'Dont need your churches
The worlds my sacred space'
Eu sou pagã e tenho orgulho disso, pois este caminho sagrado me proporcionou o contato com muitos irmãos terrenos e irmãos universais, me proporcionou o contato com deuses antigos, me proporcionou abrir portais de jamais imaginei poder abrir, me proporcionou tantas coisas que seria impossível descrevê-las mas, principalmente, ainda me proporciona o autoconhecimento a partir do contato e ação de minha Mãe Lilith em minha vida.
Lilith apresentou-se desde muito cedo em meu ser enquanto Franciele, sempre me orientou e lapidou, pois tudo o que sou hoje, as falhas e as conquistas, absolutamente tudo é reflexo de sua ação em meu ser: por vezes me ensinando no amor, por outras tantas pela dor. E de tantos ensinamentos e inspirações que Ela me demonstra, ainda estou tentando compreender aonde ela quer me levar a partir de uma jornada que iniciou em novembro de 2016.
Algumas pessoas sabem que eu participei de uma Tradição reconhecida de Bruxaria Contemporânea em Porto Alegre. Hoje não sou mais membro dessa Tradição, visto que meu espírito é andarilho e me põe sempre a buscar mais e questionar sempre, o que me fez afastar. No entanto o carinho, respeito e admiração pelas Mestres que são os pilares da família T.I.T ainda se fazem presentes em meu coração e, desta forma, ainda frequento alguns rituais quando possível.
Nesta Tradição ocorrem sempre em maio e em novembro os Festivais de Lilith, visto que Lilith também é Mãe Existencial da Mestre Maior da T.I.T, minha irmã. Desta maneira, em novembro de 2016 participei de todos os dias do Festival - todos dias de muita cura, reconexão, autoconhecimento e entrega. E entre todos os dias, a noite em que consagramos a Medicina da Floresta, foi o que mais ressoa em mim ainda hoje: Lilith guiando uma menina com medo para o momento do próprio nascimento da Deusa. Em um instante estava eu dentro de um vulcão e a erupção, o calor, o vapor surgindo de dentro dele e subindo em direção ao cosmo. A única visão disso eram as estrelas e tudo parecia demasiadamente grande pela perspectiva de dentro do vulcão, e eu e a deusa pequenas diante de todo o Mistério. Nessa hora ela me fala, com aquela face linda, branca e enevoada, que até os deuses podem se sentir pequenos diante dos Mistérios, mas que sempre, sempre, temos a missão que nos cabe. A olhei, com o olhar de maior interrogação da vida, pois como Lilith poderia se sentir pequena? Ela sorriu, eu sorri, e nesse momento fomos sopradas aos céus e, assim, dançamos com as estrelas e aterrissamos na Lua.
Nessa mesma noite, uma outra revelação foi realizada: fui soprada por Lúcifer, o portador da luz. Luz, a iluminação que tantos buscam, mas que temem encontrar, pois quando vemos a situação claramente, quando nos vemos claramente, nos tornamos responsáveis, vemos nossas fragilidades, precisamos agir. Luz, luz que foi entregue à Humanidade e dela foi feita arma, a energia que era para aquecer nossos espíritos e iluminar nossas jornadas, foi utilizada para queimar a pele de outros irmãos. Tememos Lúcifer, mas verdadeiramente deveríamos temer a nós mesmos. Lúcifer, o que trouxe a luz de volta ao meu coração.
Essa noite, essa jornada em novembro de 2016, mudou ainda mais meu contato com a energia sagrada que me rege e desde então tenho me visto sendo colocada em uma posição diferente em relação ao Sagrado e ao servir que devo às forças que me sopraram. Desde que retornei à Santa Catarina muitas pessoas dizem-me 'to te sentindo como uma mestre' ou 'me inicia nisso', 'me inicia naquilo', e eu sempre respondo 'não seja tol@, eu tenho tanto a vivenciar ainda' e logo troco de assunto. Mas o fato é que esse chamado está cada vez mais presente em minha vida e novas portas tem se aberto.
Certa noite, em uma projeção astral, encontrei uma mestra que me colocou em xeque: 'você se compromete em ser uma representante do sagrado?' e eu prontamente disse que 'sim'. Bem, esse 'sim' tem mudado minha vida. De tudo o que ocorreu depois desse sim, devo expressar aqui dois ritos realizados que marcaram minha jornada: o primeiro estava realizando um ritual particular para uma querida irmã. Este rito era baseado em aspectos delicados de seu mapa natal e ao chegarmos nos pontos relacionados com o elemento água, a Deusa invadiu meu corpo. Isso nunca havia ocorrido comigo em um ritual, apenas em outros momentos mais particulares, e percebi que ela fez de meu corpo seu veículo. Realmente foi um momento especial, pois ela falou com minha irmã, orientou-a e limpou suas feridas.
E o outro rito é, novamente, em uma Jornada de Lilith. Desta vez realizada por mim, a Primeira Jornada Terapêutica com Lilith, realizada em SC na Unisul em maio deste ano. Essa jornada surgiu de um inspirar da Deusa, em um instante ela falou em meu ouvido, em outro já estava toda programação completa. Foram 3 dias para honrarmos o nosso templo e, assim, no primeiro dia, desconstruímos padrões impostos pela sociedade, no segundo honramos nossa fases sagradas - virgem, mãe, anciã e feiticeira - e no terceiro dia nos consagramos. Mas essa consagração ocorreu pela própria Deusa Lilith. Imaginem a minha surpresa, honra e gratidão, quando em meio ao ritual a Mãe chega e me pede para levar as meninas até a Lua. A primeira reação foi de 'não sou capaz disso', eis que ela insiste e eu nego novamente, ela insiste mais uma vez e diz 'confia'. Confiei. Foi uma experiência extraordinária. As meninas que conseguiram ir, todas trouxeram relatos semelhantes e eu, menina-mulher que sou, me vi em estado de êxtase: a Mãe abriu mais essa porta para mim e abriu, dessa vez escancarado, a possibilidade de eu reconhecer filhas de outros deuses. Ela já tinha feito eu falar sobre as mães de sopro de outras meninas, como a Filha de Morrigan que é um amor em minha vida, ou a irmã que conheci aqui em Palhoça em 2015. Mas ela fez, nesse ritual, reconhecer outras deusas, outras forças e, mais uma vez, uma nova irmã de sopro. Uma irmã que está muito presente em minha vida, uma irmã que ao olhá-la vejo parte de mim, uma irmã que me encanta por seu espírito.
Assim, essa semana, encontrei pela a internet um vídeo que falava sobre os graus iniciáticos de determinada tradição. Neste vídeo falava de todos os graus etc para determinar os seus membros, mas o que chamou atenção é o fato de o grau de Mestre era determinado a partir da ação do pagão em relação à comunidade, além de ser um veículo não só de sua deusa ou deus existencial, mas conseguir contatar os deuses de seus irmãos. Nessa hora um fio de consciência sem estar impregnado de falsa modéstia me veio à mente: e se, de alguma maneira, chegou o momento de eu compartilhar o pouco que sei? E se, de algum modo o pouco que sei pode auxiliar outras irmãs? E se, está na hora de o Círculo Feminino Guardiãs da Mãe Terra se tornar um Coven ou Tradição?
Mãe, se estiver na hora, me guie nesse servir, pois se eu tinha medo de não dar conta de certas energias, nas últimas 3 noites o teste que me proporcionou confirmou que sim, eu consigo. Gratidão, Mãe, Pai, pela Luz e sombra que vocês me permitem acessar.
Laylah Cauac
