sexta-feira, 9 de agosto de 2013

I° Encontro do Círculo Feminino

Não sei o quanto pude auxiliar no encontro de ontem, também não sei se ele vai se desenvolver, crescer e fortificar. O que sei é que estamos ainda perto de Imbolc e realmente desejo muito que cada vez mais encontros dessa forma realizados por milhares de mulheres pelo mundo e agora por mim, despertem. Acho muito promissor iniciar um projeto desses no período dos inícios. Porém, pequena que sou, peço à Deusa que me mantenha sempre, SEMPRE, em seu caminho e que as minhas palavras sejam sempre guiadas por Ela. Não me sentia preparada pra tal trabalho, mas as coisas foram ocorrendo... Sei que a Grande Mãe está a me guiar!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Imbolc

Para nós, filhos dos Deuses antigos, estar em permanentes provações faz parte do desenvolvimento pessoal e mágico. Ao entrar em contato direto com a energia divina essencial que nos gerou (deuses), nos tornamos mais conscientes de suas ações em nossas vidas. e percebemos que muitas vezes eles nos exigem muito foco, coragem e enfrentamento das sombras que habitam em cada ser. Porém, existem um período que essas provações tornam-se muito mais constantes: durante os Mistérios Eleusianos.que é período em que colocamos nossos nomes no caldeirão reafirmando que seguimos os Deuses Antigos e que estamos dispostos a enfrentar as adversidades - que certamente ocorrerão nas nossas vidas até o novo despertar da terra em Imbolc, Sabemos que essas provações se tornarão ainda maiores e que o caminho será muito mais difícil e imprevisível e que os testes do dia-a-dia e mágicos serão fatais, pois inevitavelmente ocorrerá a morte simbólica de nosso 'eu' antigo dando espaço para o renascer do novo eu.
Coloquei o meu nome no caldeirão, porém não consegui superar os Mistérios Eleusis da Tradição a qual participo. No princípio senti que fracassei, porém, na data dos resultados finais, quando finalmente foi dito quem havia passado ou não, descobri que também passei. Consegui superar meus medos e encontrar o caminho na minha floresta interna. Talvez, não foi o mesmo caminho que meus irmãos trilharam e nem as mesmas provações eu realizei, porém, com toda a certeza me fiz vencedora, pois percebi o quanto tive provações mais íntimas com os deuses e que particularmente me fizeram ver e entender coisas que até então não percebia. No fim, o aprendizado da noite foi que embora os caminhos mundanos sejam diferentes, o que importa é caminhar. Pois se este for nosso destino, sempre nos encontraremos com o Sagrado. Inevitavelmente, pelas graças dos Deuses. Em Imbolc eu finalmente me despertei.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Caxias do Sul

Aprendi que falar para outras pessoas envolve muita dedicação. Sinto que me tornei diferente, a partir de hoje, entendo atitudes que não entendia e, além disso, percebo que a menina Franciele está dando lugar para a mulher. Agora não é apenas eu, pois existem outras pessoas que dependem de mim.

domingo, 21 de julho de 2013

Iniciação na Floresta

Rio, mato, morros: a simples união desses elementos já me deixaria extasiada. Encontrar-me com a natureza é com toda a certeza um dos momentos mais esperados por mim, pois recarrega minha bateria e nutre a minha alma. No entanto, Caxias do Sul me proporcionou muito mais do que normalmente sinto em uma ida ao encontro da Grande Mãe em um acampamento 'comum'. Dentro da mata, observada pelos seres de outros mundos, fui agraciada com a dádiva de curar. Assim recebi minha maestria Reiki, em união plena com Deusa, pois fomos naquele momento (e seguimos sendo) uma só.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yule


