Um grande período de quietude literária me afasta desta minha atual postagem da última, em setembro de 2012. Essa quietude que se fez visível em meu blog, refletiu o momento de descobrimentos internos que tornaram-se frequentes a partir do final dos Mistérios passados até hoje.
Descobrir-se nem sempre ocorre de maneira fácil e natural, pois o processo de enxergar-se inteira e verdadeiramente traz diversos questionamentos que, a princípio, não se estava disposta a responder. No entanto, mais uma nova jornada logo iniciará, tornando impossível adiar o confronto necessário: falar a si mesmo encarando as consequências das reações que isso proporciona.
Sobre esse tempo de grandes provações muitas coisas já foram ditas, porém uma frase em especial ocasionou em mim a consciência necessária para encarar a situação: ' Os Mistérios são, na verdade, um grande teatro onde você é a personagem principal e no decorrer do trajeto se verá em frente aos personagens secundários que habitam seu próprio interior.' Nada mais verdadeiro do que esta afirmação referente a esse momento. Independente do nome que for dado, 'personagens secundários', 'sombras', 'inconsciente', 'lado escuro', entre outros tantos nomes, o fato incontestável é que em nenhum outro período essa experiência se faz tão intensa.
Olhei-me. Em um primeiro momento com grande estranhamento e não acreditando no que via, pois tantos desejos antigos simplesmente transformaram-se sem nenhum aviso prévio. E eu sem perceber que havia mudado tanto interiormente segui aos tropeços o mesmo antigo caminho, obviamente sem sucesso. Olhei-me e me assustei: Quem é essa nova Franciele, tão diferente da que eu conhecia? Evidentemente, achei erroneamente que era apenas uma fase, que era apenas um desconforto momentâneo e que logo voltaria como eu era.
Mas não voltei e os novos pensamentos e sensações tornaram-se cada vez mais intensos, fortificados e atuantes em meu ser. A transformação, num primeiro momento negada, foi ganhando espaço dentro de mim e agora descobri que o meu real mistério, ao menos neste momento, é achar o meu lugar no mundo.
Existe uma personagem principal, seguindo a analogia da citação, que talvez sem perceber deixou de escrever a própria peça. Um grave erro, pois este teatro representa a vida de cada um e devemos escrever o próprio roteiro. No entanto, os personagens secundários não compreendendo o porque de cada vez mais perderem espaço ficando por tanto tempo nos bastidores, como um ato de rebeldia divina, fizeram-se escutar e apreciar.
Dignos de vaias ou de palmas, a realidade é apenas uma: impossível não admirá-los, devido ao destemor, a ousadia e a beleza intrínseca que cada personagem secundário carrega. E assim, eu diretora da minha própria jornada, com muita felicidade, decidi trazer à luz personagens tão ímpares, não me importando com o julgo do grande público, pois estórias podem ser reescritas e jornadas reiniciadas. Com entusiasmo contemplo as belas atuações que tais personagens irão realizar. Mas tudo é uma grande surpresa da vida, para mim e para os espectadores. Pois embora escrevamos a própria peça, sempre devemos contar com uma pitada do imprevisível.