergunto-me novamente: o que de fato é o certo?
Uma Lei da física - cientificamente comprovada e amplamente difundida, chama-se 'A Teoria da Relatividade', criada por Einstein, basicamente diz que tudo é de fato relativo. Tendo isso como ponto de partida, penso que se na física é dessa forma, coisas do nosso cotidiano devem, de certo, ser assim também. Isso ajuda a deixar repleto de sentido a frase 'o que está em cima é como o que se está em baixo', ou algo como 'o bem de hoje, pode ser o mal de amanhã'. Não sou uma pessoa vingativa e nem pretendo fazer desse argumento algo que justifique minhas possiveis atitudes futuras de má índole, afinal caráter é caráter.  Porque como eu já disse, não gosto de fazer coisas que possam prejudicar outra pessoa (não que eu faça de vez enquando, mas não gosto), e dessa forma, eu evito ao máximo realizar algo de maneira impensada. Mas enxergo nessa questão, um ensinamento de que não devemos ignorar sentimentos subjetivos que afloram no nosso coração de forma forte e agressiva: A raiva, a luxúria, o medo, a inveja, a severidade, entre outras tantas sensações fazem-se necessários para nos conhecermos e crescermos cada vez mais. Afinal, apenas a bondade, compaixão, amor entre outros sentimentos costumeiramente tão 'cultuados' em demasia, como tudo que há, faz mal.
Deste modo, entendo que para caminharmos em direção ao Equilíbrio, precisamos respeitar o nosso lado branco e o nosso lado negro, presente dentro de nós.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

É bom me sentir de volta

Essa energia de pré, durante e pós vestibular da UFRGS que pude compartilhar com as minhas amigas vestibulandas, fez com que eu revivesse muitas lembranças, boas e não tão boas, de tudo que eu tive que suportar para conseguir a minha vaga na tão desejada universidade. Além de lembrar da raiva que eu tinha, já fazendo o meu curso, da falta de tempo que tive pra minha vida, minhas vontades, minha Religião, meus sonhos, pois 2011 foi o ano de maiores transformações que vivi e por incrivel que pareça, o que eu menos vivi. É extressante fazer a maratona de provas, mas no último dia tem a festas das tintas o que ajuda a relaxar e quando vemos o nosso nome no listão, TUDO vale a pena. Um experiência maravilhosa, um verdadeiro Rito de Passagem do cotidiano. Agradeço aos Deuses por já fazer um ano que estou em um ambiente acadêmico que sempre desejei, porém, sinto que agora é tempo de buscar outras metas e me dedicar ao que tanto me completa verdadeiramente: Nossos pais Universais.
Nos últimos dois meses de 2011 a minha vontade de largar tudo e ir morar no meio do mato pra voltar a ter o que eu julgava ter perdido foi gigante e dolorosa, pois sabia que faltava tão pouco pra terminar o semestre e que então não valeria deixar tudo no final, mas ao mesmo tempo exigiu muito de mim continuar. Quase cometi suicídio acadêmico umas 3 vezes e se não fosse o meu amor, Rê, me apoiando eu teria feito isso mesmo. Chorei muito, foi um período que senti bastante dificuldade e sempre reclamava: 'Fiz o ritual pra Deusa e não a senti, to órfã, ela desistiu de mim. Preciso resgatar nossa união'. E chorava mais um pouco. De fato, não tê-la mais sentido no meu cotidiano foi bem dificil pra mim, mas ao realizar um Ritual com todo o amor e carinho e não sentir NADA foi apavorante. Achei que nem a Deusa me queria mais. Entrei em crise, pois comecei a julgar que tinha feito a escolha errada, imagina escolher a vida (sem vida) acadêmica ao invés de dançar, cantar e celebrar a vida junto aos Deuses. Hoje eu espero que essas minhas amigas aproveitem muito cada momento dentro da faculdade, mas sem esquecer que há vida e coisas muito mais importantes fora dela. Eu precisei passar para compreender isso, pois depois de três vestibulares tentando, já fazia da UFRGS uma meta de vida. Mas eu só tenho vinte anos e a minha vida será muito mais longa do que os dez anos necessários para fazer graduação, mestrado e doutorado. Sendo assim, plantei uma meta no solo fértil de minha mente: 2012, ano que entrou de Lua Nova, eu me dedicarei profundamente aos Deuses, sem ter como prioridade dezenas de polígrafos que tenho que ler por semana ao invés de um Esbat à Deusa Lua, um ano sem me 'esquecer' das datas da Roda, por fazer das provas, seminários, apresentações e trabalhos como meu definidor de tempo. Eu plantei isso em minha mente, espero ter perseverança para cultivá-lo, para depois virar algo grandioso. Ou seja, graduação, mestrado e doutorado eu tenho muito tempo ainda, posso fazer com calma. Quero me permitir viver!
Então, voltar a restabelecer uma conexão com o Divino de maneira entregue e intensa é complicado, pois sinto que precisamos nos restabelecer com nós mesmo antes. E isso pra mim é o mais dificil, pois sou um poço de dúvidas e é dificil me manter em equilíbrio. Por isso resolvi ir com calma, ontem por exemplo, revi coisas que estavam esquecidas em meu quarto: livros, polígrafos, rituais que criei, poemas de amor aos Deuses que fiz, minhas primeiras lembranças de testes e provações...Enfim, o que eu tenho até hoje. Foi verdadeiramente muito bom, embora eu tivesse uma falsa lembrança de que eu era mais 'criativa'... Se era, não costumava registrar. Talvez isso possa ser porque eu não costumava escrever o que eu não julgava muito bom. Que ótimo que não estou mais assim, se não nem teria feito esse blog! Querida dizer que 2011 foi um ano do terreno, 2012 espero que seja um ano do Sagrado em minha vida, para que em 2013 eu ache o equilíbro e viva em perfeita harmonia e realização comigo mesma e com a Deusa. Deixo registrado, um poema que fiz em Outubro de 2010 em homenagem à minha Deusa, Lilith, que reví ontem enquanto folhava meu caderno. Sempre que o vejo, sinto que aprendo algo diferente:

