Sempre que entro no meu blog vejo a quantidade de 'rascunhos' que esperam ser publicados. A quantidade de memórias e sentimentos que ainda não consegui compartilhar, pois envolvem medos, tristezas, mágoas e traumas.
Ao ler os rascunhos penso que já não tenho mais forças, que não acredito mais em Deuses, que já não consigo cumprir o sagrado ofício de ser Sacerdotisa. É o medo da sombra que me encara e me testa diariamente: as vezes a domino, as vezes ela me domina, as vezes nós nos embalamos em uma dança sensual e ao mesmo tempo melancólica, como o tango.
Nessas horas leio um outro relato, o primeiro capítulo de meu livro, que me faz lembrar de cada teste que já passei. Por vezes pareço ler outra pessoa, pois já não me reconheço, em outras me vejo completamente representada em cada palavra escrita ou das entrelinhas que fazem parte dessas páginas.
Sim, eu sou aquela mulher. Sim, eu sou a Sacerdotisa. Sim, eu sou a Filha e, como filha, sou guiada pelos ensinamentos da Grande Mãe. Comigo Ela não é doce, comigo ela explora minha profundidade e marca meus sinais de batalha com a lâmina quente de um punhal: sou Sua Iniciada.
E quando me perguntam se eu me arrependo das escolhas que fiz, das pessoas que acreditei, dos caminhos que tomei, ou se eu tenho raiva de cada decepção que já sofri, a resposta é sempre 'não'. Evidentemente, sofri, chorei, sangrei, desacreditei, tive dor. Mas tudo, absolutamente tudo, é parte da guiança da Deusa e a cada tombo que sofro, levanto mais forte e confiante.
Assim sempre é, e assim foi com a notícia que mudou meus planos, que me fez cair, que me entristeceu profundamente e que, principalmente, me fez questionar se este era o meu caminho. 'Deveria eu seguir os passos de nossas ancestrais?' Por um momento acreditei que não, mas então a ouvi falar mais uma vez para mim 'siga sua missão'.
Assim, seja com dor, seja por vezes desacreditando, continuarei a caminhar minha Mãe.
Laylah Cauac
