terça-feira, 24 de outubro de 2017

Diário Aromático (4)

Quantos portais do inconsciente estão sendo aberto com a aromaterapia que, no passado, eu imaginava que se tratava apenas 'cheirinhos'. Porque eu já havia interagido muito com essências e não via tantas mudanças energéticas e mágicas, mas  com Óleos Essenciais ainda não tinha tido a experiência: e definitivamente, faz toda a diferença. Bem, a começar que tenho entendido outros seres em suas posturas e valores de uma maneira muito mais ampla, mas mais do que isso, tenho realmente me conhecido, me entendido, perdoado e fortalecido. E é sobre autoentendimento e força/firmeza que quero falar hoje, a partir dos óleos Bergamota e Olíbano, além de trazer esse experiência momentânea da Sálvia - neste momento em que escrevo, é a Sálvia que está a me mostrar seus mistérios.

Bergamota - O resgate da felicidade
Aspectos sutis: Óleo da felicidade | Auxilia a desenvolver a fé e a confiança | Transforma o medo desconhecido e a sensação do choque | Desenvolve proteção áurica | Fé x Ateu | É o OE mais indicado para a depressão e conseqüente baixa imunidade | Estabiliza o emocional | Ajusta o ambiente externo ao interno e vice-versa.

Percepções pessoais: A Bergamota chegou em minha vida em um momento em que eu estava completamente afundada na depressão e falta de energia vital. Eu estava tão sem energia que foi necessário que colegas viessem até mim tentar me reanimar. Foi assim que entrei em contato com a Bergamota que, após o teste olfativo o OE recebendo a nota 9,5,  comecei a interagir com esse aroma. E, sinceramente, acho que esse óleo essencial foi o que fez eu acreditar no poder dos óleos essencias, pois o resultado foi imediado. Claro que todos os problemas não desaparecem de uma instante pra outro, mas a felicidade ressurgiu em meu peito como uma pequena chama na lareira, trazendo cuidado, aconchego e ressurgir do bem estar interior.

Olíbano - O caminho espiritual
Aspectos sutis:  Óleo do caminho espiritual  | Divino | Desperta o Eu Superior e o sagrado dentro de nós | Paz | Auxilia a ouvir a voz incessante do coração | Fortalece contra as adversidades da vida | Rompe os vínculos do passado, tendência a viver no passado em vez do presente | Eu Inferior x Eu Superior | Feridas que insistem em ficar abertas | Mágoas e ressentimentos | Neutralizar o que destrói: doenças auto imunes | Óleo do angustiado, sufocado, apertado | O que é sagrado para você?

Percepções pessoais: Para falar sobre o olíbano, é necessário falar que marcar a pele é um ritual antigo que nos permite expandir a consciência durante o processo. É o ato da entrega e da transformação através da dor, pois quando um rito termina nunca mais somos os mesmos. Mudamos a pele, sim, mas mais do que isso algo modifica em nossa essência. Pois o símbolo que agora se carrega soma poder ao nosso espírito e muitas vezes nos (re)conecta à nossa sabedoria ancestral. A cada rito, a cada marca, a cada símbolo mostramos ao mundo e a nós mesmos quem somos na realidade, mostramos nossa individualidade, nosso poder pessoal e a medicina sagrada que viemos doar à Terra. E como eu tive essa percepção? Com o olíbano, o óleo essencial que transformou o marcar da pele em um rito, que abriu portais de consciência, que fez com que minha visão expandisse, que permitiu passar o longo processo de uma tatuagem ancestral Hand Poked firme, consciente do meu poder e conexões astrais. Foi através desse óleo e desse rito que aprendi o que significa se entregar, transformar, morrer para transmutar.

