terça-feira, 17 de julho de 2018

1 ano

Um ano, dizem, é o tempo máximo para um luto de mortes, fins de relacionamento, etc não ser considerado patológico. Ontem fez um ano que "oficialmente" terminamos. Coloco entre aspas porque nesse meio tempo foram idas e vindas e um movimento constante para tentar dar certo - ao menos da minha parte. Mas, os que acompanham esse blog sabem que percebi de uma forma bem dolorosa que todo o amor que direcionava à ela não era recíproco, pois ela  já havia redirecionado sua paixão a outro ser. Bem, acontece, ninguém tá livre e realmente não julgo - nem poderia -, mas foi dolorido saber e quanto mais fundo eu ia nessa história na esperança de tentar corrigir as falhas, mais eu via que já não existia qualquer espaço para mim.
Ontem, também, foi o aniversário da minha 'filha' prima mais nova da minha ex - como é difícil ainda falar, mas tô aceitando - e que eu vi crescer. Sempre fui muito apegada à esta menina e ela a mim e, portanto, fui convidada pra festa dela. Assim, inevitavelmente vi a Re e eu só conseguia sentir carinho, amor, gratidão e confesso que um grande estranhamento de não sermos mais um par. Porque quando estamos juntas a sensação é que tudo continua igual, ela sendo a minha branca grande e eu a preta pequena dela, nos cuidamos e nos damos atenção, nos desejamos - ou ao menos eu acho que nos desejamos. Da minha parte ao menos é, pois só de estar perto dela me sinto acordar, energizar, ferver.
Terminou o aniversário, fui pra casa dela, dormi na sua cama e disse 'me agarra'. Por mais que eu sei que poderei ser agarrada muitas noites futuras na vida, acho que nunca vai se comparar em como os nossos corpos se encaixam perfeitamente e se esquentam, em uma conchinha que aconchega e envolve ao mesmo tempo. Dormi. Uma noite que passou rápida e absurdamente leve e, sinceramente, fazem meses que não tenho uma noite assim. Acordei e por um instante achei que estava sonhando, mas logo o despertador dela começou a tocar e eu a vi despertar naquele tom de cinza que eu adoro. Ela combina com o preto e branco, parece uma fotografia e, normalmente, quando eu lembro dela me recordo de sua face assim: de pertinho, tons de cinza e com uma sensação de preguiça e de não querer levantar.
Ela me olhou, falou algo como que quando ela me vê parece que é tudo igual. Diferente de mim eu sei que ela não fala só dos bons momentos, pois eu sou o lembrete das dores dela. Começa a querer chorar e dizer que não quer mais sofrer e eu a digo para ela trocar o foco, pois pensar no sofrimento é dar força a ele e, portanto, o que ela precisa é focar nos momentos bons. Falo isso, não mais com a pretensão de que com isso ela possa superar mais rápido, ter o tempo dela e voltar pra mim - até porque não tenho mais essa esperança -, falo porque desejo a ver bem. Assim ela sorri, levanta se arruma e vai trabalhar, mas antes disso vem e me dá um beijo na testa que logo vira na boca - talvez ela diga que foi eu que a dei e eu fique negando em alguma realidade paralela, como nosso primeiro beijo -, mas o fato é que como ímã nossas bocas se encontram. Aquele beijo que me soa como uma última lembrança melhor do que da última vez que conversamos e ela sai dizendo 'meu karma'.
Creio que ela possa ter razão, eu sou o karma dela e ela é o meu. Mas o que costumam não falar é que toda polaridade negativa, possui uma positiva e, deste modo, também somos o dharma - o presente - uma da outra. E assim, talvez nunca mais exista o 'nós', mas com certeza ela foi um  presente em minha vida.
Ela se foi, fiquei ainda mais tempo na casa dela com a vó dela, notei detalhes no quarto que me mostram que ela tá seguindo e, sinceramente, fico feliz. Queria também estar, mas não é porque agora posso me considerar oficialmente doente  - sem superar o luto por mais de um ano -, que eu vou desejar o mesmo pra ela. Pra Re, desejo apenas que ela renasça na sua melhor forma.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

...

