quinta-feira, 22 de março de 2012

Rumo à metade escura do ano

Não me lembro quando descobri o significado da palavra 'sazonal', mas o fato é que desde que entrou para meu vocabulário ela se tornou a minha maior definição para os perfis de redes sociais quando tinha o espaço para o famoso 'Quem sou eu'.  Na maioria das vezes eu respondia algo como 'uma pessoa de personalidade sazonal'. E de fato, assim eu sou.
Quando eu era mais jovem, por volta dos 13 aos 16 anos, eu sempre ficava angustiada com a chegada do outono que era o anúncio de que as coisas morreriam, que a terra estaria fraca, que o frio seria tão intenso que congelaria a alma. Tinha medo, pois sabia que de uma certa forma eu me sentiria assim e que se eu não me mantesse forte, me recolheria para uma profundeza e escuridão incrível. E da mesma forma que dos céus verteriam águas inundando toda uma paisagem, dos meus olhos sairiam lágrimas que enxarcariam minha face. A metade negra do ano, era a metade negra de mim, era a certeza que eu iria me deprimir, sofrer, chorar, me sentir extremamente só.
Sempre fui assim, meu aspecto se transformava conforme as estações passavam, uma intensa conexão com a Natureza de forma totalmente inconsciente, sem perceber, que me deixava repleta de vida na metade de luz  e que fazia me recolher a partir das primeiras folhas que caíam. No entanto essa ligação, justamente por não ser consciente, me prejudicava as vezes, pois existia um certo desequilíbrio que adorava me acompanhar. Só com o tempo felizmente eu fui me conhecendo, vendo as minhas fraquezas e os pontos positivos presentes em mim e assim percebi que devia utilizar esse momento a meu favor.
Foi quando eu comecei a vivenciar aos poucos a Antiga Fé e desta forma tudo foi sendo clariado e o que era doloroso se tornou um momento de reflexão, conhecimento e equilíbrio. Hoje, depois de 4 anos comemorando a Roda Pagã, vejo o quanto é sagrado esse momento: Um período iniciado no Equinócio de Outono que por sí só possui a energia do equilíbrio e que é o momento em que colhemos nossos frutos e guardamos as melhores sementes para garantir as plantações quando o sol voltar, o momento de fartura e descanso depois de tanto tempo arando o solo fértil de onde brotaram nossos projetos/desejos e a fase de fazermos um balanceamento de nossas atitudes, enfim um período energético que merece uma especial atenção e que tem por consequência a Grande Deusa entrando em repouso enquanto seu Consorte se prepara para partir para a Terra do Eterno Verão em Samhaim decretando assim, realmente o período sem Luz. 
Hoje eu reconheço o caráter extremamente Divino dessa passagem e a partir disso, me percebo sagrada também. Por mais que saiba que meu humor irá mudar, que provavelmente muitos demônios interiores virão à tona, por mais que eu saiba que ficarei muito mais introspecta que o normal e que dessa forma poderei afastar muitas pessoas, sei que é necessário e eu honro os Deuses por isso, pois Eles fazem eu perceber essas transformações não somento pela janela de meu quarto, mas sim pela janela de minh'alma, dentro de mim, pois eu me transformo e transmuto para que ao chegar da Primavera eu tenha aprendido, e esteja forte, cheia de energia, assim com a Deusa no seu apecto virginal, onde tudo é novo, tudo é vida, tudo é intusiasmo.
Fazem um bom tempo que eu tento me conectar sabiamente com a Mãe e aprender com suas faces, mas esse ano a chegada de Mabon foi especial, diferente, pois nesse momento percebi que a Deusa e minha mestre exigirão muito de mim e que se eu estiver na floresta escura e com muito frio sem poder enxergar nada com os olhos do corpo eu precisarei confiar MUITO e enxergar com os olhos do espírito, sem medo, e vencer, pois essa é a única opção para que eu consiga bilhar e plantas ótimas sementes quando a primavera chegar... No mais desejo a todos capacidade, persistência e superação para vivenciar com plenitude e sabedoria o recolhimento da Terra, o recolhimento da alma! 

Que assim seja, se faça e se cumpra!