Sálvia - A clareza sobre os sonhos e desejos pessoais
Aspectos sutis: Óleo da Clareza | Transforma a sensação da “vida em preto e branco”. Vivenciado muitas vezes por mulheres que desistiram de si e da vida | Óleo da adolescência |  Sonho x  Realidade | Expectativas/ projeções /idealizações x realidade fria | OE da mulher e da menina, o desabrochar do feminino | Menina melancólica | Resgate da mãe na mulher | Não quer crescer, desenvolvimento tardio | Corpo precoce, alma de criança | Conflitos femininos ou abusos | Menina que cria castelos e vê o mundo cor de rosa | Busca fugir das pressões; Fuga da realidade | Pai ausente, frágil, imaturo | Perda da sensibilidade na mama | Mulheres desprovidas de cuidados pessoais | Mente obsessiva, pensamentos descontrolados, stress | Opta por dias de ilusão até que algo a repreenda para o real significado da vida |  Acalma , dissipa ilusões libera a inspiração e a criatividade | Depressão, pânico, paranóia, histeria, culpa, tensão nervosa, stress, perdas, impulsos emocionais; falha na vida afetiva gerando sexualidade problemática | Vulnerabilidade mascarada | Convive com sentimento de desilusão , esperando que alguém lhe dê um suporte | Oscila entre felicidade momentânea e amargura | Tormentos existenciais: busca da verdade | Desenvolve força interior e renova a confiança | Restaura a paz e o bom humor | Fertilidade.

Percepções pessoais: Esse óleo essencial tem tantas características que fica difícil de definir em que parte da minha vida e qual das potencialidades dele é que estão sendo trabalhadas. No entanto, posso considerar que estou com uma certa alergia no corpo - o que me faz pensar sobre o que o meu corpo, meu eu, não está aceitando. Mas, vejo que estou um pouco mais disposta a buscar novos saberes, como é o caso da Magia do Caos. E não me estranha me interessar sobre isso logo agora, pois o arquétipo que esse óleo carrega é da nossa Grande Mãe Gaia e foi ela a primeira a surgir do Caos Universal.

Da série de posts sobre o Diário Aromático esse é o último. Nem parece que já passamos por uma jornada de aprendizagem e conexão com 28 óleos essenciais que tanto nos transformam. Evidentemente nem todos foram descritos aqui, pois a proposta é de realizar a descrição dos que interagimos mais intimamente. Mas confesso que a experiência foi tão interessante que talvez eu continue escrevendo aqui sobre essa jornada tão intensa - cada semana é um processo diferente -, transformadora, eficaz e extremamente curadora!

Jornadas Xamânicas (3)

Entrar na montanha para descobrir seu Animal de Poder exige coragem, pois nunca sabemos o que iremos avistar. Eu já conheço meu animal, uma puma linda, e estou em busca dos meus animais guardiões. Na vivência do cair do precipício veio o Golfinho como animal guardião da água e sou grata por essa medicina. Mas e os outros? Entrei na montanha, me entreguei à ela e quando percebi eu era a própria montanha. Senti todo o peso e força da terra, senti as árvores brotarem em mim, senti e visionei animais caminhando e pairando em meu corpo templo: uma coruja que sobrevoava em meu céu, uma serpente negra que rastejava, um urso que a cada passo a terra estremecia, um peixe alaranjado que nadava pelos rios. E de fato eu senti a energia do rastejas, a força dos passos firmes, a vontade de voar ou de me deixar fluir. O fato é que, eu sinto que esses animais de dizem algo. São eles meus guardiões de portais? Estou mais próxima de descobrir meu totem? Caminhar sozinha, torna a jornada mais lenta, mas ensina muito sobre autoconfiança. Afinal, quem saberá agora, além de mim, a força que me acompanha? De qualquer forma não fui esperta o suficiente para realizar a mesma pergunta que fiz quando estava no mar 'algum de vocês é meu animal de portal?', pois fiquei tão grata pela imagem, tão encantada pela sensação, que não racionalizei. De qualquer forma sinto que estou mais perto, sinto que novamente as portas de outrora abertas, estão novamente se abrindo para mim. Gratidão Grande Espírito, Gratidão Mãe Gaia.

