Um ano, dizem, é o tempo máximo para um luto de mortes, fins de relacionamento, etc não ser considerado patológico. Ontem fez um ano que "oficialmente" terminamos. Coloco entre aspas porque nesse meio tempo foram idas e vindas e um movimento constante para tentar dar certo - ao menos da minha parte. Mas, os que acompanham esse blog sabem que percebi de uma forma bem dolorosa que todo o amor que direcionava à ela não era recíproco, pois ela já havia redirecionado sua paixão a outro ser. Bem, acontece, ninguém tá livre e realmente não julgo - nem poderia -, mas foi dolorido saber e quanto mais fundo eu ia nessa história na esperança de tentar corrigir as falhas, mais eu via que já não existia qualquer espaço para mim.
Ontem, também, foi o aniversário da minha 'filha' prima mais nova da minha ex - como é difícil ainda falar, mas tô aceitando - e que eu vi crescer. Sempre fui muito apegada à esta menina e ela a mim e, portanto, fui convidada pra festa dela. Assim, inevitavelmente vi a Re e eu só conseguia sentir carinho, amor, gratidão e confesso que um grande estranhamento de não sermos mais um par. Porque quando estamos juntas a sensação é que tudo continua igual, ela sendo a minha branca grande e eu a preta pequena dela, nos cuidamos e nos damos atenção, nos desejamos - ou ao menos eu acho que nos desejamos. Da minha parte ao menos é, pois só de estar perto dela me sinto acordar, energizar, ferver.
Terminou o aniversário, fui pra casa dela, dormi na sua cama e disse 'me agarra'. Por mais que eu sei que poderei ser agarrada muitas noites futuras na vida, acho que nunca vai se comparar em como os nossos corpos se encaixam perfeitamente e se esquentam, em uma conchinha que aconchega e envolve ao mesmo tempo. Dormi. Uma noite que passou rápida e absurdamente leve e, sinceramente, fazem meses que não tenho uma noite assim. Acordei e por um instante achei que estava sonhando, mas logo o despertador dela começou a tocar e eu a vi despertar naquele tom de cinza que eu adoro. Ela combina com o preto e branco, parece uma fotografia e, normalmente, quando eu lembro dela me recordo de sua face assim: de pertinho, tons de cinza e com uma sensação de preguiça e de não querer levantar.
Ela me olhou, falou algo como que quando ela me vê parece que é tudo igual. Diferente de mim eu sei que ela não fala só dos bons momentos, pois eu sou o lembrete das dores dela. Começa a querer chorar e dizer que não quer mais sofrer e eu a digo para ela trocar o foco, pois pensar no sofrimento é dar força a ele e, portanto, o que ela precisa é focar nos momentos bons. Falo isso, não mais com a pretensão de que com isso ela possa superar mais rápido, ter o tempo dela e voltar pra mim - até porque não tenho mais essa esperança -, falo porque desejo a ver bem. Assim ela sorri, levanta se arruma e vai trabalhar, mas antes disso vem e me dá um beijo na testa que logo vira na boca - talvez ela diga que foi eu que a dei e eu fique negando em alguma realidade paralela, como nosso primeiro beijo -, mas o fato é que como ímã nossas bocas se encontram. Aquele beijo que me soa como uma última lembrança melhor do que da última vez que conversamos e ela sai dizendo 'meu karma'.
Creio que ela possa ter razão, eu sou o karma dela e ela é o meu. Mas o que costumam não falar é que toda polaridade negativa, possui uma positiva e, deste modo, também somos o dharma - o presente - uma da outra. E assim, talvez nunca mais exista o 'nós', mas com certeza ela foi um presente em minha vida.
Ela se foi, fiquei ainda mais tempo na casa dela com a vó dela, notei detalhes no quarto que me mostram que ela tá seguindo e, sinceramente, fico feliz. Queria também estar, mas não é porque agora posso me considerar oficialmente doente - sem superar o luto por mais de um ano -, que eu vou desejar o mesmo pra ela. Pra Re, desejo apenas que ela renasça na sua melhor forma.