Inevitavelmente o fim chegou. Por mais que eu me esforçasse para colar todos os cacos - meus e dela - e manter tudo no lugar, um movimento em descuido faz com que tudo desmanche novamente. Em março ela voltou, mas em abril mais uma vez  ela se foi e dessa vez eu sinto a força do 'pra sempre'. Acho que não tenho mais energia, pois sinto que tudo o que tinha que ser feito eu fiz, mas depois de tantas coisas ditas, mesmo sendo forte seria difícil ficar. 
Mesmo assim, existe uma gota de esperança em todo o deserto e isso me faz ficar à espera, imaginando um dia a sua volta, imaginando que com o 'tempo' que ela sempre quis ela perceba a minha falta, esperando que com a distância ela sinta a mesma coisa que eu: que nosso amor é mais. Mas, sinceramente, eu vejo o quanto estou me iludindo.
Pois estou de férias e dessa vez não teve conversa durante a viagem pra saber se tá tudo bem, não teve a casa dela como o primeiro lugar de parada, não teve mínimo contato, não recebi o seu olhar e abraço ao chegar à cidade - porque mesmo quando a gente 'não estava' ainda assim era assim. Hoje é solidão total e é extremamente louco estar nessa cidade e saber que não somos mais um par. Essa consciência que está me pirando e hoje me sinto completamente doente, pois não superar e entender o fim é algo patológico. Mas antes eu tinha esperança, agora só resta uma gota e eu sinto que quando ela evaporar, assim como as pétalas de rosa de A Bela e a Fera, eu me perderei porque eu realmente não vejo mais sentido em tudo.
As vezes me vejo escrevendo mensagens enormes pedindo que ela me fale, sem dó nem piedade, que ela não sente mais absolutamente nada por mim, que está com outra, que nunca mais quer me ver. Eu imagino que com a resposta 'clara' eu vá conseguir superar mais rápido, me desprender dela. Mas dai me lembro que isso já foi dito e que mesmo assim estou ainda aqui querendo ficar na história de alguém que já até trocou os personagens de seu enredo.

Eu to doente.

sábado, 31 de março de 2018

É ela

Passou tão rápido o tempo quando ela foi me visitar propondo a volta. Assim como está passando rápido meus dias aqui, tão depressa que quase não tive tempo de olhar em seus olhos de mar e agradecer por mais uma vez me permitir mergulhar no oceano que ela é. É complicado 'zerar' tudo, como isso seria possível depois de tanta história? Mas eu não tenho medo de recomeços - mais maduros, espero. 
Normalmente eu escrevo aqui quando estou no caos, talvez minha alma de "mal do século' fique mais expressiva e, portanto, mais fácil de demonstrar os sentimentos todos que borbulham em mim, uma mistura de água e fogo que sou, peixes com asc em áries, minhas emoções são intensas e podem machucar.
Mas nem só de espinhos são feitas as rosas, pois guardam o aroma e a promessa da delicadeza. E eu agradeço por essa possibilidade, agradeço pelo toque suave de pétalas que me envolveram por tantos anos e que agora retorna. 
'É ela' eu pensei, quando a vi no cursinho onde estudávamos. 'É ela' eu senti, quando meu coração e pensamento só sabiam me levar à Renata. 'É ela' tive a certeza, quando nossos beijos se tocaram depois de não nos fazermos e nos permitirmos à entrega. 'É ela' em muitos dias ao acordar isso tocava feito música em meu coração. Mas talvez por ironia, teste, ou sei lá o que do destino, sinto que essa música deixou de ser escutava por mim e por ela e isso fez da vida dançante, parar.
E essa parada fez perder a beleza de meus dias, o ritmo que me embalava, o brilho da cor que dois corações vibram quando sentem o mesmo. Mas eu senti falta da celebração, ela também, e depois de um ciclo quase completo assumimos para nós mesmas e uma a outra a vontade de continuar cantando 'É ela'.
Porque eu nunca senti nada igual e hoje escrevo para agradecer aos deuses por aproximarem mais uma vez o coração dela do meu. Porque essa música, tornou-se tatuagem em meu espírito e eu só sei vibrar 'é ela'.

Porque ela, assim como eu, quer ficar, viajar, sonhar, amar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

...


Mais uma vez acreditei que você retornaria
Abri a casa da alma
Arejei meu coração e te esperei
Sentada

E após dias
Você me diz que não retornará
Novamente me vejo só
E sem sentido algum agora para acreditar

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Gestação

9 dias
Uma nova mulher gestada
Tudo novo, acreditei

Mas ao me olhar no espelho
Vi refletido o mesmo amor
O mesmo coração aberto

Sangro
E dessa vez não é o sangue de êxtase
É o sangue de dor

Devo tirar você de mim
A fórceps
E me parir novamente, reconstruída

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Sonhar uma vez mais

Cheguei em 'casa'
No colo da mãe me permiti expressar em pranto
Suas palavras - cortantes - foram meu espelho
'Precisas aceitar que ela não te quer mais'

'Mas Mãe, ela me ama, eu sei, eu sinto'
E eis que minha mãe responde 'eu também sei que ela te ama,
mas enquanto ela não lembrar, nada vai acontecer'.

