
Muitas são as pessoas que passam em nossa jornada para nos ensinar algo que é necessário aprender. Eu conheci personalidades incríveis, com grande carga de vida, cheias de histórias e que transmitem sua sabedoria adquirida de forma simples e genuína.
No entanto, nessa estrada da vida que percorro há apenas vinte anos, tive a oportunidade de conhecer cinco mulheres sábias. Mulheres essas, que talvez não tenham sequer a noção da minha real consideração por elas e por esse motivo resolvi escrever esse post, que será como forma de agradecimento.
No início, eu era uma energia que estava pronta para reencarnar nesta vida. Talvez eu estivesse com receio, ou ansiosa para cumprir mais uma etapa da minha evolução espiritual. Mas os Deuses me permitiram fazer parte de uma família terrena muito especial e acolhedora e ao sair do útero da Mãe e de minha mãe, vim à vida. Fui crescendo e aos poucos aprendi quais são as coisas que realmente valem a pena, mas se me perguntarem qual das lições eu considero a mais importante que recebi dela, Suzana Martins - minha primeira mulher sábia, responderei que são duas: amor e entrega. Não conheço até hoje mulher mais dedicada e entregue que ela, claro que sei que existem muitas pelo mundo que cumprem o mesmo papel, mas de todas as mulheres que tive a honra de conhecer, ela foi com toda a certeza a que mais me mostrou isso. Mãe, uma palavra tão pequena e que tem um significado e poder enorme, ela é uma mãe de fato e que mesmo com todas as suas qualidades e defeitos, em sua limitação humana, tenta a cada dia me mostrar coisas que ainda não aprendi, sempre com a típica frase 'aprende comigo enquanto estou viva!'. Sim, viva! E só de lembrar que muitos dos meus passos futuros caminharei sem ela, deixa meu coração repleto de tristeza, porém ao mesmo tempo, feliz por tê-la REencontrado. Amor e entrega, é dessa forma que tento realizar tudo que gosto, para fazer da melhor maneira possível.
Meus pais separaram-se quando eu tinha sete anos e minha mãe, irmã e eu, fomos morar na casa da minha avó, uma anciã. Foi então que pude ter maior contato com a dona Dalila Terezinha, uma senhora baixinha e gordinha que também me ensinou muitas coisas. Eu poderia falar que ela me ensinou da importância das ervas, pois sempre há um cházinho pra tudo, ou o quanto eu a admiro e aprendi com o seu gesto de tirar de sí para auxiliar os outros, mas não, o mais importante que aprendi com ela é da necessidade da paciência e compreensão. Nunca foi fácil conviver com essa senhora, muitos dos traumas ou complexos que carrego até hoje tem origem em seu modo carrascona de ser, pois ela era e por vezes ainda é, muito amarga, cruel, má. Na infância para ela eu não prestava pra nada, na adolescência era uma rebelde deprimida, e agora iniciando a minha fase adulta sou literalmente a ovelha negra da família: pagã e lésbica. Já fui até ameaçada de ser expulsa de casa por ser 'um mal exemplo' para a minha irmã de 16 anos. Não lembro bem, salvo algumas raras exceções em épocas de festividades cristãs, dela ter falado algo bonito pra mim, algum elogio ou algo para me apoiar. Seu jeito é (e comigo, isso se multiplica umas cem vezes) fria, indiferente e com frases cortantes. Mas acredite, ela é uma pessoa maravilhosa. Então, com ela eu tive que aprender a contar até mil se for preciso, para não agir sempre de cabeça quente e e explorar o meu senso de compreensão, pois as vezes entender atitudes e pensamentos diferentes dos nossos, é mais complido do que se imagina. Isso é respeitar o outro independente de suas faces.