A vida estava se afastando de Gaia, pois o frio se tornava intenso e a fartura já não imperava nas despensas das famílias. Tudo era cinza e fora do local onde a Grande Deusa estava os animais encontravam-se moribundos, e a Mãe era iluminada pela lua cheia. Cheia, igual a ela, pois as duas são uma só. Porém como o sopro da vida que mostra que tudo é cíclico, Ela deu à luz a uma criação iluminada. Não foi um processo fácil, pois o nascimento de sua cria tão esperada lhe causou dor mas a deixou repleta de amor e até hoje, o Solstício de Inverno, vem nos lembrar que a noite mais escura e longa do ano traz em sua essência o parto demorado da Deusa: o sagrado ofício da Mãe que se transforma diversas vezes para garantir a continuação da existência de todos os seres.
A cria da Deusa era um menino, um ser que trazia em si toda a fé da renovação. Era a criança da promessa que iria se desenvolver, fortalecer, até tornar-se o Gamo Rei, o Consorte que plantará a semente em sua Mãe e Amante, para garantir o movimento circular e eterno. 
Para recebê-lo, os homens que celebravam a dança da vida e a Deusa que a todos ama, o ofertaram o pouco que tinham de melhor. Apesar da comida ser escassa e de quase todos os alimentos serem reaproveitados, a noite era uma grande festa: a vida havia voltado.
Apesar do povo antigo saber que ainda teriam dias frios pela frente, logo a Terra voltaria demonstrar seus primeiros sinais de renovação em Imbolc após a quarentena necessária depois de um longo parto. Quem tivesse força para superar esse período de desafios que terminaria no Sabbath do leite, a vida por mais uma roda era garantida. 
Mas a vida do Deus tornara a terra. O Deus que havia voltado do interior da sua Mãe, trazia a certeza que tudo ocorreria bem. E nós, mortais, agradecíamos no passado assim como agradecemos hoje, por toda força, coragem, luz, ousadia, felicidade e tantas outras bênçãos que a Deusa nos proporciona juntamente com seu filho e amado. A vida havia voltado e por isso era um momento de comemorar e celebrar a chama de luz que mostra que a humanidade não ficará na escuridão.