Chorei mais
Daqueles choros sem fim
Daqueles choros que não aliviam
Daqueles choros acumulados por meses

Pois te ver passar por mim hoje
Como se não me visse
Como se uma tela de 7 polegadas merecesse maior atenção - que de fato recebeu antes de mim
foi cruel, foi lembrete do caos

'Eu sei que ela me ama'
Isso tem sido meu mantra, pois assim sinto que ainda vale a pena
Mas será que realmente vale? Ou será apenas eu, pisciana, sendo pela milionésima vez sonhadora?
Não importa: sempre vou me permitir sonhar uma vez mais.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Imã

Ela olhou em meus olhos e me disse 'não desiste de mim'
Como se fosse possível
Sua essência imã me puxa, conecta meu coração ao dela
E a incerteza de um futuro só me faz querer tentar mais e mais

Sorri
E com os olhos suplicantes
Ar de menina criança a respondo
'não desisto'.

Sim, poderíamos casar (por ela)


Teríamos uma floreira com temperos, e uma sacada com duas cadeiras. Faríamos amor em horas improváveis, viveríamos de cansadas uma nos braços da outra. Discutiríamos quanto ao glutamato monossódico da coca-cola e tu, com aquela cara que conquista tudo, diria que gosta e pronto. Cada dia comeríamos com pratos geometricamente diferentes, e eles estariam sempre cheios de alimentos coloridos e deliciosos. Tu elogiaria meu empenho na cozinha, e eu sorriria satisfeita em fazer meu amor comer bem. As horas livres seriam aproveitadas com vigor; a decoração da casa seria a mais harmoniosa de todas, muito de mim, muito de ti. Nossa banheira antiga seria o destaque do banheiro. E teu contentamento se mostraria em forma de canto, músicas inventadas, de inspiração instantânea. De mãos dadas pelas ruas, até caminharíamos diferente, um caminhar de plenitude, estaríamos casadas! Fins de semana de chuva, prepararías a tua especialidade: mingau de aveia da Fran. Filme de romance, pipoca, cobertor e pés juntinhos. Eu diria o quanto tu é linda sempre que tivesse a oportunidade. E, quando de uma frase elaborada, repetirias: amor, como tu é exagerada! Na estante, livros de literatura, livros de antropologia. Origamis e mandalas pela casa...sim, estaríamos casadas! Canções que embalaram nossa felicidade relembraríamos a cada momento. Tu me pediria para cantá-las e elogiaria pelo milhonéssima vez a minha voz. Dançarias pra mim a tua dança-encanto, e eu, todas as vezes cairia no feitiço. Meus olhos te seguiriam pela casa, admirando teu andar, teus gestos, tuas formas e teus sons. Meus olhos te admirariam sem cansar, e sempre, sempre pensariam na sorte que eu tive de te ter como mulher, de te ter como pessoa, de te ter na vida.


('Meus olhos te seguiriam pela casa, admirando teu andar, teus gestos, tuas formas e teus sons. Meus olhos te admirariam sem cansar, e sempre, sempre pensariam na sorte que eu tive de te ter como mulher, de te ter como pessoa, de te ter na vida'
Como é sempre atual esse sentimento
Fui abençoada pelos deuses, pois eles me mostraram a beleza do amor
e do compartilhar a vida.)

Beijo (por ela)

'Teu rosto 
que se aproxima do meu
com os olhos eu acompanho
eles por dentro sorriem 
teus lábios logo vão tocar os meus

Sem que eu peça
minha boca ganha a tua 
e os meus olhos 
se fecham para receber
o que sempre vou considerar um presente:
teu beijo'

(Desde que de nossos lábios se tocaram
Descobri a doçura
Recebi um presente
Vivenciei a entrega)


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Já floresceu

Te vejo florescer sozinha
Sem esforço ou jardineira, tuas cores aparecem

Te vejo florida, intensa, gigante
Mulher-flor que transborda futuro

Te vejo
E ao te ver sinto que não precisas de mim

Devo agora dar as costas
E ir?


(Vou, mas tenhas certeza que olhando pra trás
Para, se acaso quiseres, eu te nutra com a água que verte da nascente do meu ser)

Sobra de brique

Cheguei, sentei, olhei
O quarto inicialmente tão familiar, o quarto-casa que até geladeira abrigou
Se tornou estranho
Essa cama, que senti que era possibilidade de novo ninho, já abrigou outro pássaro

Passei
Passei longe, me sinto distante, tu me afasta do lar do teu coração
Fico em um tempo espaço paralelo entre o que foi e o que é

Pois agora não reconheço nada
Não me reconheço em nada
Sou peça que sobra
Mais uma vez esquecida nos cômodos

Já fui móvel jogado
E agora o que sou?
Sou sobra de brique, esperando que tu sinta falta
E retorne em busca do teu antigo relicário
Teu antigo amor


(Faz dois meses que decidi seguir, mas não consigo. Quero ficar, me deixe ficar.)