sábado, 12 de janeiro de 2019

Escolhas


Este ano foi intenso.
Enquanto você: Bárbara, Carol, Enaê
Eu: solidão

Entendo o quanto é natural se encantar por outros seres, afinal estamos em constante transformações e, muitas vezes, o que nos chama é justamente aquilo que está em sintonia com nossas mudanças. Entendo, também, que é fácil confundir sentimentos, ainda mais sozinha, ainda mais tentando se curar, ainda mais buscando em outros abraços a sensação de se sentir segura. Eu realmente entendo, afinal já passei e também passo por isso.

As emoções são compreendidas facilmente por mim, no entanto são os motivos que me corroem o peito e me fazem questionar aos deuses o porquê de tanto desalinho. Você foi embora dizendo que estava com saudade da sua avó e que era com ela que se sentia segura - hoje você já não mora mais -, disse também que existia pressa em fazer mestrado - ainda está incerta de quando fará - e que precisava voltar a fazer terapia com sua naturóloga - esta que talvez tenha sido a principal influência de te fazer desistir de mim; esta que desacreditada do amor te fez desacreditar também; esta que você já nem considera boa terapeuta. É como se os motivos que te fizeram ir, nenhum tenham valido a pena. Será que eles realmente eram reais? Ou, assim como Lúcifer falou você nunca me amou e ao avistar seu futuro comigo saiu em disparada? O fato é que não é o ato de você estar com alguém que me dói, afinal sempre lhe desejei o bem, mas sim os motivos de te terem feito ir não terem sido alcançados. É como se eu tivesse sido trocada pelo nada ... e o nada, sempre lhe parece melhor escolha do que a mim. Porque eu, por mais encantos que já tenham me abatido, sempre lhe escolhi. Já você, sempre prefere o risco do incerto do que voltar para meus beijos.

Talvez tanto amor que lhe tenho deva ser mesmo redirecionado para outro ser: alguém que o queira, que o mereça, que me escolha ... afinal porque continuar guardando este amor se, pela terceira vez, diz que não o quer mais?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

- É sério

- É sério, estamos namorando.

Essas palavras saíram daquela boca como balas que perfuraram meu coração. Paralisei. E fiquei sem falar, sem pensar, apenas sentindo a dor.
Os meus últimos momentos com ela foram me levantando da mesa para pagar a conta e uma longa caminhada em silêncio, lado a lado, mas tão distantes pelo coração. Ela me perguntou se eu fiquei brava ... que tipo de pessoa eu seria se ficasse brava com o fato da pessoa que amo seguir? Impossível. Apenas senti um profundo vazio e, logo após, me senti fragmentar.
Antes de eu dar às costas ela balbuciou 'eu te amo' e eu a respondi ' eu também'. E por amar à ela e a mim cheguei em casa e me permiti chorar e, após isso, apaguei seu número de telefone e de todos aqueles que tem relação à ela. Sou péssima para lembrar números e em um ou dois dias já não saberei mais como conseguir contatá-la - talvez nem ela, será que ainda me tinha na sua agenda de telefone? Apaguei também as conversas de Whatsapp e já não a tenho no Facebook. A partir de agora não há como eu voltar atrás, mesmo nos dias mais sombrios em que queira ser iluminada pela minha flor do campo solar. Não haverá contato, não terá como ... e a não ser que um dia ela volte hoje, efetivamente, marcou o fim pra mim.

Talvez seja maldição


O esforço diário para te esquecer, tem feito com que eu me lembre de ti ainda mais. Hoje eu sonhei contigo e quando acordei não sabia se era uma benção ou uma maldição trazer à minha consciência teus traços, teu tom de voz, a forma que tu conversa, teu toque ... todo esse ser complexo que tu és e que aos poucos tem se perdido de mim. Mas estou me esforçando e hoje entendo que existem o amores da vida e amores para a vida: e certamente, não somos uma para outra. Talvez seja maldição então você me visitar em meus sonhos.