segunda-feira, 5 de março de 2012

domingo, 4 de março de 2012

Uma tarde de múltiplas escolhas

Já fazia algum tempo que sabia que a prova estava marcada para o dia 03/março e eu, embora estivesse ansiosa  suficiente para que tudo o que eu sabia se perder no ar, eu não fiz nada para me preparar: Não estudei o suficiente, não ritualizei, não me conectei com o ar para que os ventos sábios dos silfos viessem até mim, ou seja, não me preocupei. Pra mim, uma seletiva que exigia como conhecimento básico apenas sabbaths, esbaths e elementos estava dada, extremamente fácil, afinal realmente é o que de início é o mínimo que precisamos saber. E eu sabia, ao menos lembrava que em algum tempo da minha vida eu sabia. Mas ao chegar ao local no horário marcado uma sensação estranha se apossou de mim: medo, dúvida, e o enjoo que me acompanhou da metade da semana até o fim  dela, se intensificou. Uma única certeza eu tive nesse momento: devia ter estudado mais, relido, relembrado, encantado a caneta, qualquer coisa que garantisse que eu me sairia melhor no que eu estava me propondo a fazer minutos seguintes, mas não foi o que ocorreu.
Iniciou a seletiva, um momento de tensão comparado a provas de vestibular/concurso público que acredito que estava no interior de todos os presentes, neste momento os mestres da tradição deram as informações necessárias de como seriam a pós-seletiva para os que serão selecionados. Entregaram as provas, abri o caderno com as questões que me deram e  partir daí, me senti de fato em um vestibular da Bruxaria! 
A prova não estava difícil, acredito que a maioria se saiu muito bem nela, mas pra mim foi tão estranho! Parecia que eu não sabia de nada que estavam falando, parecia que o meu raciocínio não estava funcionando e eu, que me julgava passada sem dúvidas, comecei a duvidar disso. Talvez tenha sido nervosismo demais, talvez tenha sido falta de preparo, talvez tenha sido o meu enjoo que me atrapalhou e que fez eu deixar em branco boa parte das questões, talvez tenha sido a prova múltipla escolha que me prejudicou (não gosto de testes assim, estou mais acostumada com as provas dissertativas da Universidade e de fato prefiro dessa forma) ou talvez tenha sido pura prepotência que tenha me atrapalhado. É, creio que tenha sido essa última opção. Sei que errei coisas banais, mas sinceramente, disso eu me relembrei de uma antiga lição: Tenha humildade e só comemore quando realmente ter conquistado o que buscavas. Surpreendo-me as vezes com o quanto eu ainda tenho que viver para aprender a de fato me sentir uma igual em relação aos outros. Pois sei que muitos devem ter ido muitas vezes melhor que eu, pessoas que talvez eu nem 'apostaria'. Mas infelizmente comigo ainda é assim: ou eu me sinto maior, ou me sinto menor. Nunca em paridade. Porquê? Realmente não sei,  talvez um problema psicológico da infância mal resolvido ou um complexo de superioridade/inferioridade maior do que o comum. 
Foi estranho quando saí do local, a maioria das pessoas estavam tão tensas quanto eu, pois de fato a tarde de ontem e o resultado dela é definidor desse ano inteiro e de muitos outros que virão. Mas confesso que até gosto quando eu caio assim, um verdadeiro tapa na cara dos Deuses que me fazem acordar: 'Paciência, calma, persistência, humildade.' Não sei qual será o resultado da seletiva, mas creio que não atingi os 80% que pedem, a resposta chegará amanhã e dependendo ficarei ou muito feliz ou muito triste, no entanto, o mais importante eu já tive como resposta ontem mesmo. Sei que estou em falta com a Deusa já faz muito tempo, ter lido sobre o paganismo e suas ritualísticas para ontem de fato era necessário, mas o primordial era ter vivenciado. Com a vivência o conhecimento sobre o assunto de intensifica e a conexão com os Deuses ficam mais fortes e eu, quanto tempo eu não comemoro uma roda inteira? Quanto tempo eu não faço um Esbath pra Lua? Quanto tempo eu não abro portais? Acho que provavelmente nem possuo mais a ligação que me permitia chamar a força da terra, da água, do fogo e do ar e muito menos os meus companheiros que guardaram por vezes os quadrantes enquanto eu, sozinha no meu pátio, cantava e e ritualizada com os Deuses. Borboletas amarelas, Serpente Negra Prateada, Peixe Multicolorido e meu Tigre, hoje percebo que faz muito mais tempo do que imaginava que não encontro vocês. Sinto saudade.
Sinto saudade da presença deles, mas mais do que isso, sinto saudade de voltar a ter coragem para vivenciar com os seres de outros planos. Quando saí do primeiro grupo do qual eu participei, lembro que fiquei um pouco receosa e fui deixando as coisas para depois, pois tinha medo de não sustentar a egrégora, afinal uma pessoa sustentando é bem mais complicado do que uma dúzia. E daí fui deixando pra depois, até simplesmente nem sentir mais vontade, pois a rotina acabava com a minha energia e não sobrava tempo pra nada. Fiquei por muito tempo tentando ainda mostrar pra mim que isso era algo necessário para o meu ser e dessa forma, como uma maneira de 'consolação' eu lia, muito. Mas depois, nem isso, deixei de pesquisar, deixei de ter vontade de comprar livros, deixei de procurar fontes, deixei de ler livros e dei TODOS que tinha (Exceto dois, muito importantes pra mim). Aos poucos fui me afastando até não sobrar quase nada, pois tudo se foi, só a vontade ficou. E foi essa vontade, a magia da vontade, que me impulsionou a tentar retomar de alguma forma e ontem participar de uma seletiva teórica que permitirá a quem passar a vivenciar os Mistérios.
Ontem eu estava de uma certa forma fora do meu eixo normal e no formulário que pedia que escrevêssemos algo sobre nós/vida mágica/o que achávamos, eu dei respostas curtas, mas teve algo que escrevi que eu reforço aqui: Estou triste é claro pelo o meu desempenho abaixo do que eu esperava, porém eu estou feliz, pois em cada questão que tinham várias opções de respostas para dar, em cada uma uma parte de minha mente pensava sobre o que era questionado e outra viajava, literalmente. E essa viagem me levou a lugares antigos e reviveram situações, mas acima de tudo me mostraram que eu estava vivendo de lembranças! Eu lembrava que sabia e que tinha vivenciado em tal época e por isso não me preocupei em estudar, mas com o rodar da Roda as coisas foram se perdendo e eu nem tinha percebido. As minhas memórias são ótimas, honro e admiro elas, mas agora é hora do novo!