Muitas são as maneiras da Deusa nos falar

Grande troca. Grande energia! Mulheres que com certeza,
também sentem a ação da Deusa em seu interior.
Entre os dias 14-16 de junho obtive a felicidade e a sorte de participar de um evento revelador. A Nona Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa proporcionou, através de seus workshops, interação, troca, aprendizado e novas amizades. Em cada palestra assistida a revelação de uma visão nova sobre o Sagrado e a confirmação da certeza que a Deusa fala de diversas maneiras.
É interessante como o Divino age em nossas vidas: Fui à São Paulo com o objetivo de aprender sim algo a mais sobre essa energia a qual denominamos Deusa, mas acima de tudo, para pesquisar sobre os diferentes grupos que praticam a Antiga Fé, afinal, falar do qual participo não é academicamente aceito. Fui entender mais o que passa na mente de cada praticante sobre a energia feminina a qual nos criou, no entanto, durante esses três dias entendi mais sobre mim mesma.
Esse período pequeno fisicamente  foi crucial para entender melhor a nossa Grande Mãe, porém, muito mais
Filhos da Deusa e do Deus que compartilharam
suas alegrias comigo. Lembrarei sempre.
que isso, foi essencial para identificar a Deusa em mim. Em uma cidade tão grande, onde tudo me fazia sentir pequena e frágil tive que, sem escolha, deixar fluir dentro de meu ser a donzela caçadora. A Deusa, em sua face destemida e corajosa, presenteou-me com a capacidade de desbravar uma grande selva, não de plantas, mas de concretos enormes. A Donzela, a corajosa, a que está livre de qualquer influência externa e  que é apenas ela  mesma: assim eu fui.
Mas a Deusa também é a Mãe que gera qualquer coisa e que acolhe seus filhos. No processo de me conhecer enquanto mulher e expressão da Deusa na Terra, esse sentimento se apossou de mim. Tornei-me mais receptiva, fazendo-me acolher em meu coração cada pessoa que lá encontrei. Como uma verdadeira mãe, me importei com cada um e a partir disso, gerei dentro de mim um grande vínculo. Mas a Deusa não gera apenas filhos, pois de seu útero toda e qualquer magia é criada. Assim, percebi que dentro de mim uma sabedoria estava prestes a nascer e assim o foi. 
Essa sabedoria expressou-se de tal forma, que não tinha como duvidar que estava sendo tocada pela ancianidade da Deusa. A Mãe Velha que a tudo viveu e a tudo sabe, mostrou-me coisas que até então não sabia e falou por minha voz e tocou a outros corações. É Ela quem sabe os mistérios da vida e é Ela quem sabe por quais caminhos andar. Foi Ela, somente Ela, que me possibilitou aconselhar com propriedade algo que ainda não vivi, mas que por seu intermédio senti o que devia ser feito e falado.
Redescobri que habitam em mim
todas as faces da Grande Mãe.
Mas nenhuma dessas faces da Deusa poderia ter sentido em mim mesma se não tivesse me encontrado primeiro com uma em especial: A Deusa em seu aspecto negro, aquela que és feiticeira, aquela que está inteiramente em sua essência: pura, verdadeira e real. Somente se é possível entender que a Deusa age por cada mulher se nos olharmos e identificarmos realmente quem somos. E podemos ser muitas, assim como a nossa Grande Mãe. A face feiticeira me permitiu encantar-me por mim mesma e perceber os grandes feitiços que posso realizar, pois sou fêmea, sou Deusa na Terra, sou crescente, cheia, minguante e nova.
Tal compreensão permitiu me religar com o que há de mais sagrado em mim que é o poder latente que flui de meus desejos: O poder que flui, pois a Deusa está fora, mas também está dentro. O poder que flui, pois quando vivenciamos a magia de verdade, cada momento é mágico e cada ato é tocado pela força da Mãe. O poder que flui, pois muitas são as maneiras da Deusa nos falar. Esse é sem dúvida o poder que flui da essência! 
Por isso ser uma filha da Deusa é se perceber enquanto Deusa, é permitir que sejamos receptáculos de sua energia, é permitir se curar e assim, curar aos outros. E acima de tudo, é simplesmente ser quem é. Esses três dias me permitiram descobrir quem realmente sou e por esse motivo trago em minha memória cada pessoa que lá encontrei, pois mesmo de forma pequena e sem perceber me ensinaram sobre o meu eu. Fui verdadeira com cada um e isso fez com eu fosse verdadeira comigo e somente assim consegui compreender que a Mãe age sobre mim e me presenteia através de cada uma das suas energias.


Não poderia ter aprendido tanto, em tão pouco tempo. O que era pra ser um turismo cultural, transformou-se em um turismo interior e desvendei cada parte da Deusa existente em meus domínios. Gratidão Mãe, por falar e me permitir entender suas mensagens.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Poder Feminino contemporâneo: Das Tendas às Marchas