domingo, 8 de outubro de 2017

Diário Aromático (3)

A Aromaterapia nunca tinha despertado realmente meu interesse, pois por mais que eu já tenha lido vários artigos e livros sobre o poder dos aromas, ainda assim minha pré-concepção me dizia ‘são só cheiros’. E de fato são cheiros milagrosos, terapêuticos e 100% eficazes – comprovado cientificamente! Mas eu só descobri isso a partir das aulas de Aromaterapia que são ministradas na Unisul e, como sabem, a cada semana interagimos intimamente com um Óleo Essencial (O.E) específico, pois assim além de estudarmos sobre as características do O.E, também experimentamos seus efeitos em nós. O fato é que os aromas inalados nas últimas semanas mexeram muito comigo e por esse motivo, vou tentar recuperar o tempo perdido e falar de três óleos de uma vez: Patchouli, Cipestre e Manjerona.
Bem, eu estava em tratamento com Gerânio e com a chegada da Primavera eu soube, dentro de mim, o quanto eu precisava me sentir amada, o quanto eu precisava sentir amor. Pois eu, como boa pisciana, sem amor é como peixe sem mar, morro em desespero e asfixia. E acho que é exatamente assim que estava me sentindo e ainda me sinto: desesperada e asfixiada, pedindo desesperadamente que alguém me águe, que o meu amor retorne. Mas esse amor não me aguando, me deixando assim seca, se eu não me permitir receber o oceano de emoções de outro alguém é possível que ao voltar, se voltar – porque já desacredito nisso – me encontre morta. Isso foi o que o Gerânio me fez acessar, mas logo depois, veio o Pachouli ...

Patchouli – O descobrir dos próprios limites
Aspectos sutis: Óleo do Amadurecimento | Transição do jovem para o adulto | Auxilia na conscientização dos próprios limites | Traz consciência corporal | Atua nas emoções profundas ligadas as intenções sexuais| Tolerância X Irritabilidade | Ancora e estabiliza a mente nervosa e preocupada.

Percepções pessoais: Eu tive uma companheira por quase 7 anos e ainda é muito difícil pra mim dizer ‘tive’, porque dentro de mim ela vive, ela habita. Mas companheira, como ela mesma me explicou, significa compartilhar o pão, a vida, as histórias e, infelizmente, isso já faz um bom tempo que não fazemos. E, bem, foi com essa percepção, somada ao desejo de se sentir amada novamente, que eu disse ‘chega’. A cada mês que passa eu me sinto gestando uma mentira, uma ilusão que só cresce, além dos sentimentos de solidão e sofrimento que são meus piores demônios. A cada mês que passa e que eu não tenho nenhuma, NENHUMA orientação de sim ou de não, me sinto mais louca. Porque ela foi, mas as roupas ainda estão no lar que criamos juntas, toda a decoração lembra ela e tudo o que pensamos/planejamos, o nosso quarto ainda tem o cartaz de que me ama em todas as línguas. Isso é uma tortura diária, mas mesmo assim, no meu desejo, no meu sonho, quando ela voltasse estaria exatamente como ela deixou, ela retornaria ao lar que criamos juntas. Mas não, a cada dia que passa me sinto suspensa, me sinto perdida, me sinto absurdamente mal. Daí eu mandei, no ápice da ação do Patchouli, uma mensagem dizendo que eu não aguentava mais, que estava me sentindo mal, tava me sentindo injusta comigo mesma não me deixando me abrir pro novo. E porquê? Porque eu projetei que em algum dia ela retornaria, mas sinceramente, olhando nosso histórico com uma frieza, quase nunca isso ocorreu, nem no ponto mais alto da paixão, porque ela faria isso agora?  Reconheci o meu limite, porque eu realmente não consigo mais ficar nessa situação – e deuses, preciso inalar Patchouli diariamente, pra ter firmeza diante dessa constatação, porque eu sinto que se ela dissesse ‘sim’ eu diria ‘vem/vou’.