Ensinamentos da Deusa da Lua Negra


Estou em todo lugar
e faço vir à tona várias sensações
Ensino meus filhos
Mostrando o que é melhor para seu ser

Tenho várias faces
Me mostro em vários aspectos
Tudo depende de com quem eu lido
e de que maneira merece me ver.

Sou temida
Sou amada
Sou ousada
Vivo como sinto ser melhor viver
E quando a Lua está Negra
Meu poder você poderá sentir

Quando rastejo no chão
sinto o pó de onde vim
Não me sinto humilhada
pois estou mais próxima do meu corpo
Quando rastejo no chão
Aprendo as dificuldades
E ensino aos meus filhos
a sempre seguirem em frente apesar das adversidades.

Quando voo alto
Meu espírito vai longe
Sou capaz de ir em lugares inabitados
Quando voo alto,
aprendo quais são meus verdadeiros potenciais
E ensino qual é a melhor maneira de aproveitar a dádiva
de estar viva e livre.

Quando sou mulher
Descubro em mim todo o meu poder pessoal
Percebo que existem chamas em meu ser
Que me transformam e me impulsionam
Como essas chamas
Sinto a paixão nascer
Quando sou mulher
Ensino a cada filho meu a se amar e honrar
Pois o nosso corpo é o nosso templo
E devemos respeitá-lo acima de tudo.

Quando sou demônio
Vejo tudo de negativo em mim
E quão vingativa e perversa posso ser
Quando sou demônio
Ensino a cada pessoa que deseja aprender
Que cada parte nossa deve ser acolhida
Para que assim aprendam que o mal
Só é mal, ser assim o quisermos.

E assim eu sigo:
Vivendo
Aprendendo
Ensinando
Brilhando
Me amando
E amando todos que não me temem.

Dou aquilo que a pessoa merece receber.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cinco mulheres poderosas - Mestres de vida