terça-feira, 17 de julho de 2018

1 ano

Um ano, dizem, é o tempo máximo para um luto de mortes, fins de relacionamento, etc não ser considerado patológico. Ontem fez um ano que "oficialmente" terminamos. Coloco entre aspas porque nesse meio tempo foram idas e vindas e um movimento constante para tentar dar certo - ao menos da minha parte. Mas, os que acompanham esse blog sabem que percebi de uma forma bem dolorosa que todo o amor que direcionava à ela não era recíproco, pois ela  já havia redirecionado sua paixão a outro ser. Bem, acontece, ninguém tá livre e realmente não julgo - nem poderia -, mas foi dolorido saber e quanto mais fundo eu ia nessa história na esperança de tentar corrigir as falhas, mais eu via que já não existia qualquer espaço para mim.
Ontem, também, foi o aniversário da minha 'filha' prima mais nova da minha ex - como é difícil ainda falar, mas tô aceitando - e que eu vi crescer. Sempre fui muito apegada à esta menina e ela a mim e, portanto, fui convidada pra festa dela. Assim, inevitavelmente vi a Re e eu só conseguia sentir carinho, amor, gratidão e confesso que um grande estranhamento de não sermos mais um par. Porque quando estamos juntas a sensação é que tudo continua igual, ela sendo a minha branca grande e eu a preta pequena dela, nos cuidamos e nos damos atenção, nos desejamos - ou ao menos eu acho que nos desejamos. Da minha parte ao menos é, pois só de estar perto dela me sinto acordar, energizar, ferver.
Terminou o aniversário, fui pra casa dela, dormi na sua cama e disse 'me agarra'. Por mais que eu sei que poderei ser agarrada muitas noites futuras na vida, acho que nunca vai se comparar em como os nossos corpos se encaixam perfeitamente e se esquentam, em uma conchinha que aconchega e envolve ao mesmo tempo. Dormi. Uma noite que passou rápida e absurdamente leve e, sinceramente, fazem meses que não tenho uma noite assim. Acordei e por um instante achei que estava sonhando, mas logo o despertador dela começou a tocar e eu a vi despertar naquele tom de cinza que eu adoro. Ela combina com o preto e branco, parece uma fotografia e, normalmente, quando eu lembro dela me recordo de sua face assim: de pertinho, tons de cinza e com uma sensação de preguiça e de não querer levantar.
Ela me olhou, falou algo como que quando ela me vê parece que é tudo igual. Diferente de mim eu sei que ela não fala só dos bons momentos, pois eu sou o lembrete das dores dela. Começa a querer chorar e dizer que não quer mais sofrer e eu a digo para ela trocar o foco, pois pensar no sofrimento é dar força a ele e, portanto, o que ela precisa é focar nos momentos bons. Falo isso, não mais com a pretensão de que com isso ela possa superar mais rápido, ter o tempo dela e voltar pra mim - até porque não tenho mais essa esperança -, falo porque desejo a ver bem. Assim ela sorri, levanta se arruma e vai trabalhar, mas antes disso vem e me dá um beijo na testa que logo vira na boca - talvez ela diga que foi eu que a dei e eu fique negando em alguma realidade paralela, como nosso primeiro beijo -, mas o fato é que como ímã nossas bocas se encontram. Aquele beijo que me soa como uma última lembrança melhor do que da última vez que conversamos e ela sai dizendo 'meu karma'.
Creio que ela possa ter razão, eu sou o karma dela e ela é o meu. Mas o que costumam não falar é que toda polaridade negativa, possui uma positiva e, deste modo, também somos o dharma - o presente - uma da outra. E assim, talvez nunca mais exista o 'nós', mas com certeza ela foi um  presente em minha vida.
Ela se foi, fiquei ainda mais tempo na casa dela com a vó dela, notei detalhes no quarto que me mostram que ela tá seguindo e, sinceramente, fico feliz. Queria também estar, mas não é porque agora posso me considerar oficialmente doente  - sem superar o luto por mais de um ano -, que eu vou desejar o mesmo pra ela. Pra Re, desejo apenas que ela renasça na sua melhor forma.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

...