Cipreste – O permitir morrer

Aspectos sutis: Óleo Consolador – fortalece nos momentos de ruptura | Símbolo da Morte e Renascimento | Trabalha o Medo de morrer | Trabalha todos os tipos de perdas, luto e morte | Luto em vida; dificuldade de dizer adeus, corte de relacionamentos: deixar ir, enterrar | Auxilia na transição | Vida X Morte.

Percepções pessoais: NUNCA INALE CIPRESTE QUANDO ESTIVER TENDENDO À DEPRESSÃO, sério. A confusão mental e emocional que tem me feito companhia diariamente não reagiu bem com esse O.E, pois ao contrário de saber lidar com as perdas, mais eu me desesperava diante delas, por mais que ele fale de vida, eu estava flertando com a morte. E, sinceramente, não falo da morte simbólica. Eu realmente surtei e foi instantâneo, pois no mesmo dia que tive contato com esse Óleo eu pensei em mil formas de fazer uma bobagem, eu fiquei completamente fora de mim e por mais que agora eu esteja um pouco melhor, pois corri para os braços da mãe e da irmã, ainda me sinto um pouco fora do eixo, me sinto com medo da morte e ao mesmo tempo querendo encontrá-la – em todos os níveis que isso possa significar.

Manjerona – O trabalhar das carências

Aspectos Sutis: Óleo da aceitação | Trabalha a carência | Atenua a tristeza pela perda ou separação; traz alegria para o coração partido | Auxilia na transformação do luto e das perdas | A dor não é expressa nem por lagrimas, palavras, mas enclausura o sofrimento, enrijece as lagrimas, petrifica e cristaliza | Trabalha a necessidade de reconhecimento e aprovação | Encapsulado X Compulsivo | Erva do desconforto e emoções distorcidas, gerando frieza e debilidades físicas | Auxilia as pessoas que tem a tendência a tristeza e a indolência, morosidade, apatia, insensibilidade |Acalma o esquentado por dentro, ardente e inflamado – perfil causadores de conflitos, bélico, apaixonado | Estabelece a confiança nos relacionamentos afetivos e sociais | Pessoas que estão sempre suspirando | Para aquelas pessoas que enterram os sentimentos em vida (sublima) | Tristeza e dor no coração, desgosto, sentimento de privação real ou imaginaria, refugia‐se evitando o afeto e o calor – tende a ser só, desamparada | Para aquelas pessoas que dizem ser uma rocha.

Percepções pessoais: Evidentemente, depois de tantas coisas sentidas, eu preciso de algo que me firme. E a manjerona se apresenta nesse momento e é com ela que estou fazendo meu processo de tratamento aromático. Sinceramente, ainda não senti todas essas possíveis transformações que esse óleo ocasiona, no entanto me sinto em Off, meio desligada, não sentindo tanto. Bem, só o fato de eu não estar com pensamentos suicidas já representa uma grande melhora, mas eu de verdade gostaria que tivesse sido tão imediato os efeitos como os outros, como eu gostaria de ter diminuído minha tristeza e curado o coração ferido. Mas não, ainda não, afinal não dá pra pular etapas do luto, só dá pra tornar mais suportável ultrapassá-las. Eu hoje estou em Porto Alegre, vim pelo colo da mãe e irmã, mas confesso que uma parte minha desejava ganhar outro colo também. Mas, embora eu esteja escrevendo todas essas palavras com um choro preso – sublimado – por dentro, me vejo mais tranquila com o que acabou. Afinal, companheira é dividir o pão, e já não estou dividindo nada, nem as lágrimas. É um pouco cruel imaginar que, a pessoa que eu mais amo, mesmo sabendo dos processos que estou passando, me evita, me finda em seu coração. Ta na hora, eu sei que tá na hora, de eu fazer isso também.

Sem dor, só com a gratidão de tudo o que foi vivenciado.