Muitas são as pessoas que passam em nossa jornada para nos ensinar algo que é necessário aprender. Eu conheci personalidades incríveis, com grande carga de vida, cheias de histórias e que transmitem sua sabedoria adquirida de forma simples e genuína.
No entanto, nessa estrada da vida que percorro há apenas vinte anos, tive a oportunidade de conhecer cinco mulheres sábias. Mulheres essas, que talvez não tenham sequer a noção da minha  real consideração por elas e por esse motivo resolvi escrever esse post, que será como forma de agradecimento.
No início, eu era uma energia que estava pronta para reencarnar nesta vida. Talvez eu estivesse com receio, ou ansiosa para cumprir mais uma etapa da minha evolução espiritual. Mas os Deuses me permitiram fazer parte de uma família terrena muito especial e acolhedora e ao sair do útero da Mãe e de minha mãe, vim à vida. Fui crescendo e aos poucos aprendi quais são as coisas que realmente valem a pena, mas se me perguntarem qual das lições eu considero a mais importante que recebi dela, Suzana Martins - minha primeira mulher sábia, responderei que são duas: amor e entrega. Não conheço até hoje mulher mais dedicada e entregue que ela, claro que sei que existem muitas pelo mundo que cumprem o mesmo papel, mas de todas as mulheres que tive a honra de conhecer, ela foi com toda a certeza a que mais me mostrou isso. Mãe, uma palavra tão pequena e que tem um significado e poder enorme, ela é uma mãe de fato e que mesmo com todas as suas qualidades e defeitos, em sua limitação humana, tenta a cada dia me mostrar coisas que ainda não aprendi, sempre com a típica frase 'aprende comigo enquanto estou viva!'. Sim, viva! E só de lembrar que muitos dos meus passos futuros caminharei sem ela, deixa meu coração repleto de tristeza, porém ao mesmo tempo, feliz por tê-la REencontrado. Amor e entrega, é dessa forma que tento realizar tudo que gosto, para fazer da melhor maneira possível.
Meus pais separaram-se quando eu tinha sete anos e minha mãe, irmã e eu, fomos morar na casa da minha avó, uma anciã. Foi então que pude ter maior contato com a dona Dalila Terezinha, uma senhora baixinha e gordinha que também me ensinou muitas coisas. Eu poderia falar que ela me ensinou da importância das ervas, pois sempre há um cházinho pra tudo, ou o quanto eu a admiro e aprendi com o seu gesto de tirar de sí para auxiliar os outros, mas não, o mais importante que aprendi com ela é da necessidade da paciência e compreensão. Nunca foi fácil conviver com essa senhora, muitos dos traumas ou complexos que carrego até hoje tem origem em seu modo carrascona de ser, pois ela era e por vezes ainda é, muito amarga, cruel, má. Na infância para ela eu não prestava pra nada, na adolescência era uma rebelde deprimida, e agora iniciando a minha fase adulta sou literalmente a ovelha negra da família: pagã e lésbica. Já fui até ameaçada de ser expulsa de casa por ser 'um mal exemplo' para a minha irmã de 16 anos. Não lembro bem, salvo algumas raras exceções em épocas de festividades cristãs, dela ter falado algo bonito pra mim, algum elogio ou algo para me apoiar. Seu jeito é (e comigo, isso se multiplica umas cem vezes) fria, indiferente e com frases cortantes. Mas acredite, ela é uma pessoa maravilhosa. Então, com ela eu tive que aprender a contar até mil se for preciso, para não agir sempre de cabeça quente e e explorar o meu senso de compreensão, pois as vezes entender atitudes  e pensamentos diferentes dos nossos, é mais complido do que se imagina. Isso é respeitar o outro independente de suas faces.
Agora vou dar um pulo. A conheci com 17 anos e estava dando os meus primeiros passos em um grupo que se dedicava a Religião da Deusa. Seu nome é Lidiane Leandro, minha primeira Mestre de Tradição. Ela me ensinou tantas coisas: Deuses, mitos, lendas, vivências, energias, elementos, encantamentos, desligamentos, chakras, ervas, pedras, cores, espelhos...enfim, muito do todo que inicialmente se aprende quando entramos nessa Religião e Filosofia de vida. Mas teve um ensinamento que ao longo que fomos nos conhecendo melhor ela tentou de várias formas me passar, mas eu infelizmente não aprendi naquela época e apenas mais tarde, quando já nem mais fazia parte do grupo, que aprendi: a questão do Ego. O Ego não é negativo, na verdade creio que nenhuma energia seja realmente negativa, tudo depende como a direcionamos. Mas com meus 17 anos, me sentia GRANDE. Hoje, eu rio da Franciele do passado. Claro, sou resultado de tudo que passei, mas demorei pra aprender que devemos estar fazendo uma vigília, para não nos surpreender negativamente com nós mesmo. Porque, da mesma forma que honramos a Deusa em suas infinitas faces (da mais generosa a mais 'terrível') e que ela habita em tudo e inclusive em nós, devemos nos respeitar, honrar e perdoar-nos por atitudes não pensadas. No entanto, uma das 'leis' da Arte que mais tento seguir, é 'Faça o que quiseres, sem a ninguém a prejudicar'. E enfim, meu Ego mal utilizado na época talvez pudesse prejudicar alguém, pois julgava-me melhor e maior do que eles. Foi dificil aprender isso Lidiane, ou melhor Yohana, a mulher que me ensinou sobre isso.
Depois de quase um ano que estava sozinha e errante por aí, tive a felicidade de conhecer a Raquel Diacos: mulher doce, amável, humilde e amiga. Mestre da Tradição do Renascimento. Não fui sua iniciada, pois reconheço que a minha essência pedia algo diferente do que ela trabalhava, mas a considero uma mestre  pra mim com a qual aprendi algo essencial: não adianta ter um discurso bonito se não houver ação! Aprendi isso e espero ainda aprender muito mais, pois a quero presente (mesmo que distante) em minha vida. Ela ensina a Tradição que fundou com muito amor, sem cobrar nada em troca, apenas pela vontade de querer que o Paganismo volte a ter cada vez mais força. Ou seja, ela FAZ o que diz, o que se comprometeu enquanto pessoa e auxilia muitas pessoas assim. Com ela percebi que muito do meu discurso igualitário, era só discurso mesmo. Agradeço por tê-la conhecido, pois tento ser cada vez melhor.
E por último, Luciana Machado, alguém que voltei a falar faz pouco. Não escondo de ninguém que está próximo de mim que a admiro enquanto mulher e mestre. Algumas pessoas com qual falo, nem sabem quem de fato ela é, pois não tem nenhum contato nesse meio, mas sabem que tê-la conhecido de perto, mesmo que tão pouco, foi importante para meu crescimento. O que eu aprendi com ela, aprendi na dor e essas são as mais profundas lições...É dificil explicar o lado negro da minha alma que visitei ao conhecê-la de verdade (de carne e osso e não somente em sonhos, como ocorreu antes de ter contato com ela), pois caí, tive infinitas dúvidas, desacreditei, me senti menor do que um átamo, fui subjulgada, desacreditada, enfim...uma noite escura, totalmente escura: sem luar nem estrelas no meio de um mato cheio de animais selvagens que estavam prestes a fazer de mim uma presa.  Foi assim que me senti. Mas foi no meio disso, nessa mistura de fascinação, medo e desistências, que eu recuperei algo que não tinha mais: fé, intuição, coragem. Acho que não sabe, talvez agora vá saber, o quanto foi dificil pra mim retomar um contato com ela. A luciana sabe isso muito bem, e com ela que aprendi: 'Se te diminuíram, levante, mostre o quão boa podes ser!' Segui o exemplo que distante observei, depois voltei a olhar pra mim e reconher verdadeiramente a Deusa que habita o meu corpo. Não é fácil, pois é muito mais simples criar ídolos que são muito do que queríamos ser, do que admirar nossas qualidades. Por fim, foi no escuro que vi a luz brilhar.