Inevitavelmente o fim chegou. Por mais que eu me esforçasse para colar todos os cacos - meus e dela - e manter tudo no lugar, um movimento em descuido faz com que tudo desmanche novamente. Em março ela voltou, mas em abril mais uma vez  ela se foi e dessa vez eu sinto a força do 'pra sempre'. Acho que não tenho mais energia, pois sinto que tudo o que tinha que ser feito eu fiz, mas depois de tantas coisas ditas, mesmo sendo forte seria difícil ficar. 
Mesmo assim, existe uma gota de esperança em todo o deserto e isso me faz ficar à espera, imaginando um dia a sua volta, imaginando que com o 'tempo' que ela sempre quis ela perceba a minha falta, esperando que com a distância ela sinta a mesma coisa que eu: que nosso amor é mais. Mas, sinceramente, eu vejo o quanto estou me iludindo.
Pois estou de férias e dessa vez não teve conversa durante a viagem pra saber se tá tudo bem, não teve a casa dela como o primeiro lugar de parada, não teve mínimo contato, não recebi o seu olhar e abraço ao chegar à cidade - porque mesmo quando a gente 'não estava' ainda assim era assim. Hoje é solidão total e é extremamente louco estar nessa cidade e saber que não somos mais um par. Essa consciência que está me pirando e hoje me sinto completamente doente, pois não superar e entender o fim é algo patológico. Mas antes eu tinha esperança, agora só resta uma gota e eu sinto que quando ela evaporar, assim como as pétalas de rosa de A Bela e a Fera, eu me perderei porque eu realmente não vejo mais sentido em tudo.
As vezes me vejo escrevendo mensagens enormes pedindo que ela me fale, sem dó nem piedade, que ela não sente mais absolutamente nada por mim, que está com outra, que nunca mais quer me ver. Eu imagino que com a resposta 'clara' eu vá conseguir superar mais rápido, me desprender dela. Mas dai me lembro que isso já foi dito e que mesmo assim estou ainda aqui querendo ficar na história de alguém que já até trocou os personagens de seu enredo.

Eu to doente.

sábado, 31 de março de 2018

É ela

Passou tão rápido o tempo quando ela foi me visitar propondo a volta. Assim como está passando rápido meus dias aqui, tão depressa que quase não tive tempo de olhar em seus olhos de mar e agradecer por mais uma vez me permitir mergulhar no oceano que ela é. É complicado 'zerar' tudo, como isso seria possível depois de tanta história? Mas eu não tenho medo de recomeços - mais maduros, espero. 
Normalmente eu escrevo aqui quando estou no caos, talvez minha alma de "mal do século' fique mais expressiva e, portanto, mais fácil de demonstrar os sentimentos todos que borbulham em mim, uma mistura de água e fogo que sou, peixes com asc em áries, minhas emoções são intensas e podem machucar.
Mas nem só de espinhos são feitas as rosas, pois guardam o aroma e a promessa da delicadeza. E eu agradeço por essa possibilidade, agradeço pelo toque suave de pétalas que me envolveram por tantos anos e que agora retorna. 
'É ela' eu pensei, quando a vi no cursinho onde estudávamos. 'É ela' eu senti, quando meu coração e pensamento só sabiam me levar à Renata. 'É ela' tive a certeza, quando nossos beijos se tocaram depois de não nos fazermos e nos permitirmos à entrega. 'É ela' em muitos dias ao acordar isso tocava feito música em meu coração. Mas talvez por ironia, teste, ou sei lá o que do destino, sinto que essa música deixou de ser escutava por mim e por ela e isso fez da vida dançante, parar.
E essa parada fez perder a beleza de meus dias, o ritmo que me embalava, o brilho da cor que dois corações vibram quando sentem o mesmo. Mas eu senti falta da celebração, ela também, e depois de um ciclo quase completo assumimos para nós mesmas e uma a outra a vontade de continuar cantando 'É ela'.
Porque eu nunca senti nada igual e hoje escrevo para agradecer aos deuses por aproximarem mais uma vez o coração dela do meu. Porque essa música, tornou-se tatuagem em meu espírito e eu só sei vibrar 'é ela'.

Porque ela, assim como eu, quer ficar, viajar, sonhar, amar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

...


Mais uma vez acreditei que você retornaria
Abri a casa da alma
Arejei meu coração e te esperei
Sentada

E após dias
Você me diz que não retornará
Novamente me vejo só
E sem sentido algum agora para acreditar