quarta-feira, 11 de maio de 2016

Em cada memória o tecer do Sagrado

'O fato é que quero escrever aqui minha vida mágica, e não somente a minha vida na magia. Porque quando a minha memória falhar (e ela não é muito boa mesmo, deve me faltar alguma vitamina), eu quero ter uma fonte confiável e ter a oportunidade de reler a minha história. Uma história de verdade, sem heróis ou bandidos, apenas uma garota como protagonista, que busca sua evolução como pessoa e como espírito, pela forma que escolhi: Pelos Mistérios da Antiga Fé'.


Um ano e um dia é o período cronológico simbólico que traduz o tempo de crescimento e experiência de um aprendiz que ruma ao momento mágico e iniciático da tarefa cumprida. Um ano e um dia, para mim, foram sete, pois desde os meus 17 anos sigo conscientemente a jornada espiritual de honra aos Deuses Antigos. Mas somente hoje com 25 anos, que pude começar a sentir a sensação de completude, de dever realizado e do servir reconhecido.
Quando comecei a escrever neste blog eu já havia iniciado a jornada pagã fazia 4 anos, anos esses bem complexos e desafiadores para uma menina em despertar. Mas conforme fui vivenciando ainda mais a Antiga Fé, outras sombras se apresentaram e aos poucos novos desafios e ensinamentos foram necessários para que eu crescesse enquanto espírito e pessoa. Assim, não foi mais possível escrever o que eu sentia aqui, pois foram momentos de reclusão.
Mas o número 7 é o número espiritual, 25 anos também soma 7 e, desta forma, é inegável que de todos os anos desta existência enquanto bruxa, esse foi o que mais me ensinou ... e essas lições eu desejo lembrar, porque assim como há 3 anos atrás a minha memória ainda continua fraca e para evitar que muitas lições se percam, resolvi que devo registrá-las.Assim, vou escrever aqui as lembranças desses três anos de silêncio, pois em cada uma delas há a expressão,  toque e tecer do Sagrado.
Será aos poucos, sem pressa e sem ordem alguma do tempo cronológico, pois uma das coisas que mais aprendi é que a vida possui a energia do círculo, e dessa forma não há ordem, inicio, meio ou fim.
Vou me expor: nua de espírito, alma e coração, porque talvez algumas aprendizagens minhas também sirvam para outras irmãs de jornada. 


Laylah Cauac


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Beltane (2)

Na noite da União Sagrada dos Deuses, nós seus filhos, sentimos a grande energia que circunda a Terra: Fertilidade, êxtase, poder gerador, danças, muitas danças. Celebramos o poder do casal sagrado, nos cobrimos de cores, somos um pouco eles também, pois nos preenchemos de excitação, de vida. Ao redor do Maypole traçamos destinos, realizamos pedidos e transformamos o futuro ... o falo ereto do Deus que penetra na fonte divina da Deusa que unidos geram a maior das magias.
Mas, nem só de Maypole, fitas e cores se faz um Beltane. Poucas são as bruxas que se aventuram na floresta nesta noite, poucas são as bruxas que recebem a honra de se encontrar com o Gamo Rei, poucas sabem que isso ainda no nosso tempo é possível. Ouvimos lendas antigas de sacerdotisas que se deitavam e aprendiam muito sobre a vida e magia com o Grande Sábio, histórias tão antigas que muitas vezes pareciam apenas poesia. Por muito tempo eu pensei ser apenas isso.
Mas quando estamos verdadeiramente aberto à algo, quando acreditamos na possibilidade real do 'impossível' acontecer, portais sagrados inimagináveis se abrem e descobrimos que as histórias não são apenas lendas, são relatos.
Um corpo extremamente grande, pesado, a respiração ofegante, o toque firme, as palavras sábias e certas para o momento, a aprendizagem para a vida. Uma noite que pareceu durar décadas, uma realidade fora do tempo que ao voltar para nossa plano material, tudo parece um sonho. Um sonho que me fez aprender mais sobre Beltane do que qualquer experiência terrena vivida, um sonho que me aproximou da essência real do que significa ser uma filha e serva da Deusa. um sonho que me ensinou o poder de se deixar entregar para se integrar com o Divino, com o Rei.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Beltane

Já conheço este vento. Sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez. Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.
Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual. Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto mas sei que está compenetrado pois é um iniciado e sabe a importância do que fará. A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, passo pesado de homem, espada cruzada sobre as costas.
Nesse momento o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele para diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, Filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…
As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua sábia vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova. Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o Mistério se renova: sou a própria Deusa sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.
As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…
Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão, não compreenderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…
Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do Mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.
Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.
Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim encima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu… Lentamente o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos. O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Voltar

As palavras do post 'viagem' são de uma das pessoas que mais amo: minha amiga, minha companheira, minha mulher. Este mês fiquei ausente por aqui, mas isso porque fui ao encontro de quem só me faz bem. Gratidão por me proporcionar um mês tão perfeito (como sempre que estamos juntas) e me fazer crescer ainda mais, me instigando e acreditando em mim e em meu trabalho. Foi lindo te ver tão entusiasmada pelo resultado positivo que tive na seleção, teu apoio me impulsiona e energiza. Te amo, Rê!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Viajar

'Eu to aqui fazendo nada esperando tu chegar. Eu deveria estar lendo as coisas pra aula de terça, como uma estudante aplicada, ou arrumando a mala, já que vamos mudar de quarto, mas eu to aqui, nesse primeiro dia de primavera fria, esperando o meu sol.
Amanhã quando eu te der boa noite antes de dormir tu vai responder, e penso que eu não vou me sentir uma louca que fala sozinha. Na verdade eu sei... que tu faz o mesmo, e esse gesto simples ameniza a saudade, faz eu te sentir mais perto.
Nesse momento o 'mais perto' pra mim tem relação com as horas que estão passando e fazendo com que o próximo dia aponte. Tenho certeza de que revisitar os lugares contigo vai ter outra cor. Aliás, tu é a cor da minha vida. E, ainda que amanhã o dia esteja nublado e feio, vai ser pra mim um dia radiante: meu sol tá chegando'. (Citadin)

Ostara


'Primavera não é uma simples estação de flores, é muito mais, é um colorido da ALMA'.