Agora vou dar um pulo. A conheci com 17 anos e estava dando os meus primeiros passos em um grupo que se dedicava a Religião da Deusa. Seu nome é Lidiane Leandro, minha primeira Mestre de Tradição. Ela me ensinou tantas coisas: Deuses, mitos, lendas, vivências, energias, elementos, encantamentos, desligamentos, chakras, ervas, pedras, cores, espelhos...enfim, muito do todo que inicialmente se aprende quando entramos nessa Religião e Filosofia de vida. Mas teve um ensinamento que ao longo que fomos nos conhecendo melhor ela tentou de várias formas me passar, mas eu infelizmente não aprendi naquela época e apenas mais tarde, quando já nem mais fazia parte do grupo, que aprendi: a questão do Ego. O Ego não é negativo, na verdade creio que nenhuma energia seja realmente negativa, tudo depende como a direcionamos. Mas com meus 17 anos, me sentia GRANDE. Hoje, eu rio da Franciele do passado. Claro, sou resultado de tudo que passei, mas demorei pra aprender que devemos estar fazendo uma vigília, para não nos surpreender negativamente com nós mesmo. Porque, da mesma forma que honramos a Deusa em suas infinitas faces (da mais generosa a mais 'terrível') e que ela habita em tudo e inclusive em nós, devemos nos respeitar, honrar e perdoar-nos por atitudes não pensadas. No entanto, uma das 'leis' da Arte que mais tento seguir, é 'Faça o que quiseres, sem a ninguém a prejudicar'. E enfim, meu Ego mal utilizado na época talvez pudesse prejudicar alguém, pois julgava-me melhor e maior do que eles. Foi dificil aprender isso Lidiane, ou melhor Yohana, a mulher que me ensinou sobre isso.
Depois de quase um ano que estava sozinha e errante por aí, tive a felicidade de conhecer a Raquel Diacos: mulher doce, amável, humilde e amiga. Mestre da Tradição do Renascimento. Não fui sua iniciada, pois reconheço que a minha essência pedia algo diferente do que ela trabalhava, mas a considero uma mestre pra mim com a qual aprendi algo essencial: não adianta ter um discurso bonito se não houver ação! Aprendi isso e espero ainda aprender muito mais, pois a quero presente (mesmo que distante) em minha vida. Ela ensina a Tradição que fundou com muito amor, sem cobrar nada em troca, apenas pela vontade de querer que o Paganismo volte a ter cada vez mais força. Ou seja, ela FAZ o que diz, o que se comprometeu enquanto pessoa e auxilia muitas pessoas assim. Com ela percebi que muito do meu discurso igualitário, era só discurso mesmo. Agradeço por tê-la conhecido, pois tento ser cada vez melhor.
E por último, Luciana Machado, alguém que voltei a falar faz pouco. Não escondo de ninguém que está próximo de mim que a admiro enquanto mulher e mestre. Algumas pessoas com qual falo, nem sabem quem de fato ela é, pois não tem nenhum contato nesse meio, mas sabem que tê-la conhecido de perto, mesmo que tão pouco, foi importante para meu crescimento. O que eu aprendi com ela, aprendi na dor e essas são as mais profundas lições...É dificil explicar o lado negro da minha alma que visitei ao conhecê-la de verdade (de carne e osso e não somente em sonhos, como ocorreu antes de ter contato com ela), pois caí, tive infinitas dúvidas, desacreditei, me senti menor do que um átamo, fui subjulgada, desacreditada, enfim...uma noite escura, totalmente escura: sem luar nem estrelas no meio de um mato cheio de animais selvagens que estavam prestes a fazer de mim uma presa. Foi assim que me senti. Mas foi no meio disso, nessa mistura de fascinação, medo e desistências, que eu recuperei algo que não tinha mais: fé, intuição, coragem. Acho que não sabe, talvez agora vá saber, o quanto foi dificil pra mim retomar um contato com ela. A luciana sabe isso muito bem, e com ela que aprendi: 'Se te diminuíram, levante, mostre o quão boa podes ser!' Segui o exemplo que distante observei, depois voltei a olhar pra mim e reconher verdadeiramente a Deusa que habita o meu corpo. Não é fácil, pois é muito mais simples criar ídolos que são muito do que queríamos ser, do que admirar nossas qualidades. Por fim, foi no escuro que vi a luz brilhar.
Agradeço aos Deuses por tê-las colocado em minha jornada, pois são pessoas que levo pra vida.
Franciele