O último final de semana (25 e 26/maio) representou a busca pelo empoderamento da mulher, tanto no âmbito energético, quanto no social. O assunto em pauta foi o sexo - ágil -  feminino e sua forma de expressão, seu poder pessoal e sobre a maneira que a mulher é vista pela sociedade.
No sábado, dia 25, no encontro das MSCLC falamos sobre o feminino e seu aspecto Sagrado, a beleza e a energia do sangue menstrual, a vagina como um portal, entre outros assuntos relevantes para nos reconectarmos com o nosso 'eu' ancestral. Foi inacreditável o tamanho da troca e percebemos que essas questões ditas como 'tabus' precisam ser discutidas,  pois falar delas é um passo para a compreensão completa do nosso ser.
Vimos que a mulher é naturalmente poderosa, curadora e que possui diversas fases e faces e juntas identificamos que nós mulheres podemos gerar qualquer coisa o qual desejarmos. Ter a consciência que fomos aos poucos diminuídas, excluídas, tiradas de uma posição de poder permite que não nos conformemos com a visão machista e patriarcal que o homem possui hoje. Desmistificar o feminino atual e identificar a energia pulsante que possui em cada mulher, em cada útero, em cada vagina, em cada sangue, é primordial para buscarmos o que é nosso por direito: a igualdade.
As mulheres do passado, sábias de tribos, possuíam destaque, sabedoria, poder de cura, conexão com o sagrado, passe para outros mundos. Isso ocorria de forma natural, pois todas tinham total domínio de si, do seu corpo e de suas vontades. Eram mulheres livres, donas do seu ser e detentoras do absoluto poder de sangrar sem morrer.
Podem pensar que é tolo identificar a mulher como sagrada por sangrar sem morrer, afinal se  sabe todo o processo que rege o ciclo menstrual. Porém, engana-se quem pensa assim, pois hoje sabemos realmente e com maior profundidade sobre as propriedades do sangue menstrual e assim é possível de entender ainda hoje o quanto ele é sagrado. Entre tantos significados místicos possíveis de ser compartilhado aqui sobre o poder do sangue, prefiro dizer apenas um e de teor científico: O sangue menstrual é curador, sabemos que ele suga a energia aterrando o que há de negativo na terra. Mas foi descoberto recentemente que o sangue menstrual possui mais células tronco do que a medula óssea, podendo curar assim uma das maiores doenças da contemporaneidade. Tal descobrimento é a representação da ciência auxiliando e aumentando a compreensão da magia ancestral.
Evidente que o nosso sexo por ser tão poderoso, foi banalizado e demonizado pelas visões patriarcais. E o o que era divino, tornou-se impuro, nojento e pecaminoso. Conversar sobre isso foi o auxílio necessário para entendermos melhor nossa real importância em Gaia e como podemos realizar o nosso papel de forma mais eficaz. 
Foi com essa visão mais clara que participei mais uma vez da Marcha das
Vadias no domingo e com uma surpresa muito grande, tive a real noção do quanto as mulheres estão avançando, buscando e resgatando seu legado. Seja em círculos de mulheres, sejam em marchas feministas, o discurso é o mesmo: reencontrar o nosso lado mais selvagem, livre de paradigmas e sem ter que obedecer nada e nem ninguém além de nossos próprios corações. Vi diversos cartazes, muitos gritos de guerra, muitas mulheres nuas e seminuas, muitos homens e crianças apoiando as mulheres e tudo em prol da igualdade. Frases do tipo 'ela está nua, mas coberta de razão',  'eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero' e 'minha mãe me ensinou a ser livre' foram marcantes, pois foi a partir desse momento que percebi verdadeiramente que uma nova consciência está se formando.
Não é mais necessário de intermediários, ou de grandes movimentos para falar do empoderamento feminino. Todas e todos são capazes e aptos para falar de tais assuntos, pois são questões que estão ressurgindo de nosso inconsciente coletivo e indo diretamente para a ação. 
Isso foi uma inspiração e inspirou ação em mim: Notei-me mais forte, aguerrida, confiante em mim mesma, pois eu também sou capaz de fazer o que desejar. Da mesma forma que diversas mulheres gritaram e tiraram suas roupas pelos seus ideais e vontades, eu também tirei. Da mesma forma que essa efervescência está agindo no interior de cada um, também está agindo em mim, pois sou dona de mim mesma e faço parte dessa tribo que acredita em si, que vai em busca dos seus sonhos. 
Apenas a palavra 'único' pode realmente demonstrar o que senti nesse final de semana. Eu, enquanto Filha da Deusa, notei-me repleta de poder, de força, coragem e ousadia. Mais uma vez percebi que Ela está em todos os lugares, basta enxergá-la. E ao notá-la, assim em uma simples passeata, percebi que existem muitos meios para encontrá-la e que muitos são os seus presentes. Gratidão por reacender essa luz em meu caminho, gratidão por ter dado tão certo o encontro de sábado e gratidão por ter me impulsionado a ir na Marcha - sei que era uma forma de chamado. E principalmente, gratidão por fazer seguir essa trilha  de diversas causas e por ter sido um fim de semana tão revelador. Pois estou novamente te sentindo Mãe, em todos os momentos.