Agradeço aos Deuses por tê-las colocado em minha jornada, pois são pessoas que levo pra vida.


Franciele

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Recomeço

Não sei bem como iniciar esse blog: se escrevo sobre os meus passos até aqui, ou se parto do momento atual guardando nesse ambiente, só as memórias que ainda eu vou ter. Não possuo a pretensão de fazer dele um local de pesquisa, até porque eu tenho muito a aprender e tão pouco a ensinar. Então, provavelmente apenas servirá como um 'diário virtual', literalmente. Para que eu possa escrever meus anseios, aprendizados, vivências, curiosidades e até, (porque não?) medos, enquanto sigo nessa jornada. Acho até que os medos serão bem mais presentes aqui, já que sou uma aprendiz que por muitas vezes se assusta com tamanho poder da Grande Deusa. Uma criança, assim eu sou, que busca o colo e aconchego da Mãe.
É tão bom olhar para trás e ver o quanto já se andou e melhor ainda é olhar para frente e ver o quanto ainda há para andar! Andar no caminho da Deusa e com a Deusa nos traz infinitos aprendizados e uma experiência de vida única, fazendo-nos entender o que de fato significa 'amor e confiança perfeitos', pois nos envolvemos com todas suas faces, de forma entregue, verdadeira, mágica.
Por muitas vezes me senti só, órfã da Mãe, pois não sentia mais a sua presença em minha vida. Grande engano: A Mãe, Deusa de infindáveis nomes, sempre me acompanhou, porém eu, vendada pelas dificuldades da vida, não conseguia perceber seu abraço suave enquanto chorava. Muitas dúvidas, por momentos até julguei-me louca, por acreditar, imagine... em deuses! Confesso que até hoje, as vezes me invade esse sentimento. Normal. Eu SEI que é normal, embora muitas vezes me sinto culpada por isso.
Mas sim, vejo minha evolução (em passos de tartaruga! Se bem se eu tiver o tempo de vida que elas tem, no fim da vida, se tudo ocorrer bem, serei uma anciã sábia, ao invés de uma velha caquética reclamona. Tartaruga, símbolo das matriarcas!), e fico extremamente grata aos Deuses, por me permitirem continuar no caminho, com muitos tropeços é claro, mas que com toda a certeza, se não fossem essas pequenas quedas, eu não seria quem sou.
Hoje percebo quantos tapas na cara recebi, por não prestar atenção nos seus sinais, que por vezes são singelos e em outras, tão descarados e de certa forma até 'cruéis', que só não foram vistos por mim, porque tenho uma lentidão para entender as coisas maior do que o normal.
O fato é que quero escrever aqui minha vida mágica, e não somente a minha vida na magia. Porque quando a minha memória falhar (e ela não é muito boa mesmo, deve me faltar alguma vitamina), eu quero ter uma fonte confiável e ter a oportunidade de reler a minha história. Uma história de verdade, sem heróis ou bandidos, apenas uma garota como protagonista, que busca sua evolução como pessoa e como espírito, pela forma que escolhi: Pelos Mistérios da Antiga Fé.